🌱 Identificação botânica
Nome científico: Solanum lycocarpum A.St.-Hil.
Sinonímias botânicas: poucas sinonímias taxonômicas aceitas; espécie descrita por Auguste de Saint-Hilaire
Família: Solanaceae
🌼 Nomes populares
Fruta-do-lobo, lobeira, jurubebão, berinjela-do-campo, maçã-do-cerrado.
📚 Classificação botânica (APG IV)
Reino: Plantae
Clado: Angiospermas
Clado: Eudicotiledôneas
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Gênero: Solanum
Espécie: Solanum lycocarpum
🌿 Descrição botânica
A lobeira é um arbusto ou pequena árvore do Cerrado que pode atingir entre 2 e 5 metros de altura. Possui caule tortuoso, frequentemente com espinhos, e folhas grandes, recobertas por tricomas que dão aspecto aveludado.
As flores são vistosas, de coloração lilás-arroxeada com anteras amarelas, lembrando flores de berinjela ou tomate — plantas da mesma família botânica.
O fruto é grande, arredondado, com diâmetro que pode chegar a 15 cm, de coloração verde-amarelada mesmo quando maduro. A polpa é branca, aromática e contém muitas sementes. (Árvores Brasil)
Essa espécie é considerada pioneira e resistente, sendo comum em áreas abertas e degradadas do Cerrado.
🌎 Origem e distribuição no Brasil
A lobeira é nativa do Brasil, com ocorrência predominante no bioma Cerrado.
Pode ser encontrada em:
Goiás
Minas Gerais
Mato Grosso
Distrito Federal
São Paulo
Paraná
Bahia
Ela cresce em campos abertos, bordas de mata e áreas perturbadas, sendo considerada uma espécie importante na regeneração de ambientes degradados. (PANC do Cerrado)
🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas
Na medicina popular brasileira, diferentes partes da planta são utilizadas tradicionalmente para:
bronquite
verminoses
diabetes
problemas hepáticos
inflamações
doenças de pele
Estudos experimentais demonstraram atividade analgésica e anti-inflamatória em extratos do fruto. (Repositório da UFG)
Pesquisas também investigam potencial contra parasitas, inflamações e distúrbios metabólicos.
🧪 Constituintes fitoquímicos
Entre os principais compostos identificados na planta destacam-se:
alcaloides esteroidais
solamargina
solasonina
solasodina
flavonoides
taninos
compostos fenólicos
Esses alcaloides são considerados responsáveis por várias atividades biológicas observadas em estudos laboratoriais. (MDPI)
⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas
Como outras espécies do gênero Solanum, a lobeira pode conter glicoalcaloides, substâncias que em altas doses podem ser tóxicas.
Possíveis efeitos adversos incluem:
irritação gastrointestinal
náuseas
toxicidade celular em altas concentrações experimentais (Redalyc)
Devido a esses compostos, o uso medicinal deve ser feito com cautela e orientação especializada.
🌿 Modo de uso tradicional
Na medicina popular são relatados:
infusão das folhas
extrato ou farinha do fruto imaturo
uso tópico para problemas de pele
Em algumas regiões do Cerrado, o fruto verde seco é transformado em farinha utilizada em preparações tradicionais.
🌿 Uso como PANC
A lobeira também é considerada uma PANC – Planta Alimentícia Não Convencional, principalmente em comunidades tradicionais do Cerrado.
Usos culinários incluem:
molhos regionais
farinha do fruto verde
cozidos ou refogados após preparo adequado
O sabor do fruto maduro é levemente ácido e aromático.
🥗 Bromatologia
O fruto apresenta:
alto teor de água (aprox. 72%)
minerais como cálcio, ferro e magnésio
fibras
compostos bioativos antioxidantes (PANC do Cerrado)
Também possui amido que pode ser extraído e utilizado em alimentos ou aplicações tecnológicas. (Revista UEG)
🍲 Receita tradicional do Cerrado
Molho de Lobeira
Ingredientes
1 fruta de lobeira madura
1 cebola pequena
2 dentes de alho
azeite ou óleo
sal e pimenta a gosto
cheiro-verde
Modo de preparo
Corte a fruta ao meio e retire a polpa.
Refogue alho e cebola no azeite.
Acrescente a polpa da lobeira e cozinhe por cerca de 10 minutos.
Ajuste sal e temperos.
Finalize com cheiro-verde.
O molho é tradicionalmente servido com arroz, carnes ou pratos regionais.
🌱 Dicas de cultivo
☀️ pleno sol
🌱 solo bem drenado
🌧️ tolera períodos de seca
🌿 propagação por sementes
É uma planta rústica e resistente, ideal para projetos de restauração do Cerrado.
🐺 Curiosidades
A fruta é alimento fundamental do Chrysocyon brachyurus, o lobo-guará.
Pode compor até 50% da dieta desse animal em algumas regiões.
A planta ajuda na dispersão de sementes e manutenção da biodiversidade do Cerrado.
Por crescer em áreas degradadas, é considerada espécie importante na regeneração ambiental.
📚 Referências
Vieira Júnior, G. Avaliação da atividade antiinflamatória da fração alcaloídica do fruto de Solanum lycocarpum. Universidade Federal de Goiás. (Repositório da UFG)
Fernandes, A. et al. Physical, chemical and technological characteristics of Solanum lycocarpum fruit flour. Food Research International. (ScienceDirect)
Review of alkaloids from Solanum lycocarpum. Plants (MDPI). (MDPI)
Screening fitoquímico de Solanum lycocarpum. Acta Brasiliensis. (Acta Brasiliensis)
Dados botânicos e distribuição da espécie no Cerrado. (Árvores Brasil)
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| Fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum) - Corte do fruto verde - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 03/2026 |
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| Fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 03/2026 |
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| Fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum) - Ramo com fruto verde - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 03/2026 |
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| Fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum) - Ramo com frutos verde - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 03/2026 |
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| Fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 03/2026 |























