sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Calabura (Muntingia calabura L.): usos medicinais, alimento natural e árvore amiga da avifauna

A calabura (Muntingia calabura), também chamada de mutinga ou cereja-do-mato, é uma árvore tropical de frutos doces e comestíveis. Muito usada na medicina popular, possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Além de alimento, é excelente para atrair pássaros e polinizadores, sendo comum em quintais e áreas urbanas. Rústica e de fácil cultivo, requer manejo consciente por seu potencial invasor. Uma planta que une ecologia, alimentação e saber tradicional 🌿🍒🐦





🌿 Identificação botânica

  • Nome científico: Muntingia calabura L.

  • Sinonímia botânica: Muntingia calabura var. typica

  • Família botânica: Muntingiaceae

Nomes populares

Calabura, mutinga, cereja-de-jamaica, cereja-do-mato, capulin-branco, pau-de-seda, strawberry tree (ingl.).


📚 Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Ordem: Malvales

  • Família: Muntingiaceae

  • Gênero: Muntingia

  • Espécie: Muntingia calabura L.


🌳 Descrição botânica

Árvore de pequeno a médio porte, alcançando entre 6 e 12 metros de altura, com copa ampla e ramificação aberta. O tronco é de casca fina, pardo-acinzentada e levemente fissurada. As folhas são simples, alternas, alongadas, de margem serrilhada, com face superior verde-escura e inferior pubescente. As flores são solitárias, pequenas, brancas, com cinco pétalas delicadas e numerosos estames amarelos, muito visitadas por insetos. Os frutos são globosos, pequenos, de coloração vermelha quando maduros, suculentos e doces, contendo numerosas sementes diminutas. A frutificação ocorre praticamente o ano todo em regiões tropicais.


🌎 Origem e distribuição no Brasil

Originária da América Central e Caribe, a calabura foi amplamente introduzida em regiões tropicais do mundo. No Brasil, encontra-se naturalizada em praticamente todos os estados, especialmente nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, crescendo em áreas urbanas, quintais, beiras de estrada e sistemas agroflorestais.


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Na medicina popular, diferentes partes da planta são utilizadas:

  • Folhas: usadas em infusões com ação anti-inflamatória, analgésica leve e antisséptica.

  • Casca: empregada tradicionalmente em decocções para dor e inflamações.

  • Flores: utilizadas como calmante suave.

É citada em etnobotânica como auxiliar em casos de:

  • Dor de cabeça

  • Processos inflamatórios leves

  • Febre

  • Distúrbios respiratórios brandos


🧪 Constituintes fitoquímicos

Estudos fitoquímicos identificam na Muntingia calabura:

  • Flavonoides (quercetina, kaempferol)

  • Compostos fenólicos

  • Taninos

  • Saponinas

  • Triterpenos

  • Alcaloides em baixas concentrações

Esses compostos estão associados às atividades antioxidante, anti-inflamatória e analgésica descritas.


⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas

Não há registros consistentes de toxicidade grave associada ao consumo tradicional dos frutos maduros. O uso medicinal das folhas deve ser moderado, evitando-se uso contínuo e em altas doses.
Gestantes, lactantes e pessoas em uso de medicamentos anti-inflamatórios ou anticoagulantes devem buscar orientação profissional antes do uso fitoterápico.


🍵 Modo de uso tradicional

  • Infusão das folhas: 1 colher de sopa para 1 xícara de água quente, até 2 vezes ao dia.

  • Decocção da casca: uso pontual, tradicional, não contínuo.

  • Fruto in natura: consumo direto, fresco.


🍒 Uso como fruta alimentar

Os frutos são doces, aromáticos e comestíveis, consumidos:

  • In natura

  • Em geleias, sucos e doces caseiros

  • Como lanche natural por crianças e adultos

É considerada uma fruta subutilizada, mas de alto potencial nutricional e cultural.


🐦 Uso como planta atrativa de avifauna

A calabura é famosa por atrair:

  • Pássaros frugívoros

  • Morcegos

  • Abelhas e outros polinizadores

É amplamente utilizada em projetos de recuperação ambiental, quintais agroecológicos e paisagismo ecológico.


⚠️ Potencial como espécie invasora

Por sua rápida germinação, crescimento acelerado e ampla dispersão das sementes por aves, a calabura pode apresentar comportamento invasor em alguns ecossistemas. Recomenda-se manejo consciente, evitando introdução em áreas naturais sensíveis.


