sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Araucária

🌲 Araucária (Araucaria angustifolia): um fóssil vivo da Mata Atlântica e tesouro nutracêutico do Brasil 🌿
Mais que árvore-símbolo do Paraná, a Araucária guarda em seus pinhões uma fonte rica de carboidratos complexos, fibras, minerais e amido resistente, com propriedades funcionais que contribuem para a saúde metabólica e intestinal. Além do valor nutricional, registros etnobotânicos revelam usos medicinais tradicionais de sua casca e resina como expectorante, cicatrizante e anti-inflamatória. Conheça nesta ficha completa o potencial alimentar e terapêutico dessa espécie ameaçada de extinção, que une história, cultura e ciência em cada semente.

 

🌿 Ficha Técnica – Araucária (Araucaria angustifolia)

🔹 Nome científico

Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze

🔹 Classificação botânica

  • Reino: Plantae

  • Divisão: Pinophyta

  • Classe: Pinopsida

  • Ordem: Pinales

  • Família: Araucariaceae

  • Gênero: Araucaria

  • Espécie: A. angustifolia

🔹 Nomes populares

Pinheiro-do-paraná, pinheiro-brasileiro, pinheiro-das-missões, curi, pinheiro-caiová.


🌱 Descrição botânica

A Araucaria angustifolia é uma árvore nativa do Brasil, pertencente ao grupo das gimnospermas (plantas que não produzem flores verdadeiras nem frutos carnosos, mas sementes nuas, chamadas de pinhões). Pode atingir 30 a 50 metros de altura, com tronco ereto e grosso, chegando a mais de 2 metros de diâmetro.
Suas folhas são aciculadas (em forma de agulha), rígidas, coriáceas e pontiagudas, dispostas em espiral.

A inflorescência é na forma de estróbilos (cones), sendo os masculinos alongados e cilíndricos, e os femininos arredondados, onde se formam os pinhões, os cones femininos e masculinos ocorrem em plantas diferentes, sendo, portanto, uma espécie dióica. As raízes são profundas e resistentes, adaptadas a solos bem drenados.

A fenologia mostra que a polinização ocorre pelo vento (anemofilia) e a maturação dos pinhões leva cerca de 2 anos após a polinização, com maior safra entre abril e agosto.


🌍 Origem e distribuição

Espécie nativa da região Sul do Brasil, originalmente abundante na Mata Atlântica e no planalto meridional. Ocorre também em partes da Argentina e Paraguai. No Brasil, ainda pode ser encontrada em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e áreas de Minas Gerais e São Paulo, embora hoje esteja ameaçada de extinção.


🌿 Usos medicinais

Embora pouco explorada na fitoterapia moderna, há registros tradicionais do uso de partes da araucária:

  • Resina e casca: propriedades expectorantes, cicatrizantes e anti-inflamatórias.

  • Chá das folhas: utilizado popularmente contra tosses, resfriados e bronquites.

  • Pinhão: devido ao amido de lenta digestão, pode ajudar no controle da glicemia.


🧴 Modo de usar e preparação (popular)

  • Chá da casca ou resina (infusão ou decocção) para uso em tosses e inflamações de garganta.

  • Cataplasma da casca em ferimentos leves.

  • O extrato hidroalcóolico da casca pode ser utilizado contra o herpes.


💊 Indicações fitoterápicas (tradicionais)

  • Doenças respiratórias (tosse, bronquite, catarro persistente).

  • Distúrbios digestivos leves.

  • Inflamações da pele.

(Observação: o uso medicinal carece de comprovação científica robusta; seu emprego é mais etnobotânico do que fitoterápico consolidado.)


🍵 Receita extemporânea medicinal

Chá de casca de Araucária

  • 1 colher de sopa de casca seca picada

  • 250 ml de água

  • Ferver por 5 minutos, deixar repousar e coar.
    Tomar 1 xícara até 2 vezes ao dia para aliviar sintomas de tosse ou resfriados.


