sábado, 29 de novembro de 2025

Salvia leucantha (Mexican bush sage / Salvia mexicana): descrição botânica, cultivo ornamental, óleo essencial e usos medicinais

 

Salvia leucantha (sálvia-mexicana) — descubra a planta ornamental de florada aveludada: descrição botânica, cultivo, perfil do óleo essencial e o que a pesquisa diz sobre usos medicinais e aplicações em bioprodutos.

1 — Nome científico e autoridade

  • Nome científico aceito: Salvia leucantha Cav. (sin.: uso horticultural frequente do nome popular Salvia mexicana para grupos semelhantes). [1]


2 — Classificação resumida (mais recente)


3 — Nomes populares


4 — Descrição botânica

Salvia leucantha é um subarbusto perene (herbáceo-lenhoso) que forma touceiras densas, normalmente com centenas de hastes eretas que podem arquear nas pontas. O porte varia com cultivares e clima, tipicamente entre 0,6–1,3 m de altura e 1–2 m de largura em plantas estabelecidas. As folhas são lanceoladas a linear-lanceoladas, opostas, verdes a verde-acinzentadas na face superior e com indumento (pelos finos) na face inferior, conferindo aparência macia/aveludada. A inflorescência surge em espigas longas e arquadas, compostas por cálices coloridos (muitas vezes púrpura/roxo) que sustentam corolas mais claras (frequentemente brancas ou pálidas), criando o aspecto “veludo” que dá o nome popular (inflorescências do tipo espiga/rixa de flores sésseis a pedunculadas). As raízes são pivotantes com sistema lateral bem desenvolvido, adaptadas a solos bem drenados. A fenologia típica em climas amenos é floração de final do verão ao outono (blooms late summer–fall), prolongando-se até as geadas; em clima tropical pode florescer por períodos mais longos. [2][6]


5 — Região de origem e ocorrência no Brasil

Nativa do México e América Central, S. leucantha é amplamente cultivada como ornamental em regiões quentes e subtropicais do mundo. No Brasil aparece principalmente em jardins públicos e privados como planta ornamental; adapta-se bem às regiões quentes do Sudeste, Sul e áreas mais amenas do Centro-Oeste e Nordeste, desde que não haja geada intensa. [1][7]


6 — Usos medicinais (tradição e evidências) — nota de cautela

A maior parte do uso de Salvia (gênero) é bem documentada etnobotânicamente; para S. leucantha especificamente existem registros de uso popular e interesse fitoquímico, e estudos sobre o óleo essencial que indicam presença de sesquiterpenos e compostos biologicamente ativos com potencial farmacológico (atividade antimicrobiana, inseticida, modulação enzimática) em amostras de óleo. Contudo, evidence clínica humana direta para indicações medicinais específicas de S. leucantha é limitada; portanto qualquer uso terapêutico deve seguir orientação profissional e considerar segurança/toxicidade local. [8][3][4]


7 — Modo de usar e preparação (uso tradicional e experimental)

  • Infusão/chá das partes aéreas (uso popular): em algumas tradições locais, infusões de folhas e flores são preparadas para efeitos calmantes leves e como apoio em desconfortos gastrointestinais; porém documentação etnobotânica específica para S. leucantha é menos ampla que para outras sálvias. [8]

  • Óleo essencial / hidrodestilado: extraído por hidrodestilação das folhas/flores e estudado para composição química e atividades antimicrobianas / inseticidas; não é comumente usado em aromaterapia comercial, mas estudos laboratoriais analisaram seu perfil e potenciais aplicações. Uso tópico do óleo deve ser diluído e precedido de teste de sensibilidade. [3][5]

  • Tintura ou extrato alcoólico: usado experimentalmente em fitocosméticos e investigações farmacológicas (não padronizado comercialmente). [4]

