Conhecido como “alecrim-do-campo” ou “vassourinha”, o Baccharis dracunculifolia é um arbusto nativo do Brasil com importância ecológica, medicinal e econômica — especialmente por ser a planta-fonte da própolis verde brasileira, um dos produtos naturais mais estudados e valorizados do país.
🌿 Identificação botânica
Nome científico: Baccharis dracunculifolia DC.
Sinonímias relevantes: Baccharis bracteata Hook. & Arn.; Baccharis leptospermoides DC.; Baccharis paucidentata Sch.Bip. ex Baker; Conyza linearifolia Spreng.
Família: Asteraceae
🌼 Nomes populares
Alecrim-do-campo, vassourinha, vassoura-brasileira.
📚 Classificação botânica (APG IV)
Reino: Plantae
Clado: Angiospermas
Clado: Eudicotiledôneas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Gênero: Baccharis
Espécie: Baccharis dracunculifolia
🌿 Descrição botânica
O alecrim-do-campo é um arbusto de porte médio, que pode atingir entre 1 e 3 metros de altura em sua forma adulta. Suas folhas são simples, alternas e estreitas, com margens serrilhadas, conferindo uma aparência delicada, embora a planta seja de grande resistência. As inflorescências são pequenas e agrupadas em capítulos típicos da família das compostas, com tons que variam do verde-amarelado ao esbranquiçado.
Caracteriza-se por seu crescimento vigoroso em ambientes abertos, bordas de matas e áreas degradadas, além de ser bastante adaptável a solos pobres e solos bem drenados. Essa rusticidade ecológica contribui para sua ampla distribuição e utilização em projetos de restauração ambiental e paisagismo. (Centro Paula Souza)
🌎 Origem e distribuição (com foco no Brasil)
O Baccharis dracunculifolia é nativo da América do Sul, ocorrendo naturalmente no Brasil, Argentina, Bolívia e Uruguai. No Brasil, sua distribuição abrange especialmente o Sudeste, Sul e Centro-Oeste, em formações de cerrado, campos rupestres, capoeiras e áreas de vegetação secundária.
🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas
Na fitoterapia popular brasileira, o alecrim-do-campo é associado a propriedades medicinais que incluem atividades anti-inflamatória, antioxidante, hepatoprotetora e antimicrobiana. Extratos da planta têm sido tradicionalmente utilizados para suporte em processos inflamatórios modestos, equilíbrio do sistema imunológico e apoio funcional do fígado. Além disso, seu óleo essencial tem interesse na indústria de fragrâncias devido ao aroma característico. (Portal Unicamp)
É importante destacar que muitas dessas indicações derivam tanto de relatos etnomedicinais quanto de estudos pré-clínicos, e ainda faltam ensaios clínicos em humanos suficientemente robustos para validar aplicações terapêuticas específicos.
🧪 Constituintes fitoquímicos
O alecrim-do-campo apresenta diversos metabólitos secundários importantes, entre eles:
Compostos fenólicos e flavonoides
Ácidos fenólicos como p-cumárico e ferúlico
Derivados fenólicos como artepelin C
Terpenos e sesquiterpenos
Esses compostos contribuem para as atividades biológicas de extratos da planta e sua associação à própolis verde. (BDTD)
⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas
O uso tradicional de B. dracunculifolia não é geralmente associado a efeitos adversos graves quando administrado em doses moderadas. De forma segura, o consumo por meio de infusões ou preparados fitoterápicos deve ser orientado por profissional habilitado, considerando possíveis interações com medicamentos, especialmente para pessoas com condições de saúde específicas ou que façam uso de fármacos concomitantemente.
🍵 Modo de uso
O alecrim-do-campo pode ser utilizado tradicionalmente em forma de infusão de folhas e flores:
Infusão simples:
Coloque cerca de 1 a 2 colheres de chá de folhas e flores secas em uma xícara de água quente, deixe em infusão por 5–10 minutos, coe e consuma com orientação de especialista em fitoterapia.
⚠️ Não deixe de consultar um profissional de saúde antes de utilizar internamente.
