terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Paineira (Ceiba speciosa): árvore ornamental, medicinal e estratégica na sucessão ecológica

A paineira (Ceiba speciosa) é uma árvore nativa de flores exuberantes e tronco espinhoso. Além do valor ornamental, desempenha papel importante na sucessão ecológica e na recuperação de áreas degradadas. Suas sementes são dispersas pelo vento envoltas na paina sedosa. Partes da planta podem ser usadas tradicionalmente na medicina popular e como PANC. Uma espécie que une beleza, ecologia e biodiversidade 🌸🌳✨


🌿 Identificação botânica

  • Nome científico: Ceiba speciosa (A.St.-Hil.) Ravenna

  • Sinonímia botânica: Chorisia speciosa A.St.-Hil.

  • Família botânica: Malvaceae (subfamília Bombacoideae)


🌺 Nomes populares

Paineira-rosa, barriguda, paineira-de-espinho, árvore-da-seda, paina-de-seda.


📚 Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Ordem: Malvales

  • Família: Malvaceae

  • Subfamília: Bombacoideae

  • Gênero: Ceiba

  • Espécie: Ceiba speciosa


🌳 Descrição botânica

A paineira é uma árvore caducifólia de grande porte, podendo atingir entre 10 e 25 metros de altura. Seu tronco é caracteristicamente dilatado na região mediana, formando aspecto “barrigudo”, frequentemente coberto por acúleos cônicos. Essa dilatação atua como reserva hídrica, favorecendo sua sobrevivência em períodos secos.

As folhas são compostas, palmadas, com cinco a sete folíolos. As flores são grandes, vistosas, rosadas a róseas com centro esbranquiçado e manchas avermelhadas, altamente atrativas para polinizadores como abelhas, beija-flores e insetos diversos.

O fruto é uma cápsula lenhosa que, ao amadurecer, se abre liberando numerosas sementes envoltas por fibras sedosas conhecidas como paina.

🌬️ Forma de dispersão

A dispersão ocorre principalmente pelo vento (anemocoria). As fibras leves facilitam o transporte das sementes a longas distâncias, ampliando sua capacidade de colonização de áreas abertas.


🌱 Importância na sucessão ecológica

A paineira é considerada espécie secundária inicial a secundária tardia, dependendo das condições ambientais. Atua como:

  • Espécie estruturante na regeneração florestal

  • Fornecedora de néctar e pólen

  • Abrigo e alimento para fauna

  • Contribuinte para formação de dossel em áreas em recuperação

Seu rápido crescimento inicial favorece a recomposição de áreas degradadas.


🌎 Origem e distribuição no Brasil

Espécie nativa da América do Sul, ocorre naturalmente no Brasil nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, especialmente nos biomas:

  • Mata Atlântica

  • Cerrado

  • Florestas estacionais

É amplamente cultivada em áreas urbanas e rurais.


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Na medicina tradicional, partes da paineira são utilizadas para:

  • Inflamações leves

  • Distúrbios digestivos

  • Tosse e irritações respiratórias

  • Auxílio em processos febris

O uso é menos difundido que o de outras espécies medicinais, sendo mais registrado em práticas populares regionais.


🧪 Constituintes fitoquímicos

Estudos indicam presença de:

  • Flavonoides

  • Compostos fenólicos

  • Mucilagens

  • Taninos

  • Saponinas

  • Ácidos graxos nas sementes

As mucilagens estão associadas ao efeito suavizante em mucosas.


⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas

Não há registros significativos de toxicidade quando utilizada de forma tradicional e moderada.
Recomenda-se cautela em:

  • Gestantes

  • Lactantes

  • Uso concomitante com medicamentos anti-inflamatórios

O consumo alimentar deve priorizar partes jovens e preparo adequado.


🍵 Modo de uso tradicional

  • Infusão da casca ou folhas: para uso leve digestivo

  • Uso tópico: preparações caseiras para inflamações superficiais

Sempre sob orientação adequada.


🌿 Uso como PANC

Partes comestíveis:

  • 🌱 Folhas jovens (refogadas)

  • 🌸 Flores (empanadas ou em saladas)

  • 🌰 Sementes (tostadas)

O sabor é suave, levemente adstringente nas folhas.


🥗 Bromatologia

Análises indicam:

  • Fibras alimentares

  • Proteínas vegetais

  • Óleos vegetais nas sementes

  • Compostos antioxidantes

  • Minerais como cálcio e magnésio

As sementes apresentam teor lipídico relevante.


🌺 Árvore ornamental e paisagística

A paineira é amplamente utilizada em:

  • Arborização urbana

  • Praças e parques

  • Projetos paisagísticos de grande porte

Sua floração exuberante e tronco escultórico conferem alto valor estético.


🌳 Uso na reconstituição florestal

  • Recuperação de áreas degradadas

  • Aumento da biodiversidade

  • Fornecimento de recursos para fauna

  • Estabilização ecológica inicial

É estratégica em projetos de restauração da Mata Atlântica.