Aviso de segurança: evitar ingestão em grandes quantidades sem supervisão; óleos essenciais são concentrados e podem causar irritação ou toxicidade. Gestantes, lactantes e crianças devem consultar profissional de saúde. [8]


8 — Usos medicinais e indicações fitoterápicas (síntese)

Com base em estudos fitoquímicos e etnobotânicos do gênero e de S. leucantha em particular, as funcionalidades estudadas incluem:

  • Atividade antimicrobiana / antibacteriana de extratos/óleo em ensaios laboratoriais. [5]

  • Atividade inseticida/larvicida em alguns estudos (potencial uso em manejo de vetores). [14]

  • Ações farmacológicas potenciais atribuíveis a sesquiterpenos (p.ex. β-caryophyllene) e ésteres monoterpênicos (p.ex. bornyl acetate) detectados no óleo essencial; estes compostos têm sido associados a atividade anti-inflamatória/analgésica em outros contextos, mas evidência direta clínica em S. leucantha é insuficiente. [3][4]


9 — Uso e indicação de sua "essência floral" / óleo essencial

  • Óleo essencial: estudos descrevem que o óleo de S. leucantha pode ser rico em compostos como bornyl acetate, β-caryophyllene, bicyclogermacrene, germacrene D, dillapiol (variações entre estudos e origens geográficas são comuns). Esses constituintes explicam potenciais ações antimicrobianas e inseticidas observadas nos ensaios. [3][5][4]

  • Essência floral (flower essence): não há sistema clássico amplamente reconhecido que padronize uma essência floral de S. leucantha (como no caso das essências florais de Bach). Alguns terapeutas de essências florais podem preparar remédios vibracionais com flores de S. leucantha para estados emocionais específicos (ex.: revitalização, inspiração), mas estes usos são empíricos e não têm comprovação científica robusta; se for feita, deve ser tratada como remédio floral/terapêutico complementar, não como substituto de tratamentos médicos. [8]


10 — Constituintes químicos (resumo baseado em análises de óleo essencial e perfis fitoquímicos)

Composição volátil relatada (varia por origem e método): bornyl acetate, β-gurjunene/β-guyrene, β-caryophyllene, dilapiol, bicyclogermacrene, germacrene D, bicyclogermacrene, entre outros sesquiterpenos e ésteres; estudos mais recentes por GC-MS confirmam predominância de sesquiterpenos e hidrocarbonetos terpenoides em amostras analisadas. Além do óleo volátil, as partes aéreas contêm fenóis e flavonoides em quantidades menores (perfil fitoquímico incompleto na literatura comparado a espécies medicinais mais estudadas). [3][10][5]


11 — Dicas de cultivo e uso como planta ornamental

  • Luminosidade: pleno sol a meia-sombra; floresce mais abundantemente em pleno sol. [7][20]

  • Solo: bem drenado, fértil, com boa matéria orgânica. Tolerante a algum período de seca uma vez estabelecida. [6][20]

  • Irrigação: moderada; evitar encharcamento.

  • Poda: podas de limpeza e corte de seções após a floração prolongam produção e aspecto ornamental; em climas frios é comum tratá-la como anual. [16][20]

  • Atração de polinizadores: flores atraem abelhas, borboletas e beija-flores — excelente planta para jardins de polinizadores e bordaduras. [2][13]

  • Propagação: por estacas semi-lenhosas ou por semente; estacas no verão rootam bem. [6]


12 — Curiosidades

  • Cultivares híbridos (ex.: ‘Santa Barbara’) apresentam variações compactas e coloridas que a tornaram muito popular em paisagismo. [13]

  • Apesar do nome específico leucantha (“flores brancas”), muitas cultivares exibem cálices ou brácteas púrpura com corolas brancas, criando o efeito bicolor ornamental característico. [2]

  • Estudos modernos focalizam S. leucantha como fonte potencial de óleo essencial com uso em bioprodutos (repelentes, antimicrobianos) devido ao perfil de sesquiterpenos. [3][5]


