Atenção: esta planta não deve ser confundida com Uncaria tomentosa, conhecida internacionalmente como unha-de-gato e muito estudada na fitoterapia.
Identificação botânica
Nome científico: Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann
Família: Bignoniaceae
Sinonímia relevante:
A espécie possui uma longa história taxonômica e pode ser encontrada em obras antigas com outros nomes, especialmente:
Bignonia unguis-cati L.
Macfadyena unguis-cati (L.) A.H.Gentry
Doxantha unguis-cati (L.) Miers
Batocydia unguis-cati (L.) Mart. ex Britton & P.Wilson
O nome Macfadyena unguis-cati ainda aparece com frequência em publicações científicas e em livros de plantas medicinais.
Nomes populares
Entre os nomes populares registrados encontram-se:
unha-de-gato;
cipó-unha-de-gato;
unha-de-gato-trepadeira;
cat's claw creeper;
catclaw vine;
bejuco uñita.
Os nomes variam conforme a região e não devem ser utilizados como único critério para identificação medicinal.
Classificação botânica – APG IV
Reino: Plantae
Clado: Angiospermas
Clado: Eudicotiledôneas
Clado: Asterídeas
Ordem: Lamiales
Família: Bignoniaceae
Gênero: Dolichandra
Espécie: Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann
Descrição botânica
A unha-de-gato é uma trepadeira lenhosa e vigorosa, capaz de subir sobre árvores, cercas, muros e outras estruturas. Seus ramos podem se alongar consideravelmente e apresentam uma característica marcante: as gavinhas modificadas em estruturas curvadas semelhantes a pequenas garras, responsáveis pela fixação da planta.
As folhas são compostas, geralmente com folíolos e uma gavinha terminal. As flores são grandes, vistosas e de coloração predominantemente amarela, com formato tubular ou campanulado típico de muitas espécies da família Bignoniaceae.
Os frutos são cápsulas alongadas e, quando maduras, se abrem liberando numerosas sementes aladas. Essas sementes podem ser transportadas pelo vento, favorecendo a dispersão da espécie.
Além da reprodução por sementes, a planta apresenta grande capacidade de rebrotamento e crescimento vegetativo. Essa combinação ajuda a explicar seu comportamento extremamente vigoroso em ambientes favoráveis.
Origem e distribuição, com foco no Brasil
Dolichandra unguis-cati é uma espécie nativa das Américas, com distribuição natural desde regiões do México até áreas tropicais e subtropicais da América do Sul.
No Brasil, ocorre naturalmente em diferentes regiões do país e está associada a formações florestais e outros ambientes onde possa utilizar árvores ou estruturas como suporte.
Em alguns países e regiões fora de sua área de ocorrência natural, a espécie tornou-se conhecida como planta invasora. Seu crescimento rápido, a produção de sementes e a capacidade de formar massas vegetais densas podem permitir que ela cubra outras plantas e interfira na vegetação local.
Por isso, seu cultivo ornamental deve ser realizado com responsabilidade, especialmente próximo a áreas naturais.
Usos medicinais e indicações fitoterápicas
A unha-de-gato possui histórico de utilização na medicina popular. Registros etnobotânicos e literatura científica citam seu emprego tradicional para diferentes finalidades, incluindo processos inflamatórios, febre e algumas afecções respiratórias.
Também existem referências populares ao uso da planta em casos de reumatismo, dores, infecções e outras condições.
Entretanto, é importante estabelecer uma diferença fundamental entre uso tradicional e eficácia clinicamente comprovada.
O que a ciência permite afirmar?
Estudos laboratoriais e pré-clínicos demonstraram que extratos da espécie apresentam compostos com atividade antioxidante e outros efeitos biológicos de interesse farmacológico.
Também existem investigações sobre citotoxicidade e composição química. Esses resultados, porém, não significam que a planta seja um tratamento comprovado contra câncer, doenças inflamatórias ou infecções em seres humanos.
Até o momento, a evidência disponível não é suficiente para recomendar Dolichandra unguis-cati como substituta de tratamentos médicos convencionais.
Principais constituintes fitoquímicos
Estudos fitoquímicos realizados principalmente com folhas e partes aéreas identificaram diferentes grupos de substâncias, entre elas:
ácidos fenólicos;
flavonoides;
compostos derivados do ácido cafeico;
ácido clorogênico;
ácido isoclorogênico;
ácido cafeico;
quercitrina;
vicenina-2;
corymboside;
lupeol;
ácido ursólico;
β-sitosterol;
β-sitosterol-glicosídeo;
lapachol;
alantoína.
Também foram identificados compostos pertencentes ao grupo das saponinas em estudos realizados com raízes, incluindo glicosídeos derivados do ácido quinóvico.
A presença desses compostos ajuda a explicar o interesse científico pela espécie, mas não permite atribuir automaticamente uma indicação terapêutica a preparações caseiras.
Toxicidade e interações medicamentosas
A expressão “natural” não significa “isento de riscos”. Para Dolichandra unguis-cati, os estudos de segurança ainda são relativamente limitados.
Pesquisas experimentais com extratos hidroetanólicos das folhas avaliaram toxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade. Em determinadas condições laboratoriais, não foram observados efeitos genotóxicos ou mutagênicos significativos. Entretanto, foram identificados sinais de citotoxicidade em concentrações mais elevadas em alguns modelos celulares.
Isso demonstra a necessidade de cautela.
Recomendações de segurança
O uso medicinal deve ser evitado ou realizado somente com orientação profissional em situações como:
gestação;
amamentação;
infância;
doença hepática;
doença renal;
uso de vários medicamentos;
tratamento oncológico;
doenças autoimunes ou condições clínicas complexas.
Interações medicamentosas
Não existem dados clínicos suficientes para estabelecer uma lista segura e completa de interações medicamentosas específicas.
