🌿 Ficha Técnica – Abóbora (Cucurbita spp.)
Nome científico: Cucurbita maxima Duchesne, Cucurbita moschata Duchesne, Cucurbita pepo L.
Classificador: Antoine Nicolas Duchesne (1746–1827).
Classificação botânica:
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Reino: Plantae
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Divisão: Magnoliophyta
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Classe: Magnoliopsida
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Ordem: Cucurbitales
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Família: Cucurbitaceae
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Gênero: Cucurbita
Nomes populares: Abóbora, jerimum, moranga, abóbora-moranga, abóbora-de-pescoço, abobrinha (para C. pepo), abóbora-manteiga (C. moschata), e cambuquira (para os brotos e flores).
🌼 Descrição botânica
As abóboras são plantas herbáceas, trepadeiras ou rasteiras, de caule longo e ramificado, com gavinhas simples que auxiliam na fixação.
As folhas são grandes, alternas, pecioladas e palmadas, de margem denteada e textura áspera. As flores são unissexuadas, grandes, de coloração amarela a alaranjada, com forma de campânula, sendo as flores masculinas em pedúnculos longos e as femininas mais curtas, situadas próximas ao ovário que dará origem ao fruto.
O sistema radicular é pivotante e profundo, adaptado tanto a solos arenosos quanto argilosos.
O porte é rasteiro ou trepador, com ramos que podem atingir até 10 metros.
A inflorescência é solitária e axilar.
A fenologia ocorre geralmente na primavera-verão, com florescimento após 40 a 60 dias da germinação e frutificação a partir de 90 dias.
🌎 Origem e distribuição
Originária da América Central e América do Sul, a abóbora é uma das plantas domesticadas mais antigas das Américas. No Brasil, é amplamente cultivada em todas as regiões, desde plantações comerciais até quintais e roçados familiares. As espécies se adaptam bem a climas tropicais e subtropicais, com ampla rusticidade.
🥬 Usos alimentares como PANC
A abóbora é uma planta inteiramente comestível, e cada parte apresenta usos alimentares distintos:
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Frutos (polpa e casca): Usados em purês, sopas, doces, pães e bolos.
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Sementes: Torradas e salgadas, são ricas em proteínas e ácidos graxos essenciais, utilizadas também como vermífugo tradicional.
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Folhas e brotos (cambuquira): Conhecidos popularmente como cambuquira, são uma PANC muito apreciada no Brasil. Podem ser refogados, usados em omeletes, tortas e recheios, ou preparados em ensopados e caldos regionais.
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Flores: As flores da abóbora são comestíveis e nutritivas, com sabor delicado e textura leve. Uma preparação tradicional é a flor empanada e frita, comum em culinárias italianas e brasileiras, além de serem usadas em risotos e farofas.
Essas partes são fontes de vitaminas A, C e do complexo B, além de minerais como ferro, cálcio, magnésio e potássio, reforçando seu papel como alimento funcional e PANC de alto valor nutricional [1][2][3].
🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas
A abóbora apresenta usos tradicionais na medicina popular e fitoterapia moderna:
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Sementes: Utilizadas como vermífugas (particularmente contra Taenia spp.) e diuréticas.
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Polpa: Indicada como calmante, anti-inflamatória e digestiva, útil em distúrbios gástricos leves.
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Folhas: Possuem ação anti-inflamatória e antioxidante, usadas topicamente em cataplasmas para dores articulares.
Em fitoterapia, destacam-se seus efeitos hepatoprotetores, antidiabéticos e antioxidantes, com estudos demonstrando ação benéfica no controle da glicemia e na proteção contra o estresse oxidativo [4][5].
- Cambuquira de abóbora:
🍽️ Receitas Panc
- Flor de abóbora empanada:
🍃 Constituintes químicos principais
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Carotenóides (β-caroteno, luteína, zeaxantina)
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Ácidos graxos essenciais (linoleico, oleico e palmítico)
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Vitaminas A, C, E e do complexo B
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Minerais: cálcio, ferro, magnésio, potássio e zinco
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Aminoácidos e proteínas (particularmente nas sementes) [6][7].
