Uma pequena planta brasileira que conquistou o mundo com sua doçura
Poucas plantas conseguem reunir em suas folhas uma característica tão curiosa: um sabor intensamente doce sem depender da sacarose. A estévia, Stevia rebaudiana, é uma espécie nativa da região que inclui o Sul e Centro-Oeste do Brasil e o Paraguai e que, ao longo do tempo, passou do conhecimento tradicional dos povos Guarani para a indústria moderna de adoçantes.
Mas a estévia é muito mais do que um adoçante. Suas folhas contêm glicosídeos de esteviol, especialmente esteviosídeo e rebaudiosídeo A, além de compostos fenólicos, flavonoides e ácidos clorogênicos associados a importante atividade antioxidante em estudos experimentais. Também existem estudos clínicos indicando que determinados preparados de esteviosídeos podem contribuir para a redução da pressão arterial em pessoas com hipertensão.
Ao mesmo tempo, é importante separar o que está bem demonstrado para glicosídeos de esteviol padronizados do que pode ser atribuído simplesmente ao consumo de uma folha ou de um chá de estévia.
Identificação botânica
Nome científico: Stevia rebaudiana (Bertoni) Bertoni
Família: Asteraceae
Gênero: Stevia
Nomes populares: estévia, stévia, erva-doce, folha-doce, planta-do-açúcar, açúcar-caá, caá-heê, ka'a he’ẽ e honey leaf.
O nome guarani ka'a he’ẽ pode ser traduzido aproximadamente como “erva doce” ou “folha doce”, uma referência direta à característica que tornou a planta conhecida.
Sinonímia relevante
Entre os nomes científicos encontrados na literatura taxonômica estão:
Eupatorium rebaudianum Bertoni — basônimo;
Stevia rebaudiana Hemsl.
O nome atualmente aceito é _Stevia rebaudiana (Bertoni) Bertoni. [1,2]
Classificação botânica segundo o APG IV
Reino: Plantae
Clado: Angiospermas
Clado: Eudicotiledôneas
Clado: Asterídeas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Subfamília: Asteroideae
Tribo: Eupatorieae
Gênero: Stevia
Espécie: Stevia rebaudiana
A espécie pertence à mesma grande família botânica de plantas conhecidas como margaridas, camomila, girassol, arnica e muitas outras espécies de interesse medicinal e alimentar.
Como é a planta?
A estévia é uma erva perene ou subarbusto de pequeno porte, bastante ramificado, que geralmente forma touceiras quando cultivada.
Os caules são finos, ramificados e podem apresentar tendência a ficar parcialmente lignificados na base à medida que a planta envelhece. As folhas são simples, verdes, relativamente pequenas, dispostas ao longo dos ramos e apresentam formato geralmente ovalado a lanceolado, com margem frequentemente serrilhada ou dentada.
É nas folhas que se concentra grande parte dos compostos responsáveis pela intensa doçura da espécie.
As flores são pequenas, reunidas em capítulos típicos da família Asteraceae. Embora discretas individualmente, aparecem em conjuntos nas extremidades dos ramos. As sementes são pequenas e possuem estruturas que favorecem sua dispersão pelo vento, como ocorre em muitas espécies da família.
A planta apresenta maior produção de massa foliar quando encontra condições adequadas de luminosidade, temperatura, água e fertilidade. Para quem pretende cultivá-la com finalidade alimentar, é interessante realizar podas periódicas, estimulando a formação de novos ramos e mantendo a planta compacta.
Origem e distribuição: uma planta nativa do Brasil e do Paraguai
A Stevia rebaudiana possui distribuição nativa no Brasil e no Paraguai, sendo especialmente associada às regiões de transição entre esses territórios.
Dados taxonômicos atuais do Royal Botanic Gardens, Kew indicam como área nativa Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, no Brasil, estendendo-se até o Paraguai. [1]
No Brasil, a espécie possui uma história particularmente interessante porque faz parte do patrimônio biocultural associado aos povos Guarani, especialmente populações Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul.
Hoje, a estévia é cultivada em diversos países devido ao interesse comercial pelos seus glicosídeos de esteviol, utilizados como adoçantes de alta intensidade.
Stevia e seus usos medicinais
A estévia é uma espécie que merece atenção justamente porque existem diferentes níveis de evidência científica para seus efeitos biológicos.
Os principais estudos farmacológicos concentram-se nos glicosídeos de esteviol, principalmente o esteviosídeo e o rebaudiosídeo A, e não simplesmente no consumo de algumas folhas.