🌱 Dicas de cultivo

  • Clima: tropical e subtropical

  • Solo: bem drenado

  • Luz: pleno sol

  • Propagação: sementes

  • Crescimento relativamente rápido

  • Necessita espaço devido ao porte


✨ Curiosidades

  • A paina já foi usada como enchimento de travesseiros

  • O tronco armazena água

  • Perde as folhas antes da floração

  • Muito visitada por beija-flores

  • Símbolo paisagístico de várias cidades brasileiras


📚 Referências

  1. Lorenzi, H. Árvores Brasileiras. Instituto Plantarum.

  2. Flora do Brasil 2020 – Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

  3. Carvalho, P. E. R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa.

  4. Kageyama, P. Y. et al. Restauração ecológica no Brasil.


Paineira (Ceiba speciosa) - Ramo com folhas e flores - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 02/26

Paineira (Ceiba speciosa) - Ramo aspecto das flores - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 02/26

Paineira (Ceiba speciosa) - Aspecto da árvore florida - Foto: José Carlos Bueno - Santa Rita de Caldas - 02/26



domingo, 15 de fevereiro de 2026

Picão-preto (Bidens pilosa L.): planta medicinal, PANC nutritiva e aliada do fígado

O picão-preto (Bidens pilosa) é muito mais que uma planta espontânea. Tradicionalmente usado como hepatoprotetor e anti-inflamatório, também é uma PANC nutritiva rica em minerais e antioxidantes. Suas folhas jovens podem ser consumidas refogadas ou em sopas. Rústico e fácil de cultivar, cresce em quase todo o Brasil. Um verdadeiro exemplo de como a natureza transforma o “mato” em alimento e medicina 🌿✨



🌱 Identificação botânica

  • Nome científico: Bidens pilosa L.

  • Sinonímias botânicas: Bidens leucantha Willd.; Bidens pilosa var. radiata (Sch.Bip.) Sherff

  • Família botânica: Asteraceae

Nomes populares

Picão-preto, carrapicho, carrapicho-de-agulha, amor-de-mulher, erva-picão, coentrão-do-mato, spanish needle (inglês).


📚 Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Ordem: Asterales

  • Família: Asteraceae

  • Gênero: Bidens

  • Espécie: Bidens pilosa L.


🌼 Descrição botânica

O picão-preto é uma planta herbácea anual, ereta, que pode atingir de 30 cm a 1,5 metro de altura. Possui caule ramificado, folhas opostas, pecioladas, com margens serrilhadas e formato variável (geralmente trilobadas). As inflorescências são capítulos típicos da família Asteraceae, com flores centrais amarelas e, em algumas variedades, pequenas lígulas brancas periféricas. Seus frutos são aquênios alongados, escuros, com duas a quatro aristas que aderem facilmente a roupas e pelos de animais, favorecendo sua ampla dispersão.


🌎 Origem e distribuição no Brasil

Originário das regiões tropicais da América, o picão-preto encontra-se amplamente distribuído em todo o território brasileiro, sendo comum em áreas urbanas, lavouras, quintais, terrenos baldios e sistemas agroecológicos. É considerado planta espontânea de grande rusticidade e adaptação.


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Tradicionalmente, o picão-preto é utilizado como:

  • Hepatoprotetor

  • Anti-inflamatório

  • Antioxidante

  • Antimicrobiano

  • Antidiabético auxiliar

  • Imunomodulador

Indicações populares:

  • Icterícia

  • Hepatites leves

  • Distúrbios digestivos

  • Inflamações urinárias

  • Processos inflamatórios gerais

  • Apoio no controle glicêmico

Estudos científicos apontam potencial atividade hepatoprotetora e anti-inflamatória relevante.


🧪 Constituintes fitoquímicos

O picão-preto apresenta ampla diversidade de compostos bioativos:

  • Flavonoides (quercetina, luteolina)

  • Poliacetilenos

  • Fenilpropanoides

  • Ácidos fenólicos

  • Taninos

  • Fitosteróis

  • Saponinas

  • Compostos antioxidantes

Esses metabólitos secundários estão associados às atividades hepatoprotetora, anti-inflamatória e antimicrobiana.


⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas

O uso tradicional é considerado seguro em doses moderadas.
Cuidados:

  • Pode potencializar efeito de medicamentos antidiabéticos

  • Uso prolongado deve ser acompanhado por profissional

  • Gestantes e lactantes devem utilizar sob orientação

Não há registros significativos de toxicidade grave quando usado adequadamente.


🍵 Modo de uso tradicional

🔸 Infusão

1 colher de sopa da planta fresca ou seca para 1 xícara de água quente.
Tomar até 2 vezes ao dia.

🔸 Decocção

Utilizada em casos hepáticos, conforme tradição popular.

🔸 Uso externo

Compressas para inflamações leves.


🌿 Uso como PANC (Planta Alimentícia Não Convencional)

O picão-preto é consumido como alimento em diversas culturas.

Partes comestíveis:

  • Folhas jovens

  • Brotos tenros

Pode ser preparado:

  • Refogado

  • Em sopas

  • Em omeletes

  • Em sucos verdes

O sabor é levemente amargo, semelhante ao da serralha.