Por esse motivo, pessoas que utilizam medicamentos contínuos — especialmente anticoagulantes, anti-hipertensivos, antidiabéticos, anti-inflamatórios, imunossupressores ou medicamentos para câncer — devem evitar a automedicação com a planta.
Também não existe uma dose terapêutica padronizada e clinicamente validada para preparações caseiras de Dolichandra unguis-cati.
Modo de uso tradicional
Em diferentes tradições populares, folhas e caules são empregados na forma de:
infusão;
decocção;
preparações aquosas;
uso externo de folhas maceradas.
Em levantamentos etnobotânicos, infusões ou decocções de folhas e caules foram registradas para usos tradicionais diversos.
Contudo, a existência de um uso popular não equivale à comprovação de segurança e eficácia. Como não há uma posologia clínica bem estabelecida para a espécie, não é recomendável definir doses caseiras como tratamento de doenças.
Para uso externo tradicional, a planta também deve ser corretamente identificada e preparada em condições de higiene. Feridas extensas, profundas, infectadas ou que não cicatrizam adequadamente devem ser avaliadas por profissionais de saúde.
Informações seguras e responsáveis
Um dos maiores problemas relacionados às plantas medicinais é a identificação incorreta.
No caso da unha-de-gato, o risco é ainda maior porque o mesmo nome popular é aplicado a diferentes espécies. A famosa Uncaria tomentosa, por exemplo, pertence à família Rubiaceae e possui composição química, tradição medicinal e estudos farmacológicos diferentes.
Portanto:
utilize sempre o nome científico;
não faça substituições baseadas apenas no nome popular;
não use plantas coletadas à beira de estradas;
evite plantas expostas a agrotóxicos, esgoto ou outras fontes de contaminação;
não utilize plantas ornamentais desconhecidas como alimento ou medicamento;
prefira material vegetal corretamente identificado.
Uso no paisagismo como ornamental
A unha-de-gato possui grande potencial ornamental graças às flores amarelas vistosas e ao hábito trepador. Pode ser utilizada para revestir:
pergolados;
caramanchões;
cercas;
grades;
estruturas de jardim.
Seu crescimento vigoroso permite a rápida cobertura de estruturas, produzindo um efeito visual interessante.
Por outro lado, essa mesma característica exige manejo. A planta pode crescer intensamente sobre árvores e arbustos, sombreando outras espécies e aumentando o peso sobre seus suportes.
Assim, não é recomendável plantá-la indiscriminadamente próxima à vegetação nativa ou permitir que se espalhe sem controle.
Dicas de cultivo
Luz
A unha-de-gato desenvolve-se melhor em locais com boa luminosidade. Pode ser cultivada a pleno sol ou em situações de luminosidade intensa, dependendo das condições climáticas locais.
Solo
Prefere solos com boa drenagem e disponibilidade de matéria orgânica. Uma vez estabelecida, é uma planta relativamente vigorosa e tolerante.
Rega
Durante o período de implantação, a irrigação regular favorece o desenvolvimento. Após o estabelecimento, a necessidade de água pode diminuir, dependendo do clima e do solo.
Propagação
A espécie pode ser propagada principalmente por sementes. O cultivo deve ser acompanhado para evitar a dispersão indesejada.
Podas
Podas periódicas são importantes para:
controlar o crescimento;
evitar o sufocamento de outras plantas;
manter a forma desejada;
impedir que a trepadeira avance sobre estruturas inadequadas.
Curiosidades
1. Uma “garra” que ajuda a planta a escalar
O nome popular unha-de-gato está diretamente relacionado às estruturas curvas presentes nas gavinhas, que funcionam como pequenas garras e ajudam a trepadeira a se fixar.
2. Não confunda as duas “unhas-de-gato”
A espécie apresentada neste artigo é Dolichandra unguis-cati, da família Bignoniaceae.
Já a unha-de-gato mais conhecida comercialmente na fitoterapia é frequentemente Uncaria tomentosa, pertencente à família Rubiaceae.
São plantas diferentes.
3. Uma trepadeira bonita, mas que precisa de controle
Em determinadas regiões do mundo, Dolichandra unguis-cati é considerada uma espécie invasora. Seu vigor vegetativo demonstra como uma planta ornamental pode se tornar problemática quando cultivada sem manejo adequado.
4. A ciência ainda está investigando seu potencial medicinal
A composição química da planta desperta interesse científico, especialmente pela presença de compostos fenólicos, flavonoides e triterpenos. Entretanto, ainda existe uma distância importante entre resultados laboratoriais e recomendações terapêuticas para seres humanos.
Referências científicas
FONSECA, L. H. M.; CABRAL, S. M.; AGRA, M. F.; LOHMANN, L. G. Taxonomic Revision of Dolichandra (Bignonieae, Bignoniaceae). Phytotaxa, v. 301, n. 1, p. 1–70, 2017.
Plants of the World Online – Royal Botanic Gardens, Kew. Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann. Base taxonômica internacional.
Flora e Funga do Brasil – Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann.
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FERRARI, F.; KIYAN DE CORNELIO, I.; DELLE MONACHE, F.; MARINI BETTOLO, G. Quinovic acid glycosides from roots of Macfadyena unguis-cati. Planta Medica, 43(1), 24–27, 1981.
ZHENG, Y. et al. Cytotoxic and antioxidant activities of Macfadyena unguis-cati aerial parts and bioguided isolation of the antitumor active components. Journal of Ethnopharmacology, 2017.
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| Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026 |
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| Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Indivíduo adulto em florescimento apoiando-se em hospedeiro (crescimento epifítico) - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026 |
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| Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026 |
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| Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Ramo com Inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026 |