🌱 Dicas de cultivo

  • Clima: tropical e subtropical

  • Solo: bem drenado, pobre a médio em nutrientes

  • Luz: pleno sol

  • Propagação: sementes (alta taxa de germinação)

  • Manutenção: rústica, resistente à seca e baixa exigência de manejo


✨ Curiosidades

  • Produz frutos quase o ano todo

  • Muito usada em arborização urbana

  • Popularmente chamada de “árvore dos passarinhos”

  • Cresce bem em solos degradados

  • Considerada planta de valor ecológico elevado


📚 Referências

  1. Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2014.

  2. Flora do Brasil 2020 – Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

  3. Silva et al. Phytochemical and pharmacological properties of Muntingia calabura. Journal of Ethnopharmacology, 2017.

  4. Dataplamt – Banco de dados de plantas medicinais do Brasil.


Calabura (Muntingia calabura) - Frutos imaturos e folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26

Calabura (Muntingia calabura) - Frutos imaturos, flor e folhas - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26

Calabura (Muntingia calabura) - Aspecto da árvore - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26

Calabura (Muntingia calabura) - Frutos imaturos e maduros - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 02/26



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Confrei (Symphytum officinale L.): usos tradicionais, cicatrização e cuidados terapêuticos

 

🌿 Confrei (Symphytum officinale) é uma planta tradicionalmente usada para cicatrização, contusões e dores articulares, graças à alantoína. ⚠️ Seu uso deve ser exclusivamente externo, pois contém alcaloides hepatotóxicos perigosos quando ingeridos. Na homeopatia, é famoso no auxílio à consolidação óssea. Uma planta poderosa, que exige respeito, conhecimento e uso consciente. 🌱

Identificação botânica

  • Nome científico: Symphytum officinale L.

  • Autor: Linnaeus

  • Família: Boraginaceae

Sinonímia botânica

  • Symphytum majus Garsault

  • Symphytum officinale var. commune

Nomes populares

Confrei, consolda, erva-do-osso, língua-de-vaca, orelha-de-asno, knitbone (inglês)


Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermae

  • Clado: Eudicotyledoneae

  • Ordem: Boraginales

  • Família: Boraginaceae

  • Gênero: Symphytum

  • Espécie: Symphytum officinale L.


Descrição botânica

Planta herbácea perene, robusta, rizomatosa, podendo atingir de 60 a 120 cm de altura. Apresenta folhas grandes, alternas, lanceoladas a ovadas, ásperas ao tato devido à presença de tricomas rígidos. As flores são tubulares, pendentes, reunidas em inflorescências do tipo cimeira escorpioide, variando do creme ao roxo-violáceo. O sistema radicular é profundo, carnoso e rico em mucilagem, parte tradicionalmente mais utilizada. O crescimento é vigoroso, com grande capacidade de rebrota.


Origem e distribuição no Brasil

Originário da Europa e da Ásia Ocidental, o confrei foi introduzido em diversos países. No Brasil, é cultivado principalmente em quintais, hortas medicinais e sistemas agroecológicos, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Não ocorre como espécie nativa.


Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Tradicionalmente utilizado apenas por via externa para:

  • Feridas, escoriações e úlceras cutâneas

  • Contusões, hematomas e entorses

  • Fraturas e luxações (uso tópico complementar)

  • Dores articulares e musculares

  • Queimaduras leves

Seu uso interno não é recomendado devido à toxicidade hepática.


Constituintes fitoquímicos

  • Alantoína (principal ativo cicatrizante)

  • Mucilagens

  • Taninos

  • Ácidos fenólicos (ácido rosmarínico)

  • Saponinas

  • Alcaloides pirrolizidínicos (PA): lasiocarpina, sinfitina, equimidina


Toxicidade e interações medicamentosas

O confrei contém alcaloides pirrolizidínicos hepatotóxicos, associados a:

⚠️ Contraindicações absolutas (uso interno):

  • Gestantes e lactantes

  • Crianças

  • Pessoas com doenças hepáticas

  • Uso concomitante com medicamentos hepatotóxicos (ex.: paracetamol em altas doses, metotrexato, anticonvulsivantes)

Uso externo deve ser pontual, sem aplicação em feridas profundas ou extensas.