🥗 Bromatologia

Análises bromatológicas indicam que a planta contém:

  • Proteínas vegetais

  • Fibras alimentares

  • Minerais (cálcio, ferro, magnésio)

  • Compostos antioxidantes

  • Vitaminas do complexo B

Apresenta potencial nutricional significativo, especialmente em sistemas alimentares tradicionais e agroecológicos.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Vetiver (Chrysopogon zizanioides): planta medicinal, óleo essencial e aliada no controle da erosão

O vetiver (Chrysopogon zizanioides) é uma gramínea medicinal famosa por suas raízes profundas e aromáticas. Seu óleo essencial é usado para acalmar a mente, aliviar o estresse e promover equilíbrio emocional. Além disso, é uma das melhores plantas do mundo para controle da erosão do solo. Rústico, sustentável e de grande valor ecológico e industrial, o vetiver une medicina natural, aromaterapia e conservação ambiental 🌱🌍✨


🌿 Identificação botânica

  • Nome científico: Chrysopogon zizanioides (L.) Roberty

  • Sinonímia botânica: Vetiveria zizanioides (L.) Nash

  • Família botânica: Poaceae

Nomes populares

Vetiver, capim-vetiver, vetivéria, khus (Índia), capim-cheiroso, vetiver-grass.


📚 Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Monocotiledôneas

  • Ordem: Poales

  • Família: Poaceae

  • Subfamília: Panicoideae

  • Gênero: Chrysopogon

  • Espécie: Chrysopogon zizanioides (L.) Roberty


🌱 Descrição botânica

O vetiver é uma gramínea perene, robusta e cespitosa, formando touceiras densas que podem atingir entre 1,5 e 2 metros de altura. Suas folhas são longas, estreitas, rígidas e arqueadas, com coloração verde intensa. A inflorescência é uma panícula ereta, discreta, típica das gramíneas, com pequenas espiguetas. O grande destaque da planta está em seu sistema radicular extremamente profundo e vertical, podendo ultrapassar 3 metros de profundidade, formando uma verdadeira “cortina viva” no solo. Essas raízes são aromáticas e ricas em óleo essencial, responsáveis pelos principais usos medicinais, industriais e ambientais da espécie.


🌍 Origem e distribuição no Brasil

Originário do sul da Ásia, especialmente da Índia, o vetiver foi amplamente disseminado em regiões tropicais e subtropicais do mundo. No Brasil, é cultivado em diversos estados, sobretudo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul, sendo utilizado tanto em projetos agrícolas e ambientais quanto para produção de óleo essencial.


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Na medicina tradicional e na aromaterapia, o vetiver é valorizado principalmente por suas raízes, com indicações para:

  • Ansiedade e estresse

  • Insônia e agitação mental

  • Fadiga nervosa

  • Distúrbios emocionais

  • Apoio em estados de exaustão física e mental

É considerado um tônico do sistema nervoso, com efeito calmante, estabilizador e aterrador (grounding).


🧪 Constituintes fitoquímicos

O óleo essencial de vetiver é complexo, contendo mais de 100 compostos, entre eles:

Esses compostos estão associados às propriedades calmantes, anti-inflamatórias, antioxidantes e fixadoras do aroma.


⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas

O vetiver apresenta baixa toxicidade, sendo considerado seguro quando utilizado corretamente, especialmente na forma de óleo essencial diluído.
Cuidados recomendados:

  • Evitar uso interno do óleo essencial

  • Uso tópico sempre diluído

  • Gestantes, lactantes e pessoas em tratamento psiquiátrico devem consultar profissional habilitado antes do uso
    Não há relatos significativos de interações medicamentosas graves, mas recomenda-se cautela em associação com sedativos.


🍵 Modo de uso tradicional

  • Infusão das raízes secas: usada tradicionalmente como calmante leve

  • Aromaterapia: óleo essencial em difusores ambientais

  • Uso externo: em óleos de massagem para relaxamento profundo


🌱 Uso como planta para contenção de erosão

O vetiver é reconhecido mundialmente por sua eficiência no controle da erosão do solo, sendo utilizado em:

  • Taludes

  • Encostas

  • Margens de rios

  • Áreas agrícolas

Suas raízes profundas estabilizam o solo, reduzem o escoamento superficial e aumentam a infiltração de água, sem comportamento invasor agressivo.


🧴 Uso como planta produtora de óleo essencial

O óleo essencial é extraído das raízes por destilação a vapor.

Principais usos:

  • Doméstico: aromaterapia, perfumes naturais, sabonetes, óleos corporais

  • Industrial: perfumaria fina, cosméticos, fixador de fragrâncias, indústria farmacêutica

O aroma é profundo, terroso, amadeirado e persistente, sendo um dos principais fixadores naturais da perfumaria.

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🌾 Dicas de cultivo

  • Clima: tropical e subtropical

  • Solo: tolera solos pobres, compactados e degradados

  • Luz: pleno sol

  • Propagação: divisão de touceiras

  • Manutenção: baixa exigência hídrica após estabelecimento

Ideal para sistemas agroecológicos e recuperação ambiental.