13 — Referências

  1. Plants of the World Online (Kew) — Salvia leucantha Cav. — https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:226705-2 Plants of the World Online

  2. Wikipedia — Salvia leucantha (Mexican bush sage) — https://en.wikipedia.org/wiki/Salvia_leucantha Wikipedia

  3. Rojas-L. B., “The volatile constituents of Salvia leucantha”, J Essential Oil Research, 2010 (PubMed summary) — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20614830/ PubMed

  4. Villalta G. et al., “Selective BuChE Inhibitory Activity, Chemical Composition ... Salvia leucantha”, Plants (MDPI), 2021 — https://www.mdpi.com/2223-7747/10/6/1169 MDPI

  5. Rondón M., “Composition and antibacterial activity of the essential oil of Salvia leucantha”, CAB Abstracts (2005) — https://www.cabidigitallibrary.org/doi/10.5555/20063082180 Cab Digital Library

  6. NC State Extension — Salvia leucantha (plant profile / cultivation) — https://plants.ces.ncsu.edu/plants/salvia-leucantha/ plants.ces.ncsu.edu

  7. The Spruce — How to Grow and Care for Mexican Bush Sage — https://www.thespruce.com/growing-salvia-leucantha-5076973 The Spruce

  8. Ortiz-Mendoza N., “A Review on the Ethnopharmacology and Phytochemistry of Neotropical sages”, Frontiers in Pharmacology, 2022 — https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphar.2022.867892/full Frontiers

  9. PFAF — Salvia leucantha profile — https://pfaf.org/user/Plant.aspx?LatinName=Salvia+leucantha pfaf.org

  10. Estudo(s) MDPI / GC-MS complementares e revisões sobre constituintes voláteis — (vários artigos) — https://www.mdpi.com (ver referência específica nº 4). MDPI


Salvia leucantha (sálvia-mexicana) - Aspecto da inflorescência - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 11/2025

Salvia leucantha (sálvia-mexicana) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 11/2025

Salvia leucantha (sálvia-mexicana) - Aspecto da planta - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 11/2025

Salvia leucantha (sálvia-mexicana) - Planta florida- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 11/2025

Salvia leucantha (sálvia-mexicana) - Aspecto da planta- Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 11/2025


sábado, 8 de novembro de 2025

Preparações Extemporâneas em Fitoterapia - Infusão: como fazer e como garantir maior eficácia às plantas medicinais neste preparo

Você sabia que a forma de preparo influencia diretamente o poder curativo das plantas medicinais?

As preparações extemporâneas — feitas no momento do uso — preservam os princípios ativos e garantem maior eficácia terapêutica.
Neste artigo, entenda o que é a INFUSÃOcomo preparar corretamente este método tão tradicional no uso caseiro das plantas medicinais. Leia o artigo todo para compreender todas as etapas e detalhes desta preparação.


Infusão:


A infusão é de longe a mais utilizada e a mais lembrada das formas de preparo das plantas medicinais. Quem não se lembra daquele gosto de infância, daquele aroma de casa de vó, de um delicioso e aconchegante chá de camomila, capim-limão, erva-cidreira, hortelã e tudo mais que ela tinha plantado no próprio quintal. Mas este conhecimento, esta sabedoria, foi ficando no esquecimento, junto com o envelhecimento, junto com as dificuldades de cultivo, junto com o concreto que substituiu a horta do quintal. Mas cabe aqui, registrar, e instruir a forma correta de se extrair o máximo de proveito de que as plantas medicinais nos tem a oferecer, portanto descrevo a técnica desta primeira preparação Extemporânea (de uma série que postarei aqui) que é a infusão:

A água

A água é um item importante à ser observado neste processo. Deverá ser potável, sem contaminantes químicos ou físicos, de preferência mineral ou filtrada. A temperatura é outro aspecto relevante na preparação das infusões, a água não deverá atingir o ponto de ebulição. Quando começar a formar as bolhas de no fundo da vasilha já estará no ponto:


As Plantas Medicinais:

A infusão é o método de escolha para preparo de plantas, ou partes das plantas, mais sensíveis, ou menos rígidas, como folhas, flores, inflorescências e frutos. No entanto, partes de plantas mais rígidas, como raízes e cascas que sejam bastante aromáticas, como por exemplo: raízes de valeriana, gengibre e hidraste, e o que se queira obter são os óleos essenciais das mesmas poderá também utilizar este método.
As plantas medicinais deverão ser de boa procedência, poderão ser frescas ou desidratadas,  estar atento a correta identificação, de preferência pelo nome científico. Se forem frescas deverão utilizar o dobro da quantidade recomendada para as plantas secas, conforme descrito a seguir.
Guaco - Mikania glomerata Spreng - Planta desidratada - Foto: José Carlos Bueno - 11/2025


Alfavaca-cravoOcimum gratissimum L. - Planta fresca - Foto: José Carlos Bueno - 11/2025




Método de fazer:

Utilize uma vazilha, de preferência de vidro, com capacidade para um litro de áqua. Coloque neste a quantidade de 4 a 6 colheres de sopa da planta medicinal seca, se for fresca, 6 a 8 colheres. Coloque para aquecer um litro de água, antes de entrar em ebulição despeje sobre as plantas  , tampe a vazilha, aguarde o tempo recomendado para cada tipo de planta. Coe e tome em até 8 horas, a quantidade e no intervalo recomendadaos,  após este tempo faça um novo chá.

Passo 1: Verta a água sobre a erva medicinal
Passo 2: Tampe a vazilha e aguarde 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Abóbora (Cucurbita spp.): riqueza nutricional, sabor tradicional e usos medicinais e PANC da planta inteira

Descubra por que a abóbora (Cucurbita spp.) é muito mais do que um simples legume: uma planta nutritiva, medicinal e completamente comestível, da casca às flores! 🍃
Conheça seus usos terapêuticos, benefícios na fitoterapia e na Medicina Tradicional Chinesa, e aprenda como aproveitar folhas, brotos (cambuquira) e flores empanadas como deliciosas PANCs que unem saúde e sustentabilidade.

🌿 Ficha Técnica – Abóbora (Cucurbita spp.)

Nome científico: Cucurbita maxima Duchesne, Cucurbita moschata Duchesne, Cucurbita pepo L.
Classificador: Antoine Nicolas Duchesne (1746–1827).
Classificação botânica:

Nomes populares: Abóbora, jerimum, moranga, abóbora-moranga, abóbora-de-pescoço, abobrinha (para C. pepo), abóbora-manteiga (C. moschata), e cambuquira (para os brotos e flores).


🌼 Descrição botânica

As abóboras são plantas herbáceas, trepadeiras ou rasteiras, de caule longo e ramificado, com gavinhas simples que auxiliam na fixação.
As folhas são grandes, alternas, pecioladas e palmadas, de margem denteada e textura áspera. As flores são unissexuadas, grandes, de coloração amarela a alaranjada, com forma de campânula, sendo as flores masculinas em pedúnculos longos e as femininas mais curtas, situadas próximas ao ovário que dará origem ao fruto.
O sistema radicular é pivotante e profundo, adaptado tanto a solos arenosos quanto argilosos.
O porte é rasteiro ou trepador, com ramos que podem atingir até 10 metros.
A inflorescência é solitária e axilar.
A fenologia ocorre geralmente na primavera-verão, com florescimento após 40 a 60 dias da germinação e frutificação a partir de 90 dias.


🌎 Origem e distribuição

Originária da América Central e América do Sul, a abóbora é uma das plantas domesticadas mais antigas das Américas. No Brasil, é amplamente cultivada em todas as regiões, desde plantações comerciais até quintais e roçados familiares. As espécies se adaptam bem a climas tropicais e subtropicais, com ampla rusticidade.