Aspectos na Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

  • Nome aproximado: similar ao uso de ervas que “reparam tecidos” (não planta oficial da MTC clássica)

  • Natureza: Neutra a levemente fria

  • Sabor: Doce

  • Ação energética: Nutre tecidos, promove regeneração

  • Propriedades: Cicatrizante, regeneradora

  • Indicações: Lesões traumáticas, inflamações externas (uso tópico)


Aspectos na Homeopatia

  • Nome homeopático: Symphytum officinale

  • Principais dinamizações: 6CH, 12CH, 30CH

  • Ação: Estimula consolidação óssea

  • Indicações:

    • Fraturas

    • Fissuras ósseas

    • Traumatismos do periósteo

    • Recuperação pós-cirúrgica ortopédica

Conhecido como o “Arnica dos ossos” na homeopatia.


Modo de uso tradicional

Uso externo :

  • Compressas com decocção da raiz ou folhas

  • Pomadas e ungüentos

  • Cataplasmas (uso popular, hoje desencorajado em feridas abertas)

Nunca ingerir chás, extratos ou cápsulas.


Conhecimento científico na cicatrização de feridas

Estudos demonstram que a alantoína:

  • Estimula proliferação celular

  • Acelera epitelização

  • Reduz inflamação local

Ensaios clínicos confirmam eficácia de extratos livres de alcaloides em pomadas para entorses, contusões e feridas superficiais, com boa tolerabilidade quando usados corretamente.


Dicas de cultivo

  • Clima temperado a subtropical

  • Sol pleno ou meia-sombra

  • Solo fértil, profundo e úmido

  • Propagação por divisão de raízes

  • Planta rústica e de crescimento agressivo


Curiosidades


Referências

  1. EMA – European Medicines Agency. Assessment report on Symphytum officinale.

  2. WHO. Monographs on Selected Medicinal Plants.

  3. ESCOP. Monographs on the Medicinal Uses of Plant Drugs.

  4. Barnes, J.; Anderson, L.; Phillipson, J. Herbal Medicines.

  5. Blumenthal, M. The Complete German Commission E Monographs.






Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto das inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Confrei - Symphytum officinale L. - Aspecto da planta florida- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum L.): aroma amazônico, planta medicinal e PANC

A chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) é uma planta aromática, medicinal e PANC, muito presente na culinária amazônica. Suas folhas intensamente perfumadas temperam pratos tradicionais como tacacá e pato no tucupi, além de auxiliarem a digestão e o bem-estar gastrointestinal. Fácil de cultivar, resistente e cheia de história, essa planta conecta saberes ancestrais, alimentação funcional e cultura regional. 🌿🍲



Identificação botânica

  • Nome científico: Eryngium foetidum L.

  • Sinonímia botânica: Eryngium antihystericum Rottb.

  • Família botânica: Apiaceae


Classificação botânica atual (APG IV – 2016)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiosperms

  • Clado: Eudicots

  • Ordem: Apiales

  • Família: Apiaceae

  • Gênero: Eryngium

  • Espécie: Eryngium foetidum


Nomes populares

Chicória-do-Pará, chicória-amazônica, coentro-bravo, coentro-largo, culantro, chicória-da-Amazônia.


Descrição botânica

Planta herbácea perene, de porte baixo, formando touceiras densas. Apresenta sistema radicular fasciculado e superficial. As folhas são simples, alongadas, lanceoladas, de coloração verde-escura, com margens espinhosas e nervura central bem marcada. A textura é coriácea e o aroma intenso, semelhante ao coentro (Coriandrum sativum), porém mais persistente. A inflorescência é do tipo capítulo, pequena, envolta por brácteas rígidas e espinhosas, de coloração esverdeada a esbranquiçada. A floração ocorre principalmente em climas quentes e úmidos, com produção de sementes pequenas e secas.


Origem e distribuição no Brasil

Espécie nativa da América Tropical, com ampla ocorrência na Amazônia, Caribe, América Central e norte da América do Sul. No Brasil, é muito comum na Região Norte (especialmente Pará e Amazonas) e Nordeste, sendo cultivada em quintais, hortas urbanas, roçados e sistemas agroecológicos.


Variedades e intensidade aromática (picância sensorial)

Embora não possua picância como as pimentas, a chicória-do-Pará apresenta intensidade aromática elevada, classificada como:

  • Aroma: muito forte

  • Sabor: levemente picante e amargo-aromático
    Essa intensidade faz com que pequenas quantidades sejam suficientes para temperar pratos.


Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Na medicina tradicional, a chicória-do-Pará é utilizada como:

  • Digestiva e carminativa

  • Estimulante do apetite

  • Anti-inflamatória leve

  • Analgésica suave

  • Antiespasmódica

É empregada em desconfortos gastrointestinais, cólicas, gases e como suporte em estados gripais leves.


Modo de uso tradicional

  • Infusão das folhas: uso digestivo e calmante

  • Decocção: utilizada popularmente para dores e processos inflamatórios leves

  • Uso culinário-medicinal: consumo regular como tempero funcional


Uso como tempero regional e curiosidades

Ingrediente essencial de pratos amazônicos como tacacá, pato no tucupi, caldeiradas, peixes e caldos regionais. Seu aroma é mais resistente ao calor que o coentro comum, sendo ideal para cozimentos longos.


Usos alimentares e como PANC

Considerada Planta Alimentícia Não Convencional (PANC):

  • Folhas: principal parte utilizada, frescas ou cozidas

  • Sementes: pouco exploradas, mas com potencial aromático e reprodutivo
    As folhas podem ser usadas em refogados, caldos, arroz, farofas, molhos e preparações tradicionais.


Bromatologia

As folhas apresentam:

  • Vitaminas A e C

  • Minerais como cálcio, ferro e potássio

  • Óleos essenciais ricos em compostos aromáticos

  • Compostos fenólicos com atividade antioxidante


Dicas de cultivo

  • Prefere clima quente e úmido

  • Desenvolve-se bem em meia-sombra

  • Solo fértil, rico em matéria orgânica e bem drenado

  • Rebrota facilmente após cortes regulares

  • Pode ser cultivada em vasos e canteiros


Curiosidades


Referências

  1. Lorenzi, H.; Kinupp, V. F. Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2014.

  2. Flora do Brasil 2020 – Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2020.

  3. Dataplamt – Banco de Dados de Plantas Medicinais do Brasil.

  4. Albuquerque, U. P. Etnobotânica Aplicada. Recife, 2010.

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 01/2026


sábado, 24 de janeiro de 2026

Capsicum chinense: pimentas ardidas, metabolismo ativo e saberes tradicionais

 

🌶️ Você sabia que as pimentas têm diferentes níveis de picância e usos terapêuticos?

Do leve ao extremo, as variedades de Capsicum chinense aquecem o corpo, estimulam o metabolismo e fazem parte tanto da culinária quanto da Medicina Tradicional Chinesa. Descubra como escolher, usar e equilibrar o fogo dessa planta poderosa no seu dia a dia!

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Identificação botânica

Nome científico: Capsicum chinense Jacq.
Sinonímia botânica: Capsicum sinense
Família botânica: Solanaceae

Classificação botânica atual (APG IV – 2016)

Reino: Plantae
Clado: Angiosperms
Clado: Eudicots
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Gênero: Capsicum
Espécie: Capsicum chinense

Nomes populares

Pimenta-de-cheiro, pimenta-biquinho-ardida (algumas variedades), pimenta-habanero, pimenta-scotch bonnet, pimenta-cumari-do-Pará, pimenta-murupi.


Descrição botânica

Planta herbácea ou subarbustiva, perene em regiões tropicais, podendo atingir entre 60 cm e 1,5 m de altura. Possui caule ramificado, de coloração verde a levemente arroxeada. As folhas são simples, alternas, ovais a lanceoladas, de coloração verde intensa e textura lisa. As flores são solitárias ou em pequenos grupos, axilares, geralmente de coloração branca ou esverdeada, com anteras azuladas ou amareladas. O fruto é uma baga carnosa, muito aromática, de formatos variados — globoso, alongado ou lanternado — com coloração que varia do verde ao amarelo, laranja ou vermelho intenso quando maduro. A planta apresenta floração e frutificação prolongadas em climas quentes.


Origem e distribuição no Brasil

Originária da América Tropical, especialmente da região amazônica e do Caribe, Capsicum chinense é amplamente cultivada no Brasil, com forte presença no Norte e Nordeste. É comum em quintais, roças tradicionais, sistemas agroecológicos e cultivos comerciais de pimentas especiais.


Variedades e níveis de picância

Capsicum chinense reúne algumas das pimentas mais picantes do mundo:

Habanero: 100.000 a 350.000 SHU
Scotch Bonnet: 80.000 a 300.000 SHU
Murupi: 60.000 a 150.000 SHU
Cumari-do-Pará: 30.000 a 50.000 SHU

A picância é determinada principalmente pela concentração de capsaicinoides, especialmente a capsaicina.