🌟 Curiosidades

  • Conhecido como “óleo da tranquilidade”

  • Utilizado há séculos na medicina ayurvédica

  • Não se espalha por sementes viáveis (cultivares estéreis)

  • Amplamente usado pela FAO em projetos ambientais

  • Aroma melhora com o envelhecimento do óleo


📚 Referências

  1. Lorenzi, H. Plantas Medicinais no Brasil. Instituto Plantarum, 2008.

  2. Khare, C. P. Indian Medicinal Plants. Springer, New Delhi, 2007.

  3. Lavania, U. C. Vetiveria zizanioides: A multipurpose grass. Current Science, Índia, 2003.

  4. FAO – Vetiver System for Soil and Water Conservation.


Vetiver (Chrysopogon zizanioides) - Raízes pronta para extração do óleo essencial - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026 - Projeto Mandala

Vetiver (Chrysopogon zizanioides) - Aspecto da planta - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026 - Projeto Mandala


Vetiver (Chrysopogon zizanioides) - Aspecto da planta - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026 - Projeto Mandala

Vetiver (Chrysopogon zizanioides) - Aspecto da planta - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026 - Projeto Mandala



🌿 Vetiver (Chrysopogon zizanioides)

na Aromaterapia

O óleo essencial do aterramento, estabilidade e tranquilidade profunda


🌱 Origem do óleo essencial

O óleo essencial de vetiver é extraído exclusivamente das raízes da planta por destilação a vapor. Trata-se de um óleo denso, de coloração âmbar a marrom-escura, com aroma terroso, amadeirado, profundo e persistente, considerado um dos melhores fixadores naturais da perfumaria.


🧪 Principais constituintes aromáticos

O óleo essencial de vetiver apresenta composição complexa, com destaque para:

  • Vetiverol

  • Vetiverona

  • Khusimol

  • Isovalencenol

  • β-vetiveneno

  • Sesquiterpenos oxigenados

Essa riqueza química confere ao óleo propriedades calmantes, estabilizadoras, anti-inflamatórias e neuroprotetoras.


🧠 Ação energética e psicoemocional

Na aromaterapia, o vetiver é conhecido como o óleo do aterramento (grounding).

Atua especialmente em:

  • Ansiedade intensa

  • Agitação mental

  • Insônia por excesso de pensamentos

  • Estresse crônico

  • Exaustão emocional

  • Estados de dissociação, medo ou insegurança

É indicado para pessoas que se sentem “desconectadas”, dispersas ou sobrecarregadas emocionalmente.


🧘‍♀️ Propriedades terapêuticas reconhecidas

  • Calmante profundo do sistema nervoso

  • Sedativo suave

  • Ansiolítico natural

  • Tônico nervoso

  • Regulador emocional

  • Auxiliar em quadros de fadiga e burnout

  • Apoio em práticas meditativas e terapias corporais


🌬️ Formas de uso em Aromaterapia

🔸 Difusão ambiental

  • 2 a 4 gotas em difusor ultrassônico

  • Ideal para ambientes de descanso, terapia ou meditação

  • Promove sensação de segurança, silêncio interno e relaxamento profundo

🔸 Uso tópico (sempre diluído)

  • Diluir a 1% a 2% em óleo vegetal

  • Aplicar em:

    • Solas dos pés

    • Região lombar

    • Pulsos

    • Base da coluna

Excelente para massagens terapêuticas e relaxantes.

🔸 Inalação pessoal

  • 1 gota em colar aromático ou lenço

  • Útil em momentos de ansiedade súbita ou instabilidade emocional


🧴 Sinergias aromáticas recomendadas

O vetiver harmoniza muito bem com:

  • Lavanda (Lavandula angustifolia) – ansiedade e insônia

  • Laranja-doce (Citrus sinensis) – tristeza e tensão emocional

  • Cedro (Cedrus atlantica) – estabilidade emocional

  • Patchouli (Pogostemon cablin) – aterramento e depressão

  • Bergamota (Citrus bergamia) – equilíbrio emocional


⚠️ Segurança e contraindicações

  • Óleo essencial não indicado para uso interno

  • Usar sempre diluído

  • Pode ser muito intenso para algumas pessoas — iniciar com baixas doses

  • Gestantes, lactantes e crianças devem usar somente com orientação profissional

  • Não há relatos significativos de fototoxicidade


🌙 Uso tradicional e espiritual

Historicamente, o vetiver é utilizado:

  • Em rituais de purificação e proteção

  • Para promover enraizamento energético

  • Em práticas meditativas e espirituais no Oriente

Na Índia, é considerado uma planta que “acalma o fogo da mente”.


🌟 Curiosidades aromáticas

  • Aroma melhora com o envelhecimento do óleo

  • Muito usado como nota base em perfumes de luxo

  • Um dos óleos mais utilizados por terapeutas corporais

  • Excelente para pessoas hiperativas ou muito mentais


📌 Resumo terapêutico rápido

Vetiver é o óleo essencial da estabilidade.
Quando a mente acelera, ele desacelera.
Quando a ansiedade dispersa, ele enraíza.
Quando o corpo cansa, ele sustenta.