🥬 Usos alimentares como PANC

A abóbora é uma planta inteiramente comestível, e cada parte apresenta usos alimentares distintos:

  • Frutos (polpa e casca): Usados em purês, sopas, doces, pães e bolos.

  • Sementes: Torradas e salgadas, são ricas em proteínas e ácidos graxos essenciais, utilizadas também como vermífugo tradicional.

  • Folhas e brotos (cambuquira): Conhecidos popularmente como cambuquira, são uma PANC muito apreciada no Brasil. Podem ser refogados, usados em omeletes, tortas e recheios, ou preparados em ensopados e caldos regionais.

  • Flores: As flores da abóbora são comestíveis e nutritivas, com sabor delicado e textura leve. Uma preparação tradicional é a flor empanada e frita, comum em culinárias italianas e brasileiras, além de serem usadas em risotos e farofas.

Essas partes são fontes de vitaminas A, C e do complexo B, além de minerais como ferro, cálcio, magnésio e potássio, reforçando seu papel como alimento funcional e PANC de alto valor nutricional [1][2][3].


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

A abóbora apresenta usos tradicionais na medicina popular e fitoterapia moderna:

  • Sementes: Utilizadas como vermífugas (particularmente contra Taenia spp.) e diuréticas.

  • Polpa: Indicada como calmante, anti-inflamatória e digestiva, útil em distúrbios gástricos leves.

  • Folhas: Possuem ação anti-inflamatória e antioxidante, usadas topicamente em cataplasmas para dores articulares.

Em fitoterapia, destacam-se seus efeitos hepatoprotetores, antidiabéticos e antioxidantes, com estudos demonstrando ação benéfica no controle da glicemia e na proteção contra o estresse oxidativo [4][5].



    🍽️ Receitas Panc

  • Cambuquira de abóbora:
Colha um maço de brotos terminais da aboboreira. Lave e pique, folhas, talos e gavinhas tenras, tudo junto. Frite dois dentes de alhos picados em lâminas em um pouco de azeite ou manteiga, junte a cambuquira, acrescente sal agosto. Sirva como acompanhamento. Este refogado pode ser utilizado para enriquecer sopas cremosas, para isto basta triturá-lo.[1][2]

  • Flor de abóbora empanada:
Colha flores frescas, preferencialmente as masculinas. Lave suavemente, e utilize-as imediatamente. Bata 4 ovos com temperos diversos (sal, alho, orégano, páprica, etc.), passe as flores no ovo e depois na farinha de trigo ou de rosca. Frite em óleo quente e sirva a seguir. [1][2]



🍃 Constituintes químicos principais

  • Carotenóides (β-caroteno, luteína, zeaxantina)

  • Flavonoides e polifenóis

  • Ácidos graxos essenciais (linoleico, oleico e palmítico)

  • Vitaminas A, C, E e do complexo B

  • Minerais: cálcio, ferro, magnésio, potássio e zinco

  • Aminoácidos e proteínas (particularmente nas sementes) [6][7].

Bromatologia — valores nutricionais (resumo, por 100 g de polpa cozida — valores médios aproximados)

  • Energia: ≈ 20–45 kcal (dependendo da espécie e do cozimento). Água: alta (%), polpa suculenta. [10]

  • Proteínas: ≈ 1–2 g

  • Lipídios: baixo (< 1 g) na polpa; sementes ricas em lipídios.

  • Carboidratos: ≈ 4–10 g (varia por espécie)

  • Fibras: ≈ 1–3 g

  • Vitamina A (β-caroteno): variável; especialmente alto em variedades de polpa laranja (C. maxima / C. moschata).

  • Vitamina C: presente em quantidades menores.

