🌼 Ficha técnica — Ipê-amarelo (Handroanthus spp.)
Identificação e classificação
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Nome científico (sintético): Handroanthus spp. (diversas espécies de “ipê-amarelo”, p.ex. Handroanthus chrysotrichus, H. serratifolius, H. ochraceus, H. impetiginosus).
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Classificador: gênero Handroanthus Mattos (revisão taxonômica separou muitas espécies antes incluídas em Tabebuia).
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Família botânica: Bignoniaceae.
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Nomes populares: ipê-amarelo, pau-d’arco amarelo, yellow ipe, pau d’arco (em alguns usos populares este último também se refere a espécies produtoras de “lapachol”).
Descrição botânica (texto fluido)
Os ipês-amarelos são árvores decíduas a semi-decíduas de porte variado, normalmente alcançando entre 6 e 20 m de altura conforme espécie e condições ambientais. Apresentam troncos retos, casca áspera e copa ampla; folhas compostas (paripinadas) típicas da família Bignoniaceae, com folíolos opostos, superfície coriácea e pecíolos bem definidos. A característica marcante são as inflorescências terminais ou axilares em grandes cachos, com flores grandes, tubulares e amarelas (em espécies do grupo Handroanthus), muito vistosas na época de floração. Sistema radicular formado por raiz pivotante e ramificações profundas; algumas espécies toleram solos rasos e períodos de seca moderada, mas em geral preferem solos bem drenados e profundos. A fenologia é marcada por uma florada conspícua sazonal (frequentemente no fim do período seco / início das chuvas), período em que praticamente toda a árvore se cobre de flores amarelas, antes ou durante o rebrota das folhas.
Origem e distribuição / onde encontrar no Brasil
Espécies de Handroanthus são nativas das Américas tropicais e subtropicais; no Brasil encontram-se amplamente em biomas como Mata Atlântica, Cerrado e transição com Caatinga, dependendo da espécie (p.ex. H. serratifolius em áreas mais amplas do Sudeste/Norte do Brasil). Hoje o ipê-amarelo é também amplamente utilizado como árvore urbana, ornamental e em projetos de restauração ecológica em diversas regiões brasileiros.
Usos medicinais (tradição e evidência)
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Resumo tradicional: em diversas regiões o inner bark (casca interna) e extratos de espécies antes alocadas em Tabebuia (hoje Handroanthus spp.) são usados tradicionalmente para problemas inflamatórios, infecções, cicatrização e como “tônico” — famoso é o uso de “pau-d’arco” (cortiça/raiz) em chás/tinturas.
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Compostos bioativos: várias espécies contêm naphthoquinonas (p. ex. lapachol e derivados), flavonoides e compostos fenólicos com atividade anti-inflamatória, antimicrobiana e antioxidante demonstrada em estudos pré-clínicos. Essas moléculas explicam parte das aplicações tradicionais e do interesse farmacológico.
Importante: a evidência clínica humana robusta é limitada. Muitos estudos são in vitro ou em animais; algumas moléculas (p.ex. lapachol) apresentam toxicidade em determinadas doses — ver seção de toxicidade.
Modo de uso e preparação (uso tradicional)
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Chá (decocção) de casca/raízes (uso popular): pedaços de casca/raízes fervidos 5–15 min e consumidos como “chá de pau-d’arco”.
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Tinturas e extratos alcoólicos: preparações alcoólicas com padronizações comerciais (quando existentes) são usadas como formas fitoterápicas.
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Uso externo: cataplasmas da casca para pequenos ferimentos e inflamações em práticas tradicionais.
Atenção: Preparações caseiras com casca/raízes concentram compostos ativos; por isso o uso deve ser com cautela e supervisão de profissional, especialmente em tratamentos prolongados.
Indicações fitoterápicas (relato tradicional e linhas de pesquisa)
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Processos inflamatórios (uso anti-inflamatório tradicional).
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Infecções superficiais (atividade antimicrobiana demonstrada in vitro).
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Uso como adjuvante em estados de fadiga ou “tonificação” na medicina popular.
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Investiga-se potencial antitumoral e imunomodulador em pesquisas experimentais.
Receita extemporânea medicinal (tradição popular — com advertências)
Decocção básica (uso tradicional, NÃO substitui orientação profissional):
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1–2 g (pequeno pedaço) de casca interna/raiz seca (moída)
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250–300 ml de água
Ferver 5–10 minutos, coar; tomar 1 xícara, 1 vez ao dia.
Advertência: evitar uso em gravidez, lactação, crianças e por períodos longos; risco de toxicidade com doses elevadas. Consulte sempre profissional.
🍃 Tópico Especial: Flores de Ipê-amarelo como PANC
Evidências de uso alimentar
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O site AMDA (“Descubra quais plantas do seu quintal são comestíveis”) afirma que flores do ipê-amarelo são usadas cruas em saladas, refogadas e até empanadas, como alternativa decorativa e saborosa no cardápio de PANCs.
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Portal Amazônia relata que grupos/chefs na Amazônia usam flores de ipê-amarelo (“flores do ipê”) cruas, cozidas, refogadas ou à milanesa, aproveitando sua cor vibrante e leve amargor.
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“Sabores do Mato – Panc’s e plantas medicinais” também menciona que as flores de Handroanthus chrysotrichus (ipê-amarelo) são comestíveis, usadas cruas em saladas, empanadas, salteadas, e que o sabor é leve, com amargor comparável ao alface ou agrião. saboresdomato.blogspot.com+1
Possíveis usos práticos
Com base nessas fontes, os usos alimentares viáveis para as flores de ipê-amarelo incluem:
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Uso decorativo: realçar pratos com pétalas inteiras ou pétalas limpas.