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Calabura (Muntingia calabura L.): usos medicinais, alimento natural e árvore amiga da avifauna

A calabura (Muntingia calabura), também chamada de mutinga ou cereja-do-mato, é uma árvore tropical de frutos doces e comestíveis. Muito usada na medicina popular, possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Além de alimento, é excelente para atrair pássaros e polinizadores, sendo comum em quintais e áreas urbanas. Rústica e de fácil cultivo, requer manejo consciente por seu potencial invasor. Uma planta que une ecologia, alimentação e saber tradicional 🌿🍒🐦





🌿 Identificação botânica

  • Nome científico: Muntingia calabura L.

  • Sinonímia botânica: Muntingia calabura var. typica

  • Família botânica: Muntingiaceae

Nomes populares

Calabura, mutinga, cereja-de-jamaica, cereja-do-mato, capulin-branco, pau-de-seda, strawberry tree (ingl.).


📚 Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Ordem: Malvales

  • Família: Muntingiaceae

  • Gênero: Muntingia

  • Espécie: Muntingia calabura L.


🌳 Descrição botânica

Árvore de pequeno a médio porte, alcançando entre 6 e 12 metros de altura, com copa ampla e ramificação aberta. O tronco é de casca fina, pardo-acinzentada e levemente fissurada. As folhas são simples, alternas, alongadas, de margem serrilhada, com face superior verde-escura e inferior pubescente. As flores são solitárias, pequenas, brancas, com cinco pétalas delicadas e numerosos estames amarelos, muito visitadas por insetos. Os frutos são globosos, pequenos, de coloração vermelha quando maduros, suculentos e doces, contendo numerosas sementes diminutas. A frutificação ocorre praticamente o ano todo em regiões tropicais.


🌎 Origem e distribuição no Brasil

Originária da América Central e Caribe, a calabura foi amplamente introduzida em regiões tropicais do mundo. No Brasil, encontra-se naturalizada em praticamente todos os estados, especialmente nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, crescendo em áreas urbanas, quintais, beiras de estrada e sistemas agroflorestais.


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Na medicina popular, diferentes partes da planta são utilizadas:

  • Folhas: usadas em infusões com ação anti-inflamatória, analgésica leve e antisséptica.

  • Casca: empregada tradicionalmente em decocções para dor e inflamações.

  • Flores: utilizadas como calmante suave.

É citada em etnobotânica como auxiliar em casos de:

  • Dor de cabeça

  • Processos inflamatórios leves

  • Febre

  • Distúrbios respiratórios brandos


🧪 Constituintes fitoquímicos

Estudos fitoquímicos identificam na Muntingia calabura:

  • Flavonoides (quercetina, kaempferol)

  • Compostos fenólicos

  • Taninos

  • Saponinas

  • Triterpenos

  • Alcaloides em baixas concentrações

Esses compostos estão associados às atividades antioxidante, anti-inflamatória e analgésica descritas.


⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas

Não há registros consistentes de toxicidade grave associada ao consumo tradicional dos frutos maduros. O uso medicinal das folhas deve ser moderado, evitando-se uso contínuo e em altas doses.
Gestantes, lactantes e pessoas em uso de medicamentos anti-inflamatórios ou anticoagulantes devem buscar orientação profissional antes do uso fitoterápico.


🍵 Modo de uso tradicional

  • Infusão das folhas: 1 colher de sopa para 1 xícara de água quente, até 2 vezes ao dia.

  • Decocção da casca: uso pontual, tradicional, não contínuo.

  • Fruto in natura: consumo direto, fresco.


🍒 Uso como fruta alimentar

Os frutos são doces, aromáticos e comestíveis, consumidos:

  • In natura

  • Em geleias, sucos e doces caseiros

  • Como lanche natural por crianças e adultos

É considerada uma fruta subutilizada, mas de alto potencial nutricional e cultural.


🐦 Uso como planta atrativa de avifauna

A calabura é famosa por atrair:

  • Pássaros frugívoros

  • Morcegos

  • Abelhas e outros polinizadores

É amplamente utilizada em projetos de recuperação ambiental, quintais agroecológicos e paisagismo ecológico.


⚠️ Potencial como espécie invasora

Por sua rápida germinação, crescimento acelerado e ampla dispersão das sementes por aves, a calabura pode apresentar comportamento invasor em alguns ecossistemas. Recomenda-se manejo consciente, evitando introdução em áreas naturais sensíveis.


🌱 Dicas de cultivo

  • Clima: tropical e subtropical

  • Solo: bem drenado, pobre a médio em nutrientes

  • Luz: pleno sol

  • Propagação: sementes (alta taxa de germinação)

  • Manutenção: rústica, resistente à seca e baixa exigência de manejo


✨ Curiosidades

  • Produz frutos quase o ano todo

  • Muito usada em arborização urbana

  • Popularmente chamada de “árvore dos passarinhos”

  • Cresce bem em solos degradados

  • Considerada planta de valor ecológico elevado


📚 Referências

  1. Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2014.