🌱 Dicas de cultivo
O alecrim-do-campo é uma planta rústica que tolera solos secos e solos pobres, sendo ideal para:
Sol pleno
Solo bem drenado
Propagação por sementes ou estaquia
Regiões tropicais e subtropicais
Seu rápido crescimento e capacidade de colonizar áreas degradadas a tornam uma espécie útil em projetos de recuperação ecológica. (Centro Paula Souza)
🌟 Curiosidades e etnobotânica
Além de seu uso fitoterápico, o alecrim-do-campo tem grande importância cultural e econômica:
É uma espécie amplamente utilizada na apicultura para produção da própolis verde brasileira, um produto com reconhecimento internacional por suas propriedades biológicas. (ScienceDirect)
O nome popular “vassourinha” pode vir do uso tradicional de seus galhos em vassouras artesanais.
Além de valor medicinal, a planta desempenha papel ecológico em restauração de habitats degradados e na manutenção da biodiversidade. (Centro Paula Souza)
🍯 Própolis Verde – o “ouro verde” da apicultura brasileira
A própolis verde é um tipo de própolis produzido pelas abelhas (geralmente Apis mellifera) a partir das resinas coletadas principalmente no alecrim-do-campo. (ScienceDirect)
🌱 O que é e como se forma
As abelhas coletam resina vegetal nas folhas, brotos e hastes de B. dracunculifolia e a misturam com cera e enzimas salivares para formar a própolis — uma substância resinosa que as abelhas utilizam para vedar e proteger a colmeia. (PMC)
🧪 Principais componentes bioativos
O composto fenólico predominante na própolis verde é o artepelin C (3,5-diprenyl-4-hydroxycinnamic acid), um derivado do ácido cinâmico que tem sido estudado por:
Ação antioxidante
Anti-inflamatória
Antimicrobiana
Possíveis efeitos antitumorais (em modelos laboratoriais)
Modulação de processos celulares associados à inflamação e estresse oxidativo (Repositório Institucional UNESP)
Além do artepelin C, outros fenólicos como ácido cafeico, ferúlico e p-cumárico contribuem para o perfil biológico da própolis. (BDTD)
📚 Estudos e aplicações
Pesquisas com própolis verde e extratos padronizados indicam potencial antimicrobiano contra bactérias resistentes (como Staphylococcus aureus) e atividades antioxidantes importantes, o que justifica seu uso em produtos naturais e nutracêuticos. (PubMed)
Outros estudos sugerem que a própolis verde pode oferecer benefício em processos inflamatórios e no suporte antioxidante geral, embora ensaios clínicos em larga escala ainda sejam limitados.
🍯 Como obter extrato de própolis verde
Extrato alcoólico de própolis verde (uso tradicional):
Ingredientes:
50 g de própolis verde em pedaços
200 mL de álcool de cereais 70%
Modo de preparo:
Corte ou quebre a própolis em pequenos fragmentos.
Coloque em um frasco de vidro escuro.
Adicione o álcool de cereais, fechando bem.
Agite diariamente por 2 a 4 semanas.
Coe e conserve o extrato em frasco escuro.
⚠️ Uso: diluir em água, mel ou suco conforme orientação de profissional. A dosagem depende da padronização e da finalidade.
📚 Referências
Guimarães NSS et al. Baccharis dracunculifolia as main botanical source of Brazilian green propolis. Sci. Direct. 2012. (ScienceDirect)
Rodrigues DM. Baccharis dracunculifolia dissert; Univ. São Paulo. (Teses USP)
Matsuda AH & Almeida-Muradian LBD. Botanical origin and Artepillin-C content of Brazilian green propolis. Mol. 2020. (MDPI)
Carvalho C de et al. Evidence-Based studies of Brazilian green propolis. PMC. (PMC)
Sforcin JM. Baccharis dracunculifolia and green propolis research. Repositório Unesp. (Repositório Institucional UNESP)
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| Alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia DC.) Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 05/2026 |
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| Alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia DC.) Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 05/2026 |
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| Alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia DC.) Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 05/2026 |
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| Alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia DC.) Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 05/2026 |




