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Saladas cruas: adicionar flores para textura e cor.
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Preparações fritas ou empanadas: cobertura leve de massa ou farinha para dourar.
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Refogados leves ou salteados com alho/óleo para “flor sauté”.
Observações de sabor e preparo
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O sabor é descrito como leve amargor, comparável ao alface ou almeirão. Não parece haver sabor forte ou desagradável, segundo relatos. saboresdomato.blogspot.com+1
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As flores são delicadas; recomenda-se higiene rigorosa na coleta (flores recém-abertas, limpas, sem sujeira ou poluição).
Limitações e lacunas
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Falta de estudos químicos específicos sobre valor nutricional das flores de ipê-amarelo (quantidade de proteínas, vitaminas, antocianinas, compostos fenólicos etc.).
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Poucos dados sobre possíveis toxinas ou compostos indesejados nas flores (alergênicos ou fitotóxicos).
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Não há estudos clínicos confirmados sobre efeitos medicinais específicos atribuíveis ao consumo de flores do ipê-amarelo.
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Bromatologia (informação sobre uso alimentício)
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Observação: não aplicável como alimento — não há tabela bromatológica padrão para partes do ipê-amarelo como alimento. Se há interesse em extratos padronizados (fitoterápicos), as especificações são de conteúdo de marcadores químicos (p. ex. lapachol, flavonoides) e não de macronutrientes.
Possível toxicidade e interações medicamentosas
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Toxicidade conhecida: o composto lapachol, encontrado em algumas espécies (p.ex. H. impetiginosus / pau-d’arco), mostrou toxicidade reprodutiva e abortiva em modelos animais e pode ser citotóxico em doses altas; extratos não padronizados e uso prolongado sem controle são potencialmente perigosos.
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Interações medicamentosas: por possuir compostos bioativos, pode interagir com fármacos metabolizados pelo fígado (CYP450) e com medicamentos imunomoduladores ou citotóxicos — cuidado especial em pacientes em tratamento oncológico, com anticoagulantes e outros medicamentos de largo índice terapêutico.
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Contraindicações: gestantes, lactantes, crianças, pacientes com doença hepática grave, pacientes em quimioterapia (sem orientação médica). Sempre consultar médico/fitoterapeuta antes do uso.
Usos no paisagismo
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Valor ornamental elevado: floração vistosa e sazonal (massas de flores amarelas) torna o ipê-amarelo muito empregado em avenidas, parques e jardins públicos. É uma das espécies símbolo do paisagismo urbano brasileiro.
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Vantagens: resistência a seca (dependendo da espécie), baixa manutenção, atração de polinizadores (abelhas e aves nectarívoras).
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Atenção: escolher espécies nativas e materiais de propagação adequados para evitar problemas com raízes em calçadas e infraestrutura urbana.
Usos em recomposição florestal (restauração ecológica)
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Papel ecológico: espécies de Handroanthus são tipicamente usadas em projetos de restauração por serem nativas de diversos ecossistemas brasileiros e por promoverem recursos para fauna (néctar, abrigo). Estudos genéticos mostram variação adaptativa entre populações, o que reforça a necessidade de usar material genético local na rest. ecológica.
Dicas de cultivo
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Clima: tropical a subtropical; muitas espécies suportam períodos secos.
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Solo: prefira solos profundos e bem drenados; tolera solos médios a férteis.
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Luz: pleno sol estimula floração abundante.
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Propagação: por sementes (germinabilidade melhor com sementes frescas) ou mudas enxertadas; plantio em espaçamento que permita copa ampla.
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Poda: poda de formação e remoção de ramos mortos após a floração.
Curiosidades
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Taxonomia: muitas espécies de ipê-amarelo foram reclassificadas do gênero Tabebuia para Handroanthus após estudos moleculares (2007 e posteriores).
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Produção de mel: flores ricas em néctar fazem do ipê-amarelo importante para apicultura.
Bibliografia desta ficha
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Grose, S. O. & Olmstead, R. G. (2007). Taxonomic Revisions in the Polyphyletic Genus Tabebuia s.l. Systematic Botany. — revisão que fundamentou a segregação de Handroanthus. BioOne
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Ryan, R. Y. M. et al. (2021). Tabebuia impetiginosa: A Comprehensive Review on Traditional Uses, Phytochemistry and Immunopharmacological Properties. (PMC review) — revisão sobre usos tradicionais, compostos e evidências farmacológicas. PMC
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Nahar J. et al. (2023). Roasting Extract of Handroanthus impetiginosus Enhances ... (MDPI Applied Sciences) — estudo de compostos e potenciais bioativos. MDPI
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UF/IFAS & Gardening extension pages (IFAS, Nparks) — perfis horticulturais e uso em paisagismo para Handroanthus chrysotrichus/impetiginosus. Ask IFAS - Powered by EDIS+1
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World Flora Online / WFO & plant lists — confirmações taxonômicas atualizadas sobre Handroanthus spp. e distribuição. wfoplantlist.org
EMBRAPA - Espécies Arbóreas Brasileiras - Ipê-amarelo -vol 1. https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140083/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Ipe-Amarelo.pdf
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| Ipê-amarelo - Handroanthus spp - Detalhe da flor - foto: José Carlos Bueno - Borda da Mata-MG - 09/2025 |
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| Ipê-amarelo - Handroanthus spp - árvore florida - foto: José Carlos Bueno - Borda da Mata-MG - 09/2025 |
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| Ipê-amarelo - Handroanthus spp - Inflorescência - foto: José Carlos Bueno - Borda da Mata-MG - 09/2025 |
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| Ipê-amarelo - Handroanthus spp - Detalhe da árvore florida - foto: José Carlos Bueno - Borda da Mata-MG - 09/2025 |





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