Isso é importante para evitar uma extrapolação comum: o fato de determinado composto isolado apresentar uma atividade farmacológica não significa automaticamente que um chá preparado com algumas folhas produzirá o mesmo efeito.
Ação antioxidante
Um dos aspectos mais interessantes da Stevia rebaudiana é sua riqueza em compostos fenólicos e flavonoides.
Entre os componentes identificados nas folhas estão os ácidos clorogênicos, ácido cafeico e outros polifenóis, além dos próprios glicosídeos de esteviol. Esses compostos apresentam capacidade antioxidante demonstrada em diferentes modelos laboratoriais. [3,4]
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2024 reuniu resultados de dezenas de trabalhos sobre a atividade antioxidante dos extratos das folhas de estévia. Os resultados demonstraram associação entre o conteúdo de compostos fenólicos e flavonoides e a capacidade antioxidante observada nos ensaios laboratoriais. [4]
É importante, entretanto, fazer uma distinção:
atividade antioxidante medida em laboratório não significa automaticamente prevenção ou tratamento de uma doença em seres humanos.
Portanto, a estévia pode ser considerada uma fonte vegetal de compostos antioxidantes, mas não deve ser apresentada como tratamento isolado de doenças relacionadas ao estresse oxidativo.
Stevia e pressão arterial
A ação sobre a pressão arterial é provavelmente um dos efeitos farmacológicos mais interessantes atribuídos aos glicosídeos de esteviol.
Há estudos clínicos em seres humanos nos quais o esteviosídeo apresentou redução da pressão arterial em pessoas com hipertensão. Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo acompanhou 106 indivíduos hipertensos durante um ano e observou redução significativa da pressão arterial sistólica e diastólica no grupo que recebeu esteviosídeo. [5]
Por outro lado, nem todos os estudos produziram resultados semelhantes.
Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos encontrou redução da pressão arterial diastólica e da glicemia de jejum com alguns preparados de glicosídeos de esteviol, mas não encontrou diferença estatisticamente significativa para pressão sistólica quando todos os estudos foram combinados. Os autores também destacaram a heterogeneidade entre os trabalhos. [6]
Assim, a conclusão mais responsável é:
Há evidências clínicas de que o esteviosídeo pode apresentar efeito anti-hipertensivo, mas esse efeito não deve ser automaticamente atribuído a qualquer chá ou quantidade de folhas de estévia.
A estévia não substitui medicamentos anti-hipertensivos prescritos.
Possível relação com glicemia
Os glicosídeos de esteviol também são estudados em relação ao metabolismo da glicose.
Além da intensa doçura, sua principal vantagem alimentar é permitir a substituição parcial do açúcar, reduzindo a quantidade de sacarose utilizada em bebidas e preparações.
Alguns estudos experimentais e clínicos investigaram possíveis efeitos sobre glicemia e secreção de insulina. Entretanto, os resultados dependem do tipo de preparação, dose e população estudada.
Por isso, a utilização da estévia como adoçante não deve ser confundida com tratamento do diabetes.
Constituintes fitoquímicos
A composição química das folhas é bastante complexa.
Principais grupos encontrados
| Grupo de compostos | Exemplos | Interesse |
|---|---|---|
| Glicosídeos de esteviol | Esteviosídeo, rebaudiosídeo A | Intensa doçura e efeitos farmacológicos estudados |
| Outros glicosídeos de esteviol | Rebaudiosídeos B, C, D, F e outros | Contribuem para o perfil de sabor e atividade |
| Ácidos fenólicos | Ácido clorogênico, ácido cafeico | Atividade antioxidante |
| Flavonoides | Diversos flavonoides derivados | Atividade antioxidante |
| Diterpenos | Derivados do esteviol | Interesse farmacológico |
| Triterpenos | Diversos compostos minoritários | Atividade biológica estudada |
| Fitosteróis | Esteróis vegetais | Interesse nutricional |
| Fibras | Fração estrutural das folhas | Importância alimentar |
Os esteviosídeos e rebaudiosídeos são os compostos responsáveis pela característica mais conhecida da planta: sua extraordinária capacidade de adoçar.
A literatura química já descreveu mais de 30 glicosídeos de esteviol na espécie, embora esteviosídeo e rebaudiosídeo A sejam os mais conhecidos e estudados. [3]
Por que a estévia é tão doce?