🌽 Uso como PANC

O pinhão é o principal uso PANC da Araucária, amplamente consumido no Sul do Brasil. Pode ser cozido, assado ou processado em receitas tradicionais. Suas sementes podem ser descascadas e secas ao sol ou estufa (ainda cruas) e moidadas para preparar mingaus, cremes, pudins, pães, sopas cremosas e bolos. Para bolos pode-se utilizar meio a meio com farinha de trigo, ex 2 xícaras de farinha de pinhões para 2 xícaras de farinha de trigo.

Receita alimentar

Paçoca de Pinhão

  • 2 xícaras de pinhão cozido e descascado

  • 1 colher de banha ou manteiga

  • Sal e temperos a gosto
    Amassar o pinhão em pilão e misturar com gordura e temperos, formando uma paçoca nutritiva e energética.


📊 Bromatologia (pinhão cozido – 100 g)

  • Energia: 174 kcal

  • Carboidratos: 43 g

  • Proteínas: 3,7 g

  • Lipídios: 0,6 g

  • Fibras: 4,2 g

  • Cálcio: 19 mg

  • Ferro: 0,7 mg

  • Magnésio: 50 mg

  • Potássio: 515 mg

  • Vitaminas do complexo B (tiamina, niacina, riboflavina) em pequenas quantidades.

  • Rica em amido resistente, com efeito prebiótico.

OBS.: O pinhão é uma boa fonte de amido, fibra alimentar, e dos minerais magnésio e cobre e tem baixo índice glicêmico, tendo cerca de 23% menos que o pão branco.

⚠️ Possível toxicidade e interações

  • Não há relatos de toxicidade significativa do pinhão.

  • O consumo excessivo pode causar distensão abdominal devido ao amido resistente.

  • Uso medicinal da resina e da casca deve ser feito com cautela, sempre em doses pequenas.


🌱 Dicas de cultivo

  • Prefere clima subtropical a temperado.

  • Exige solos profundos, férteis e bem drenados.

  • O plantio pode ser feito por sementes (pinhões), que têm germinação rápida quando frescas.

  • Árvores de crescimento lento, mas com alta longevidade (podem viver até 500 anos).


🔎 Curiosidades

  • É a árvore-símbolo do Paraná.

  • Seu pinhão foi alimento base dos povos indígenas do Sul do Brasil.

  • Espécie considerada fóssil vivo, com origem há mais de 200 milhões de anos.

  • Está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil.


📚 Bibliografia desta ficha

  • Lorenzi, H. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. Instituto Plantarum, 2009.

  • Carvalho, P.E.R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa, 2003.

  • Kinupp, V.F.; Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum, 2014.

  • Sobral, M. et al. Flora Arbórea e Arborescente do Rio Grande do Sul. RiMa, 2006.

  • Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense: Araucariaceae. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues, 1979.

Araucária -Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze Aspecto da árvore jovem - Foto: José Carlos Bueno - Inconfidentes-MG - Bairro Pinhalzinho dos Goes - 08/2025


Araucária -Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze - Aspecto da árvore adulta- Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - Bairro Xavi - 05/2025
 
Araucária -Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze Aspecto das folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - Bairro Serrinha- 08/2025

Pinheiro-do-paraná
Araucária -Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze - Árvore adulta - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - Bairro Serrinha- 08/2025

Araucaria angustifolia
Araucária -Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze - População de araucárias - Foto: José Carlos Bueno - Campos do Jordão-SP- 07/2017




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Você já conhecia as propriedades desta planta? Deixe sua contribuição comentando aqui:

Destaque

Preparações Extemporâneas em Fitoterapia - Infusão: como fazer e como garantir maior eficácia às plantas medicinais neste preparo

Você sabia que a forma de preparo influencia diretamente o poder curativo das  plantas medicinais ? As  preparações extemporâneas  — feitas ...

Assine nossa Newsletter