  2. Flora do Brasil 2020 – Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

  3. Silva et al. Phytochemical and pharmacological properties of Muntingia calabura. Journal of Ethnopharmacology, 2017.

  4. Dataplamt – Banco de dados de plantas medicinais do Brasil.


Calabura (Muntingia calabura) - Frutos imaturos e folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26

Calabura (Muntingia calabura) - Frutos imaturos, flor e folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26

Calabura (Muntingia calabura) - Aspecto da árvore - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26

Calabura (Muntingia calabura) - Frutos imaturos e maduros - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Confrei (Symphytum officinale L.): usos tradicionais, cicatrização e cuidados terapêuticos

 

🌿 Confrei (Symphytum officinale) é uma planta tradicionalmente usada para cicatrização, contusões e dores articulares, graças à alantoína. ⚠️ Seu uso deve ser exclusivamente externo, pois contém alcaloides hepatotóxicos perigosos quando ingeridos. Na homeopatia, é famoso no auxílio à consolidação óssea. Uma planta poderosa, que exige respeito, conhecimento e uso consciente. 🌱

Identificação botânica

  • Nome científico: Symphytum officinale L.

  • Autor: Linnaeus

  • Família: Boraginaceae

Sinonímia botânica

  • Symphytum majus Garsault

  • Symphytum officinale var. commune

Nomes populares

Confrei, consolda, erva-do-osso, língua-de-vaca, orelha-de-asno, knitbone (inglês)


Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermae

  • Clado: Eudicotyledoneae

  • Ordem: Boraginales

  • Família: Boraginaceae

  • Gênero: Symphytum

  • Espécie: Symphytum officinale L.


Descrição botânica

Planta herbácea perene, robusta, rizomatosa, podendo atingir de 60 a 120 cm de altura. Apresenta folhas grandes, alternas, lanceoladas a ovadas, ásperas ao tato devido à presença de tricomas rígidos. As flores são tubulares, pendentes, reunidas em inflorescências do tipo cimeira escorpioide, variando do creme ao roxo-violáceo. O sistema radicular é profundo, carnoso e rico em mucilagem, parte tradicionalmente mais utilizada. O crescimento é vigoroso, com grande capacidade de rebrota.


Origem e distribuição no Brasil

Originário da Europa e da Ásia Ocidental, o confrei foi introduzido em diversos países. No Brasil, é cultivado principalmente em quintais, hortas medicinais e sistemas agroecológicos, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Não ocorre como espécie nativa.


Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Tradicionalmente utilizado apenas por via externa para:

  • Feridas, escoriações e úlceras cutâneas

  • Contusões, hematomas e entorses

  • Fraturas e luxações (uso tópico complementar)

  • Dores articulares e musculares

  • Queimaduras leves

Seu uso interno não é recomendado devido à toxicidade hepática.


Constituintes fitoquímicos

  • Alantoína (principal ativo cicatrizante)

  • Mucilagens

  • Taninos

  • Ácidos fenólicos (ácido rosmarínico)

  • Saponinas

  • Alcaloides pirrolizidínicos (PA): lasiocarpina, sinfitina, equimidina


Toxicidade e interações medicamentosas

O confrei contém alcaloides pirrolizidínicos hepatotóxicos, associados a:

⚠️ Contraindicações absolutas (uso interno):

  • Gestantes e lactantes

  • Crianças

  • Pessoas com doenças hepáticas

  • Uso concomitante com medicamentos hepatotóxicos (ex.: paracetamol em altas doses, metotrexato, anticonvulsivantes)

Uso externo deve ser pontual, sem aplicação em feridas profundas ou extensas.


Aspectos na Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

  • Nome aproximado: similar ao uso de ervas que “reparam tecidos” (não planta oficial da MTC clássica)

  • Natureza: Neutra a levemente fria

  • Sabor: Doce

  • Ação energética: Nutre tecidos, promove regeneração

  • Propriedades: Cicatrizante, regeneradora

  • Indicações: Lesões traumáticas, inflamações externas (uso tópico)


Aspectos na Homeopatia

  • Nome homeopático: Symphytum officinale

  • Principais dinamizações: 6CH, 12CH, 30CH

  • Ação: Estimula consolidação óssea

  • Indicações:

    • Fraturas

    • Fissuras ósseas

    • Traumatismos do periósteo

    • Recuperação pós-cirúrgica ortopédica

Conhecido como o “Arnica dos ossos” na homeopatia.


Modo de uso tradicional

Uso externo :

  • Compressas com decocção da raiz ou folhas

  • Pomadas e ungüentos

  • Cataplasmas (uso popular, hoje desencorajado em feridas abertas)

Nunca ingerir chás, extratos ou cápsulas.


Conhecimento científico na cicatrização de feridas

Estudos demonstram que a alantoína:

  • Estimula proliferação celular

  • Acelera epitelização

  • Reduz inflamação local

Ensaios clínicos confirmam eficácia de extratos livres de alcaloides em pomadas para entorses, contusões e feridas superficiais, com boa tolerabilidade quando usados corretamente.