A sacarose, presente no açúcar de mesa, é apenas uma entre muitas moléculas capazes de estimular os receptores de sabor doce.
Os glicosídeos de esteviol possuem uma estrutura química capaz de estimular intensamente esses receptores.
Por isso, pequenas quantidades podem produzir uma sensação de doçura muitas vezes superior à da sacarose.
Dependendo do composto e da preparação, os glicosídeos de esteviol podem apresentar dezenas a algumas centenas de vezes a doçura da sacarose. [3,7]
A desvantagem é que o sabor da folha não é simplesmente “açúcar”. Dependendo da variedade e concentração, pode apresentar notas amargas ou semelhantes ao alcaçuz, principalmente quando utilizada em quantidade elevada.
Toxicidade, segurança e cuidados
A estévia possui uma longa história de uso alimentar e, atualmente, os glicosídeos de esteviol purificados são utilizados como adoçantes em diversos países.
Avaliações toxicológicas realizadas por organismos regulatórios internacionais estabeleceram uma ingestão diária aceitável (IDA) de 4 mg/kg de peso corporal/dia, expressa como equivalentes de esteviol, para os glicosídeos de esteviol. [7]
É fundamental observar que essa referência se aplica aos glicosídeos de esteviol utilizados como aditivos alimentares, e não significa que uma pessoa deva calcular uma dose medicinal de folhas de estévia.
Atenção para quem utiliza medicamentos
Como existem estudos mostrando efeitos dos glicosídeos de esteviol sobre pressão arterial e metabolismo da glicose, é prudente ter cautela em pessoas que utilizam:
medicamentos anti-hipertensivos;
medicamentos para diabetes;
outros produtos ou suplementos com potencial para reduzir pressão ou glicemia.
A combinação pode, teoricamente, potencializar esses efeitos, embora as evidências de interações clínicas específicas ainda sejam limitadas.
Também é importante lembrar que extratos concentrados não são equivalentes às folhas utilizadas tradicionalmente como alimento.
Em caso de uso regular de medicamentos, especialmente para hipertensão ou diabetes, o consumo de extratos concentrados deve ser discutido com profissional de saúde.
Gestação e lactação
Apesar da utilização alimentar da estévia e dos dados de segurança disponíveis para os glicosídeos de esteviol aprovados como adoçantes, não é adequado recomendar doses medicinais ou extratos concentrados de folhas durante a gestação ou lactação sem orientação profissional.
Stevia como planta alimentar e PANC
As folhas de Stevia rebaudiana são comestíveis e podem ser utilizadas como ingrediente alimentar e edulcorante vegetal.
Nesse sentido, a planta pode ser incluída entre as espécies alimentícias pouco convencionais cultiváveis em hortas domésticas, especialmente quando se utiliza a folha diretamente como alimento ou tempero doce.
Entretanto, é importante fazer uma distinção:
o fato de uma planta ser comestível não significa que qualquer planta encontrada na natureza seja segura para consumo.
Para uso culinário, utilize plantas corretamente identificadas e provenientes de cultivo destinado à alimentação.
Não utilize folhas coletadas:
à beira de estradas;
próximas a lavouras que recebem agrotóxicos;
junto a locais de aplicação de herbicidas;
em terrenos contaminados;
próximos a esgoto, lixo ou águas poluídas;
em áreas onde não seja possível saber a procedência da planta.
Para consumo doméstico, o ideal é cultivar a própria estévia ou adquirir mudas e folhas de produtor confiável.
Informação nutricional das folhas
Além dos glicosídeos responsáveis pela doçura, as folhas apresentam proteínas, fibras, lipídios, minerais e compostos fenólicos.
Um estudo comparativo analisou folhas secas produzidas no Brasil, Paraguai e Polônia. Nas amostras brasileiras, os pesquisadores encontraram aproximadamente:
| Componente | Folhas secas brasileiras* |
|---|---|
| Proteínas | 15,5 g/100 g de matéria seca |
| Lipídios | 4,9 g/100 g de matéria seca |
| Carboidratos digestíveis | 55,0 g/100 g de matéria seca |
| Fibras alimentares | 14,1 g/100 g de matéria seca |
*Valores referentes às amostras avaliadas no estudo; a composição pode variar de acordo com variedade, solo, clima, manejo, estágio de desenvolvimento e processamento. [8]
Portanto, não é correto considerar a estévia simplesmente como uma planta “sem nutrientes”. O que acontece é que, na prática, a quantidade de folhas consumida como adoçante costuma ser pequena.