Tabela: Escala de Picância (Capsicum chinense)
Pimenta (C. chinense) SHU (Scoville) Classificação
Pimenta Biquinho 0 - 1.000 Suave
Ají Dulce 500 - 1.000 Suave
Pimenta de Cheiro (Norte) 15.000 - 60.000 Moderada
Pimenta Bode 50.000 - 100.000 Média/Alta
Habanero 100.000 - 350.000 Alta
Bhut Jolokia (Ghost) 850.000 - 1.000.000+ Nuclear
Carolina Reaper 1.600.000 - 2.200.000 Lendária
Pepper X 2.693.000+ Recorde Mundial

Nota: O valor SHU pode variar dependendo do solo, clima e nutrição da planta.




Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Tradicionalmente, as pimentas de Capsicum chinense são utilizadas como:

Estimulante circulatório
Auxílio digestivo
Estimulante metabólico
Adjuvante no controle do peso corporal
Analgésico tópico (uso externo, em preparações tradicionais)

A capsaicina é responsável por grande parte dessas ações, promovendo vasodilatação periférica e sensação de aquecimento corporal.


Uso como estimulante do metabolismo

A capsaicina presente nos frutos estimula a termogênese, aumentando temporariamente o gasto energético basal. Esse efeito contribui para:

Aceleração do metabolismo
Estímulo da oxidação de gorduras
Aumento da sensação de saciedade

Esses usos são tradicionalmente associados à alimentação funcional, não substituindo acompanhamento profissional.


Modo de uso tradicional

Uso interno: pequenas quantidades do fruto fresco ou seco em preparações culinárias
Uso externo: infusões alcoólicas ou oleosas aplicadas topicamente de forma tradicional para estímulo circulatório (uso popular, com cautela)

Usos alimentares e como PANC

Capsicum chinense é considerada Planta Alimentícia Não Convencional (PANC):

Frutos: amplamente utilizados como condimento fresco, seco ou em molhos fermentados
Folhas jovens: podem ser consumidas cozidas em algumas culturas tradicionais
Sementes: comestíveis, embora concentrem maior ardor, usadas na produção de pós e conservas

Bromatologia

Frutos: ricos em vitamina C, carotenoides (provitamina A), flavonoides, capsaicinoides, potássio e fibras
Folhas: contêm compostos fenólicos, minerais e pequenas quantidades de vitaminas
Sementes: ricas em lipídios, fibras e compostos pungentes

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Quiabo (Abelmoschus esculentus): usos medicinais, alimentares e valor como PANC

 

🌱 Quiabo (Abelmoschus esculentus) é muito mais que um ingrediente da culinária brasileira! Rico em fibras, vitaminas e mucilagem, ele também é reconhecido como planta medicinal e PANC, com usos tradicionais no cuidado digestivo, intestinal e metabólico. Suas folhas e sementes também são comestíveis e nutritivas. No Plantas Medicinais – Roda de Conversa, você confere identificação botânica, usos terapêuticos, bromatologia e dicas de cultivo. 🌿🍲
Conhecimento que alimenta e cuida!



Nome científico e sinonímia

Nome científico aceito: Abelmoschus esculentus (L.) Moench
Sinonímias botânicas relevantes:
Hibiscus esculentus L.; Abelmoschus longifolius (Willd.) Walp.


Classificação botânica (APG IV)


Nomes populares

Quiabo, quingombô, gombo, okra, gumbo, bhindi.


Descrição botânica

Planta herbácea anual ou perene de curta duração, de porte ereto, podendo atingir entre 1 e 2,5 metros de altura. Apresenta sistema radicular pivotante, profundo e bem desenvolvido. As folhas são grandes, alternas, palmadas, com 3 a 7 lobos, margem irregularmente serrilhada e superfície pubescente. As flores são solitárias, axilares, grandes e vistosas, com pétalas amarelo-claras a creme e centro arroxeado, típicas da família Malvaceae. A inflorescência é do tipo flor isolada axilar. O fruto é uma cápsula alongada, pentagonal, verde, com numerosas sementes arredondadas. A floração e frutificação ocorrem principalmente em períodos quentes e chuvosos.


Fenologia

Floresce entre 40 e 60 dias após o plantio, com frutificação contínua por vários meses em clima favorável.