Dicas de cultivo

  • Clima temperado a subtropical

  • Sol pleno ou meia-sombra

  • Solo fértil, profundo e úmido

  • Propagação por divisão de raízes

  • Planta rústica e de crescimento agressivo


Curiosidades


Referências

  1. EMA – European Medicines Agency. Assessment report on Symphytum officinale.

  2. WHO. Monographs on Selected Medicinal Plants.

  3. ESCOP. Monographs on the Medicinal Uses of Plant Drugs.

  4. Barnes, J.; Anderson, L.; Phillipson, J. Herbal Medicines.

  5. Blumenthal, M. The Complete German Commission E Monographs.






Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto da planta florida- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum L.): aroma amazônico, planta medicinal e PANC

A chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) é uma planta aromática, medicinal e PANC, muito presente na culinária amazônica. Suas folhas intensamente perfumadas temperam pratos tradicionais como tacacá e pato no tucupi, além de auxiliarem a digestão e o bem-estar gastrointestinal. Fácil de cultivar, resistente e cheia de história, essa planta conecta saberes ancestrais, alimentação funcional e cultura regional. 🌿🍲



Identificação botânica

  • Nome científico: Eryngium foetidum L.

  • Sinonímia botânica: Eryngium antihystericum Rottb.

  • Família botânica: Apiaceae


Classificação botânica atual (APG IV – 2016)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiosperms

  • Clado: Eudicots

  • Ordem: Apiales

  • Família: Apiaceae

  • Gênero: Eryngium

  • Espécie: Eryngium foetidum


Nomes populares

Chicória-do-Pará, chicória-amazônica, coentro-bravo, coentro-largo, culantro, chicória-da-Amazônia.


Descrição botânica

Planta herbácea perene, de porte baixo, formando touceiras densas. Apresenta sistema radicular fasciculado e superficial. As folhas são simples, alongadas, lanceoladas, de coloração verde-escura, com margens espinhosas e nervura central bem marcada. A textura é coriácea e o aroma intenso, semelhante ao coentro (Coriandrum sativum), porém mais persistente. A inflorescência é do tipo capítulo, pequena, envolta por brácteas rígidas e espinhosas, de coloração esverdeada a esbranquiçada. A floração ocorre principalmente em climas quentes e úmidos, com produção de sementes pequenas e secas.


Origem e distribuição no Brasil

Espécie nativa da América Tropical, com ampla ocorrência na Amazônia, Caribe, América Central e norte da América do Sul. No Brasil, é muito comum na Região Norte (especialmente Pará e Amazonas) e Nordeste, sendo cultivada em quintais, hortas urbanas, roçados e sistemas agroecológicos.


Variedades e intensidade aromática (picância sensorial)

Embora não possua picância como as pimentas, a chicória-do-Pará apresenta intensidade aromática elevada, classificada como:

  • Aroma: muito forte

  • Sabor: levemente picante e amargo-aromático
    Essa intensidade faz com que pequenas quantidades sejam suficientes para temperar pratos.


Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Na medicina tradicional, a chicória-do-Pará é utilizada como:

  • Digestiva e carminativa

  • Estimulante do apetite

  • Anti-inflamatória leve

  • Analgésica suave

  • Antiespasmódica

É empregada em desconfortos gastrointestinais, cólicas, gases e como suporte em estados gripais leves.


Modo de uso tradicional

  • Infusão das folhas: uso digestivo e calmante

  • Decocção: utilizada popularmente para dores e processos inflamatórios leves

  • Uso culinário-medicinal: consumo regular como tempero funcional


Uso como tempero regional e curiosidades

Ingrediente essencial de pratos amazônicos como tacacá, pato no tucupi, caldeiradas, peixes e caldos regionais. Seu aroma é mais resistente ao calor que o coentro comum, sendo ideal para cozimentos longos.


Usos alimentares e como PANC

Considerada Planta Alimentícia Não Convencional (PANC):

  • Folhas: principal parte utilizada, frescas ou cozidas

  • Sementes: pouco exploradas, mas com potencial aromático e reprodutivo
    As folhas podem ser usadas em refogados, caldos, arroz, farofas, molhos e preparações tradicionais.


Bromatologia

As folhas apresentam:

  • Vitaminas A e C

  • Minerais como cálcio, ferro e potássio

  • Óleos essenciais ricos em compostos aromáticos

  • Compostos fenólicos com atividade antioxidante


Dicas de cultivo

  • Prefere clima quente e úmido

  • Desenvolve-se bem em meia-sombra

  • Solo fértil, rico em matéria orgânica e bem drenado

  • Rebrota facilmente após cortes regulares

  • Pode ser cultivada em vasos e canteiros


Curiosidades


Referências

  1. Lorenzi, H.; Kinupp, V. F. Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2014.

  2. Flora do Brasil 2020 – Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2020.

  3. Dataplamt – Banco de Dados de Plantas Medicinais do Brasil.

  4. Albuquerque, U. P. Etnobotânica Aplicada. Recife, 2010.

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026


sábado, 24 de janeiro de 2026

Capsicum chinense: pimentas ardidas, metabolismo ativo e saberes tradicionais

 

🌶️ Você sabia que as pimentas têm diferentes níveis de picância e usos terapêuticos?