Seu maior interesse nutricional e nutracêutico está na combinação entre baixa utilização calórica como adoçante e presença de compostos bioativos.
Receita: chá de estévia com limão
Uma maneira simples de utilizar a planta é preparar uma bebida aromática e naturalmente doce.
Ingredientes
5 a 8 folhas frescas de estévia, bem higienizadas;
500 ml de água;
2 rodelas de limão ou algumas gotas de suco de limão;
folhas de hortelã, opcionalmente.
Preparo
Aqueça a água até próximo da fervura. Desligue o fogo e acrescente as folhas de estévia. Tampe e deixe em infusão por aproximadamente 5 a 10 minutos.
Coe e deixe amornar. Acrescente o limão no momento de servir.
Pode ser consumido quente ou refrigerado.
Dica: comece com poucas folhas. A estévia possui sabor muito intenso e, em excesso, pode deixar a bebida com sabor residual amargo.
Observação de segurança
Essa preparação é apresentada como uso alimentar tradicional, e não como tratamento de hipertensão, diabetes ou outra doença.
Outras formas culinárias de utilizar as folhas
As folhas podem ser utilizadas:
em chás e infusões;
para adoçar bebidas;
em água aromatizada;
em preparações culinárias que necessitem de pequena quantidade de doçura;
trituradas ou secas, em pequenas quantidades, em algumas receitas;
combinadas com frutas ácidas, como limão, maracujá e abacaxi.
As folhas secas podem ser trituradas e utilizadas como um adoçante vegetal caseiro, embora o controle da quantidade seja mais difícil do que com extratos padronizados.
Para receitas que exigem grande quantidade de açúcar não é possível simplesmente substituir o açúcar por folhas de estévia na mesma proporção. O açúcar também participa da textura, volume, caramelização e conservação dos alimentos.
Como cultivar estévia em casa
A estévia pode ser cultivada em jardins, vasos e hortas domésticas.
Clima
Prefere clima ameno a quente, boa luminosidade e disponibilidade regular de água.
O excesso de frio, especialmente geadas, pode prejudicar a parte aérea.
Em regiões de clima mais frio, o cultivo pode ser realizado em locais protegidos.
Luminosidade
A planta se desenvolve bem com bastante luminosidade. Em locais muito quentes e secos, alguma proteção contra o sol mais intenso da tarde pode ajudar a reduzir o estresse hídrico.
Solo
Prefere solos:
férteis;
bem drenados;
ricos em matéria orgânica;
sem encharcamento.
A drenagem é importante porque o excesso de água ao redor das raízes favorece problemas radiculares.
Rega
O solo deve permanecer levemente úmido, mas nunca permanentemente encharcado.
Durante períodos secos, a irrigação regular favorece o crescimento de folhas novas.
Propagação
A estévia pode ser propagada por sementes e por estacas.
A propagação vegetativa por estacas apresenta interesse especial para produção de mudas uniformes.
Pesquisas da Embrapa demonstraram que o enraizamento de estacas varia conforme a época do ano e o estado fisiológico da planta-mãe, com melhor desempenho em determinados períodos e condições de propagação. [9]
Para a horta doméstica, estacas de ramos jovens podem ser uma alternativa prática, mantendo a planta-mãe saudável e bem desenvolvida.
Quando colher as folhas?
As folhas podem ser colhidas à medida que a planta cresce.
Para utilização culinária doméstica, recomenda-se retirar folhas saudáveis e verdes, preferencialmente antes de a planta entrar em intensa floração, quando se busca maior produção vegetativa.
As folhas podem ser utilizadas frescas ou secas.
Para secagem, espalhe-as em local limpo, seco, ventilado e protegido da luz solar direta. Depois de completamente secas, devem ser armazenadas em recipiente limpo, seco e protegido da umidade.
Stevia na etnobotânica Guarani
A história da estévia não começa com a indústria dos adoçantes.
Muito antes de seu uso comercial, a planta fazia parte do conhecimento tradicional de povos indígenas da região onde ocorre naturalmente.
Os povos Guarani conhecem a espécie como ka'a he’ẽ, relacionando-a diretamente à sua característica doce.