Origem e distribuição

Originário da África Oriental, o quiabo encontra-se amplamente cultivado em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, é cultivado em todas as regiões, com destaque para Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, tanto em sistemas agrícolas convencionais quanto em quintais agroecológicos.


Usos medicinais tradicionais

O quiabo é tradicionalmente utilizado como:

  • Demulcente e emoliente

  • Auxiliar no controle glicêmico

  • Regulador intestinal

  • Suporte digestivo e gástrico

  • Coadjuvante em processos inflamatórios leves


Indicações fitoterápicas

  • Constipação intestinal

  • Gastrite e irritação da mucosa gástrica

  • Apoio dietético em diabetes tipo 2

  • Redução do colesterol (uso alimentar funcional)


Modo de usar e preparo

  • Infusão ou maceração aquosa: frutos cortados em água, utilizados tradicionalmente para efeito demulcente

  • Uso alimentar terapêutico: consumo regular dos frutos cozidos ou refogados

  • Uso popular: a mucilagem é empregada para suavizar irritações gastrointestinais

⚠️ Uso medicinal tradicional não substitui acompanhamento profissional.


Usos alimentares e como PANC

O quiabo é amplamente consumido na culinária brasileira e internacional.

  • Frutos: refogados, cozidos, grelhados, ensopados

  • Folhas (PANC): podem ser cozidas como hortaliça folhosa

  • Sementes (PANC): ricas em óleo e proteínas, podem ser torradas ou moídas

Uso Alimentar das Folhas
As folhas do quiabo são comestíveis e possuem perfil nutricional semelhante ao de outras hortaliças de folhas escuras (como o espinafre).
  • Consumo In Natura e Cozido: Podem ser consumidas cruas em saladas (quando jovens e tenras) ou refogadas e cozidas em sopas e guisados.
  • Agente Espessante: Assim como o fruto, as folhas liberam uma mucilagem quando picadas e cozidas, sendo utilizadas para dar consistência a caldos.
  • Nutrição: São ricas em vitaminas A, C e minerais como cálcio e ferro. Em diversas culturas africanas e asiáticas, são um ingrediente base para molhos que acompanham cereais.
Uso Alimentar das Sementes
As sementes do quiabo, quando maduras e secas, possuem aplicações versáteis:
  • Substituto do Café: Uma das utilizações mais conhecidas é a torra e moagem das sementes secas para a produção de uma bebida que imita o sabor do café, porém sem cafeína.
  • Extração de Óleo: As sementes contêm um alto teor de óleo (cerca de 15% a 20%), rico em gorduras insaturadas (como o ácido linoleico) e vitamina E. O óleo de quiabo é comestível e possui sabor agradável.
  • Fonte de Proteína: As sementes secas podem ser moídas em farinha e adicionadas a pães e massas para aumentar o valor proteico da dieta.
  • Consumo Direto: Em algumas regiões, as sementes torradas são consumidas como "snacks" salgados.

Bromatologia

Frutos:

  • Fibras solúveis (mucilagem)

  • Vitaminas A, C e complexo B

  • Minerais: cálcio, magnésio, potássio

Folhas:

  • Proteínas vegetais

  • Cálcio, ferro e antioxidantes

Sementes:

  • Lipídios insaturados

  • Proteínas

  • Compostos fenólicos


Dicas de cultivo

  • Prefere clima quente e sol pleno

  • Solo fértil, bem drenado e rico em matéria orgânica

  • Irrigação regular, sem encharcamento

  • Colheita frequente estimula maior produção


Curiosidades

  • A mucilagem do quiabo é estudada como ingrediente funcional e espessante natural

  • Na África e na Índia, é considerado alimento medicinal

  • As sementes já foram usadas como substituto do café

  • Planta de grande importância em sistemas agroecológicos e segurança alimentar


Citações e referências (links numerados)

  1. Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum.

  2. Brasil. Ministério da Saúde. Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira.

  3. FAO – Food and Agriculture Organization. Okra: Production and Uses.

  4. Duke, J. A. Handbook of Medicinal Herbs.

  5. Kays, S. J. Cultivated Vegetables of the World.



Quiabo (Abelmoschus esculentus) - Planta florida - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 01/26 

Quiabo (Abelmoschus esculentus) - Detalhe dos frutos imaturos - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 01/26

Quiabo (Abelmoschus esculentus) - Detalhe da folha - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 01/26

Quiabo (Abelmoschus esculentus) - Planta em flutificação - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 01/26



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