  • Minerais: potássio, magnésio, fósforo e traços de ferro e zinco; sementes destacam-se por zinco e magnésio. [10]

Observação: para valores exatos por cultivar (ex.: cabotiá, moranga, butternut) consulte tabelas analíticas (USDA FoodData Central; TACO — Tabela Brasileira de Composição de Alimentos) para obter números padronizados por 100 g e forma de preparo.


🧧 Elementos da planta para a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e dietética chinesa

Na MTC, a abóbora (Nan Gua) é considerada doce e morna, atuando sobre os meridianos do Baço, Estômago e Intestino Grosso.
Suas funções terapêuticas incluem:

  • Tonificar o Qi e nutrir o Baço, auxiliando na digestão e fraqueza;

  • Eliminar umidade e toxinas, sendo usada em casos de vermes e inflamações intestinais;

  • Harmonizar o Estômago e aliviar dores abdominais;

  • Fortalecer o sistema imunológico e promover regeneração energética.

Na dietética chinesa, é indicada para pessoas com fadiga, digestão lenta ou debilidade pós-doença. As sementes são associadas à eliminação de parasitas e fortalecimento renal [8][9].



🌱 Dicas de cultivo

  • Clima: tropical e subtropical, pleno sol.

  • Solo: fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica.

  • Plantio: por sementes, diretamente no local definitivo.

  • Espaçamento: 2,0 a 3,0 m entre covas.

  • Adubação: orgânica, com esterco curtido ou composto.

  • Colheita: de 90 a 120 dias após a germinação, dependendo da espécie.

Evitar encharcamento e garantir boa insolação favorece a floração e o desenvolvimento de frutos de melhor qualidade.


🌸 Curiosidades

  • A abóbora é uma das plantas domesticadas mais antigas das Américas, cultivada há mais de 7 mil anos.

  • As flores masculinas são ótimas fontes de proteína vegetal e muito valorizadas em gastronomia sustentável.

  • O uso da cambuquira como PANC resgata práticas tradicionais e reduz o desperdício alimentar.

  • As sementes são estudadas por suas propriedades anti-helmínticas e pró-próstata.


📚 Referências bibliográficas

  1. Kinupp, V. F., & Lorenzi, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2014.

  2. Rocha, M. S. et al. Composição nutricional e potencial antioxidante de espécies do gênero Cucurbita. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2016.

  3. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Manual de Hortaliças Não Convencionais. Brasília, 2019.

  4. Fraguas, R. M. Uso de sementes de abóbora na fitoterapia popular brasileira. Fitoterapia Brasileira, São Paulo, 2015.

  5. Souza, C. F. et al. Efeitos hipoglicemiantes e antioxidantes da Cucurbita moschata em modelos experimentais. Journal of Ethnopharmacology, 2019.

  6. Santos, L. M. Composição química e atividade antioxidante das abóboras brasileiras. Revista Alimentos e Nutrição, 2018.

  7. Fernandes, M. C. Propriedades funcionais e nutricionais das sementes de abóbora. Ciência & Saúde, 2020.

  8. Maciocia, G. The Foundations of Chinese Medicine. 3ª ed., Elsevier, 2015.

  9. Ni, M. The Yellow Emperor’s Classic of Medicine. Shambhala, Boston, 1995.

  10. https://www.simplyrecipes.com/types-of-winter-squash-butternut-acorn-delicata-and-more-varieties-5209380

Abóbora moranga - Cucurbita moschata Duchesne - Fruto sendo preparado para consumo - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão - 11/2025

Abóbora - Cucurbita maxima Duchesne - Aspecto da planta - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão 01/2025


Abóbora - Cucurbita maxima Duchesne - Frutos expostos para a venda em um mercado - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas 11/2025


Abóbora - Cucurbita maxima Duchesne - Aspecto da planta com flores masculina e fruto imaturo - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão 01/2025

 

Destaque

Preparações Extemporâneas em Fitoterapia - Infusão: como fazer e como garantir maior eficácia às plantas medicinais neste preparo

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