Pesquisas interculturais realizadas com Paĩ Tavyterã, Kaiowá e Guarani, no Paraguai e no Mato Grosso do Sul, documentaram conhecimentos tradicionais relacionados ao uso, manejo e significado cultural da planta. O estudo demonstra que o conhecimento sobre a espécie envolve não apenas sua utilização como adoçante, mas também práticas de manejo, usos medicinais e aspectos relacionados à vida social e cultural. [10]
Esse aspecto é particularmente importante: quando falamos da estévia, não estamos falando apenas de uma matéria-prima para a indústria de adoçantes. Estamos também diante de uma planta ligada a conhecimentos tradicionais indígenas sul-americanos.
Da planta tradicional ao adoçante mundial
A transformação da estévia em produto comercial ocorreu principalmente a partir da investigação de seus compostos doces.
O interesse científico se concentrou nos glicosídeos de esteviol, moléculas capazes de produzir intensa sensação de doçura.
Hoje, esses compostos são utilizados em produtos alimentícios e bebidas como alternativa aos açúcares convencionais.
É justamente essa trajetória que torna a estévia um excelente exemplo de como uma planta tradicional pode atravessar diferentes contextos culturais: do conhecimento indígena para a pesquisa botânica, depois para a química de produtos naturais e, finalmente, para a indústria alimentícia global.
Stevia: planta medicinal ou adoçante?
As duas descrições podem aparecer na literatura, mas precisam ser utilizadas com cuidado.
A espécie possui histórico tradicional de uso medicinal e apresenta numerosos estudos experimentais sobre seus compostos.
Existem também estudos clínicos sobre determinados glicosídeos de esteviol, principalmente em relação à pressão arterial.
Entretanto, isso não significa que a estévia deva ser usada como medicamento caseiro para tratar hipertensão, diabetes ou outras doenças.
Uma forma mais segura de compreender a planta é:
como alimento e adoçante vegetal, a estévia possui uma utilização bem estabelecida; como planta medicinal, existem resultados promissores, especialmente para alguns glicosídeos de esteviol, mas ainda há questões sobre dose, preparação, população e resposta individual que justificam cautela.
O que a ciência realmente permite afirmar?
✔ Bem estabelecido
As folhas contêm glicosídeos de esteviol.
Esteviosídeo e rebaudiosídeo A estão entre os principais compostos responsáveis pela doçura.
A espécie possui compostos fenólicos e flavonoides.
Extratos das folhas apresentam atividade antioxidante em diversos modelos laboratoriais.
Glicosídeos de esteviol são utilizados como adoçantes de alta intensidade.
Existem estudos clínicos indicando efeito anti-hipertensivo do esteviosídeo em determinadas populações.
⚠ Ainda requer cautela
A quantidade de efeito obtida com chá de folhas.
O uso da folha como tratamento para hipertensão.
O uso da planta para tratar diabetes.
A extrapolação de resultados antioxidantes laboratoriais para prevenção de doenças.
O uso de extratos concentrados por conta própria.
A utilização terapêutica combinada com medicamentos.
Essa distinção é importante para manter uma comunicação responsável sobre plantas medicinais.
Curiosidades sobre a estévia
🌿 É uma planta nativa da América do Sul. Sua distribuição natural inclui o Brasil e o Paraguai.
🍃 As folhas são a parte mais utilizada. É nelas que se concentram os principais glicosídeos responsáveis pela doçura.
🍯 A doçura é extremamente intensa. Os glicosídeos de esteviol podem ser dezenas ou centenas de vezes mais doces que a sacarose, dependendo do composto analisado.
🧪 A química da planta é bastante complexa. Mais de 30 glicosídeos de esteviol já foram descritos na literatura.
🧬 A estévia não é apenas “esteviosídeo”. As folhas também possuem polifenóis, flavonoides, ácidos clorogênicos, fibras e outros constituintes.
🌎 O conhecimento tradicional precede o uso industrial. Povos Guarani utilizam a espécie há muito tempo.
🥤 A indústria aproveita principalmente os compostos doces. O adoçante comercial geralmente utiliza glicosídeos de esteviol extraídos e purificados, e não simplesmente folhas trituradas.
Conclusão
A estévia é um belo exemplo de planta em que botânica, etnobotânica, alimentação e ciência caminham juntas.
Stevia rebaudiana é uma espécie sul-americana, nativa também de áreas brasileiras, tradicionalmente conhecida pelos povos Guarani e atualmente cultivada em várias partes do mundo.
Suas folhas apresentam uma combinação singular de glicosídeos de esteviol, compostos fenólicos, flavonoides e ácidos clorogênicos.
A literatura científica demonstra uma expressiva atividade antioxidante dos extratos das folhas, principalmente relacionada aos polifenóis, e existem evidências clínicas de que o esteviosídeo pode contribuir para a redução da pressão arterial em determinadas pessoas com hipertensão.