Do leve ao extremo, as variedades de Capsicum chinense aquecem o corpo, estimulam o metabolismo e fazem parte tanto da culinária quanto da Medicina Tradicional Chinesa. Descubra como escolher, usar e equilibrar o fogo dessa planta poderosa no seu dia a dia!

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Identificação botânica

Nome científico: Capsicum chinense Jacq.
Sinonímia botânica: Capsicum sinense
Família botânica: Solanaceae

Classificação botânica atual (APG IV – 2016)

Reino: Plantae
Clado: Angiosperms
Clado: Eudicots
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Gênero: Capsicum
Espécie: Capsicum chinense

Nomes populares

Pimenta-de-cheiro, pimenta-biquinho-ardida (algumas variedades), pimenta-habanero, pimenta-scotch bonnet, pimenta-cumari-do-Pará, pimenta-murupi.


Descrição botânica

Planta herbácea ou subarbustiva, perene em regiões tropicais, podendo atingir entre 60 cm e 1,5 m de altura. Possui caule ramificado, de coloração verde a levemente arroxeada. As folhas são simples, alternas, ovais a lanceoladas, de coloração verde intensa e textura lisa. As flores são solitárias ou em pequenos grupos, axilares, geralmente de coloração branca ou esverdeada, com anteras azuladas ou amareladas. O fruto é uma baga carnosa, muito aromática, de formatos variados — globoso, alongado ou lanternado — com coloração que varia do verde ao amarelo, laranja ou vermelho intenso quando maduro. A planta apresenta floração e frutificação prolongadas em climas quentes.


Origem e distribuição no Brasil

Originária da América Tropical, especialmente da região amazônica e do Caribe, Capsicum chinense é amplamente cultivada no Brasil, com forte presença no Norte e Nordeste. É comum em quintais, roças tradicionais, sistemas agroecológicos e cultivos comerciais de pimentas especiais.


Variedades e níveis de picância

Capsicum chinense reúne algumas das pimentas mais picantes do mundo:

Habanero: 100.000 a 350.000 SHU
Scotch Bonnet: 80.000 a 300.000 SHU
Murupi: 60.000 a 150.000 SHU
Cumari-do-Pará: 30.000 a 50.000 SHU

A picância é determinada principalmente pela concentração de capsaicinoides, especialmente a capsaicina.

Tabela: Escala de Picância (Capsicum chinense)
Pimenta (C. chinense) SHU (Scoville) Classificação
Pimenta Biquinho 0 - 1.000 Suave
Ají Dulce 500 - 1.000 Suave
Pimenta de Cheiro (Norte) 15.000 - 60.000 Moderada
Pimenta Bode 50.000 - 100.000 Média/Alta
Habanero 100.000 - 350.000 Alta
Bhut Jolokia (Ghost) 850.000 - 1.000.000+ Nuclear
Carolina Reaper 1.600.000 - 2.200.000 Lendária
Pepper X 2.693.000+ Recorde Mundial

Nota: O valor SHU pode variar dependendo do solo, clima e nutrição da planta.




Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Tradicionalmente, as pimentas de Capsicum chinense são utilizadas como:

Estimulante circulatório
Auxílio digestivo
Estimulante metabólico
Adjuvante no controle do peso corporal
Analgésico tópico (uso externo, em preparações tradicionais)

A capsaicina é responsável por grande parte dessas ações, promovendo vasodilatação periférica e sensação de aquecimento corporal.


Uso como estimulante do metabolismo

A capsaicina presente nos frutos estimula a termogênese, aumentando temporariamente o gasto energético basal. Esse efeito contribui para:

Aceleração do metabolismo
Estímulo da oxidação de gorduras
Aumento da sensação de saciedade

Esses usos são tradicionalmente associados à alimentação funcional, não substituindo acompanhamento profissional.


Modo de uso tradicional

Uso interno: pequenas quantidades do fruto fresco ou seco em preparações culinárias
Uso externo: infusões alcoólicas ou oleosas aplicadas topicamente de forma tradicional para estímulo circulatório (uso popular, com cautela)

Usos alimentares e como PANC

Capsicum chinense é considerada Planta Alimentícia Não Convencional (PANC):

Frutos: amplamente utilizados como condimento fresco, seco ou em molhos fermentados
Folhas jovens: podem ser consumidas cozidas em algumas culturas tradicionais
Sementes: comestíveis, embora concentrem maior ardor, usadas na produção de pós e conservas

Bromatologia

Frutos: ricos em vitamina C, carotenoides (provitamina A), flavonoides, capsaicinoides, potássio e fibras
Folhas: contêm compostos fenólicos, minerais e pequenas quantidades de vitaminas
Sementes: ricas em lipídios, fibras e compostos pungentes

Destaque

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