Bromatologia — valores nutricionais (resumo, por 100 g de polpa cozida — valores médios aproximados)
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Energia: ≈ 20–45 kcal (dependendo da espécie e do cozimento). Água: alta (%), polpa suculenta. [10]
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Proteínas: ≈ 1–2 g
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Lipídios: baixo (< 1 g) na polpa; sementes ricas em lipídios.
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Carboidratos: ≈ 4–10 g (varia por espécie)
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Fibras: ≈ 1–3 g
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Vitamina A (β-caroteno): variável; especialmente alto em variedades de polpa laranja (C. maxima / C. moschata).
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Vitamina C: presente em quantidades menores.
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Minerais: potássio, magnésio, fósforo e traços de ferro e zinco; sementes destacam-se por zinco e magnésio. [10]
Observação: para valores exatos por cultivar (ex.: cabotiá, moranga, butternut) consulte tabelas analíticas (USDA FoodData Central; TACO — Tabela Brasileira de Composição de Alimentos) para obter números padronizados por 100 g e forma de preparo.
🧧 Elementos da planta para a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e dietética chinesa
Na MTC, a abóbora (Nan Gua) é considerada doce e morna, atuando sobre os meridianos do Baço, Estômago e Intestino Grosso.
Suas funções terapêuticas incluem:
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Tonificar o Qi e nutrir o Baço, auxiliando na digestão e fraqueza;
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Eliminar umidade e toxinas, sendo usada em casos de vermes e inflamações intestinais;
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Harmonizar o Estômago e aliviar dores abdominais;
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Fortalecer o sistema imunológico e promover regeneração energética.
Na dietética chinesa, é indicada para pessoas com fadiga, digestão lenta ou debilidade pós-doença. As sementes são associadas à eliminação de parasitas e fortalecimento renal [8][9].
🌱 Dicas de cultivo
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Clima: tropical e subtropical, pleno sol.
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Solo: fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica.
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Plantio: por sementes, diretamente no local definitivo.
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Espaçamento: 2,0 a 3,0 m entre covas.
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Adubação: orgânica, com esterco curtido ou composto.
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Colheita: de 90 a 120 dias após a germinação, dependendo da espécie.
Evitar encharcamento e garantir boa insolação favorece a floração e o desenvolvimento de frutos de melhor qualidade.
🌸 Curiosidades
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A abóbora é uma das plantas domesticadas mais antigas das Américas, cultivada há mais de 7 mil anos.
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As flores masculinas são ótimas fontes de proteína vegetal e muito valorizadas em gastronomia sustentável.
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O uso da cambuquira como PANC resgata práticas tradicionais e reduz o desperdício alimentar.
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As sementes são estudadas por suas propriedades anti-helmínticas e pró-próstata.
📚 Referências bibliográficas
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Kinupp, V. F., & Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2014.
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Rocha, M. S. et al. Composição nutricional e potencial antioxidante de espécies do gênero Cucurbita. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2016.
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Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Manual de Hortaliças Não Convencionais. Brasília, 2019.
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Fraguas, R. M. Uso de sementes de abóbora na fitoterapia popular brasileira. Fitoterapia Brasileira, São Paulo, 2015.
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Souza, C. F. et al. Efeitos hipoglicemiantes e antioxidantes da Cucurbita moschata em modelos experimentais. Journal of Ethnopharmacology, 2019.
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Santos, L. M. Composição química e atividade antioxidante das abóboras brasileiras. Revista Alimentos e Nutrição, 2018.
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Fernandes, M. C. Propriedades funcionais e nutricionais das sementes de abóbora. Ciência & Saúde, 2020.
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Maciocia, G. The Foundations of Chinese Medicine. 3ª ed., Elsevier, 2015.
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Ni, M. The Yellow Emperor’s Classic of Medicine. Shambhala, Boston, 1995.
https://www.simplyrecipes.com/types-of-winter-squash-butternut-acorn-delicata-and-more-varieties-5209380
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| Abóbora moranga - Cucurbita moschata Duchesne - Fruto sendo preparado para consumo - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão - 11/2025 |
| Abóbora - Cucurbita maxima Duchesne - Aspecto da planta - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão 01/2025 |
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| Abóbora - Cucurbita maxima Duchesne - Frutos expostos para a venda em um mercado - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas 11/2025 |
| Abóbora - Cucurbita maxima Duchesne - Aspecto da planta com flores masculina e fruto imaturo - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão 01/2025 |


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