Entretanto, é fundamental não transformar esses resultados em promessas terapêuticas exageradas. O chá feito em casa não deve ser equiparado a um extrato padronizado utilizado em estudos clínicos.
Como alimento, a estévia oferece uma alternativa interessante para reduzir o uso de açúcar, além de poder ser cultivada facilmente em uma horta doméstica.
E talvez uma das maiores riquezas dessa pequena planta seja justamente sua história: antes de chegar aos sachês de adoçante e às prateleiras dos supermercados, a “folha doce” já fazia parte dos conhecimentos e da cultura dos povos originários da América do Sul.
Referências científicas
1. Royal Botanic Gardens, Kew. Plants of the World Online – Stevia rebaudiana (Bertoni) Bertoni. Taxonomia, distribuição e sinonímia.
Plants of the World Online – Stevia rebaudiana
2. World Flora Online. Stevia rebaudiana Bertoni. Classificação taxonômica e sinonímia.
World Flora Online – Stevia rebaudiana
3. Wölwer-Rieck, U. The leaves of Stevia rebaudiana (Bertoni), their constituents and the analyses thereof: a review. Journal of Agricultural and Food Chemistry. 2012;60(4):886-895. DOI: 10.1021/jf2044907.
PubMed – revisão sobre composição das folhas de Stevia
4. Integration of Antioxidant Activity Assays Data of Stevia Leaf Extracts: A Systematic Review and Meta-Analysis. Antioxidants. 2024;13(6):692. DOI: 10.3390/antiox13060692.
PubMed – revisão sistemática e metanálise sobre atividade antioxidante
5. Hsieh, M.H. et al. A double-blind placebo-controlled study of the effectiveness and tolerability of oral stevioside in human hypertension. British Journal of Clinical Pharmacology. 2003;56(6):655-660.
PubMed – estudo clínico com esteviosídeo e hipertensão
6. Onakpoya, I.J.; Heneghan, C.J. Effect of the natural sweetener, steviol glycoside, on cardiovascular risk factors: a systematic review and meta-analysis of randomised clinical trials. European Journal of Preventive Cardiology. 2015. DOI: 10.1177/2047487314560663.
PubMed – revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos
7. European Food Safety Authority – EFSA. Safety evaluation of steviol glycosides and acceptable daily intake.
EFSA – segurança dos glicosídeos de esteviol
8. Comparative Assessment of the Basic Chemical Composition and Antioxidant Activity of Stevia rebaudiana Bertoni Dried Leaves, Grown in Poland, Paraguay and Brazil—Preliminary Results. Applied Sciences. 2021;11(8):3634.
Estudo comparativo da composição química das folhas de Stevia
9. Carvalho, M.A.M.; Zaidan, L.B.P. Propagation of Stevia rebaudiana from stem cuttings. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1995;30(2):201-206. DOI: 10.1590/S1678-3921.pab1995.v30.4293.
Embrapa – propagação de Stevia por estacas
10. Almeida, F.V.M.; Ortiz, M.G. Os conhecimentos tradicionais Paĩ Tavyterã, Kaiowá e Guarani sobre o ka’a he’ẽ (Stevia rebaudiana). Tellus. 2021;(44):371-406. DOI: 10.20435/tellus.vi44.764.
Tellus – conhecimentos tradicionais sobre ka'a he’ẽ
11. Fan, Y. et al. Polyphenols from Stevia rebaudiana (Bertoni) leaves and their functional properties. Journal of Food Science. 2020. DOI: 10.1111/1750-3841.15017.
PubMed – polifenóis das folhas de Stevia
12. Peteliuk, V. et al. Natural sweetener Stevia rebaudiana: Functionalities, health benefits and potential risks. EXCLI Journal. 2021;20:1412-1430. DOI: 10.17179/excli2021-4211.
PubMed – revisão sobre benefícios e riscos da Stevia
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| Stevia (Stevia rebaudiana) - Aspecto da planta florida - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 09-/2026 |
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| Stevia (Stevia rebaudiana) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 09-/2026 |
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| Stevia (Stevia rebaudiana) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 09-/2026 |
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| Stevia (Stevia rebaudiana) - Aspecto das folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 09-/2026 |
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| Stevia (Stevia rebaudiana) - Aspecto das folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 09-/2026 |





















