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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Losna-brava ou Artemísia (Artemisia verlotiorum): usos tradicionais, composição e cuidados

 

🌿 Losna-brava (Artemisia verlotiorum) é uma artemísia aromática presente em várias regiões do Brasil e tradicionalmente utilizada na medicina popular. Seus estudos fitoquímicos revelam flavonoides, ácidos fenólicos e diversos componentes do óleo essencial, como 1,8-cineol, tujona, cânfora e borneol. Pesquisas laboratoriais mostram atividade antioxidante, mas ainda não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que a planta trate hipertensão ou outras doenças. ⚠️ O uso de extratos concentrados e óleo essencial exige cautela. Conhecer a planta é também compreender os limites entre tradição e ciência. 🌱

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Uma artemísia aromática presente na medicina popular

A losna-brava, também conhecida como artemísia, losna ou pronto-alívio, é uma planta aromática da família Asteraceae que chama atenção pelo odor intenso de suas folhas e pela longa tradição de uso popular. No Brasil, é encontrada principalmente em ambientes antropizados e aparece registrada em diferentes regiões do país.

Embora seja utilizada tradicionalmente para problemas digestivos, respiratórios e circulatórios, é importante diferenciar uso tradicional de eficácia clínica comprovada. Estudos recentes identificaram diversos compostos bioativos em seus extratos e demonstraram atividades antioxidantes em laboratório, mas ainda são necessários estudos clínicos para estabelecer indicações terapêuticas, doses e segurança de uso prolongado.


Identificação botânica

Nome científico

Artemisia verlotiorum Lamotte

A espécie pertence ao gênero Artemisia, um dos grupos mais conhecidos da família Asteraceae, que reúne numerosas espécies aromáticas e medicinais.

Sinonímia

Entre os nomes científicos encontrados na literatura estão:

  • Artemisia verlotorum Lamotte;

  • Artemisia vulgaris subsp. verlotiorum (Lamotte) Bonnier;

  • Artemisia vulgaris f. serratifolia Regel;

  • Artemisia dubia subf. puberula Pamp.

A sinonímia é especialmente importante porque A. verlotiorum apresenta semelhanças morfológicas com outras espécies do gênero, particularmente Artemisia vulgaris. 

Nomes populares

No Brasil, são registrados os nomes losna-brava, losna, artemísia, absinto e pronto-alívio. A Flora e Funga do Brasil registra esses nomes vernaculares para a espécie. 


Classificação botânica – APG IV

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Clado: Eudicotiledôneas nucleares

  • Ordem: Asterales

  • Família: Asteraceae

  • Gênero: Artemisia

  • Espécie: Artemisia verlotiorum Lamotte

A classificação da espécie dentro de Asteraceae e Asterales é compatível com os sistemas taxonômicos atualmente utilizados. 


Descrição botânica

A losna-brava é uma erva perene, podendo apresentar aspecto de pequeno arbusto, geralmente aromática e com crescimento vigoroso. A espécie possui estruturas subterrâneas e pode formar populações extensas, característica que contribui para sua capacidade de persistir em áreas alteradas.

As folhas apresentam morfologia variável de acordo com a posição no caule. As folhas inferiores são geralmente pecioladas, enquanto as superiores podem ser quase sésseis ou sésseis. A lâmina foliar pode ser profundamente dividida, com segmentos característicos, apresentando coloração verde na face superior e aspecto mais claro e densamente piloso na face inferior. A Flora e Funga do Brasil descreve ainda a presença de pontuações glandulares na face superior das folhas.

As inflorescências são constituídas por pequenos capítulos, típicos da família Asteraceae. As flores marginais são femininas e as flores do disco são bissexuais. Os frutos são cipselas, pequenos frutos secos característicos da família. 

Uma característica bastante marcante é seu aroma forte e penetrante, relacionado à presença de substâncias voláteis produzidas pelas estruturas secretoras da planta.


Origem e distribuição no Brasil

Artemisia verlotiorum é originária de regiões da Ásia, sendo atualmente encontrada também em diversas partes do mundo como espécie introduzida e naturalizada. No Brasil, é considerada naturalizada e não endêmica.

A Flora e Funga do Brasil registra sua ocorrência nos domínios da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, especialmente em áreas antrópicas. Há registros confirmados para Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. 

Outras bases de distribuição botânica registram a espécie em diferentes estados brasileiros, indicando uma distribuição mais ampla. 

É encontrada frequentemente em locais alterados, terrenos baldios, margens de áreas agrícolas e ambientes onde a vegetação natural foi modificada.


Usos medicinais e indicações na medicina popular

A losna-brava possui histórico de utilização tradicional em diferentes regiões do mundo. No Brasil, registros etnobotânicos associam seu uso popular principalmente a problemas dos sistemas digestivo, respiratório, geniturinário e circulatório. Também existem registros de utilização tradicional como analgésico e para estados febris. 

Entretanto, é fundamental fazer uma distinção: esses registros não significam que a eficácia clínica dessas indicações esteja comprovada.

Um estudo de 2022 destacou justamente que, apesar do histórico tradicional da espécie, suas propriedades farmacológicas ainda são relativamente pouco estudadas.

Atividade antioxidante

A espécie apresenta interesse científico devido à presença de compostos fenólicos e flavonoides.

Em estudo experimental publicado na revista Molecules, diferentes extratos de A. verlotiorum apresentaram atividade antioxidante, sendo o extrato aquoso aquele que apresentou maior atividade nos ensaios realizados. Foram identificados 25 constituintes fitoquímicos nos diferentes extratos, com destaque para ácidos fenólicos e flavonoides. 

Esses resultados são promissores para a pesquisa farmacológica, mas atividade antioxidante observada em laboratório não permite afirmar que o consumo da planta previna ou trate doenças relacionadas ao estresse oxidativo em seres humanos.

Hipertensão arterial

A hipertensão aparece entre os usos tradicionais registrados para A. verlotiorum, inclusive em algumas tradições medicinais europeias.

Porém, não há evidência clínica suficiente para considerar a losna-brava uma planta comprovadamente hipotensora ou recomendar seu uso como tratamento da hipertensão.

Portanto, pessoas que utilizam medicamentos anti-hipertensivos não devem substituir seu tratamento pela planta.


Constituintes fitoquímicos

A composição química de Artemisia verlotiorum é complexa e pode variar de acordo com origem geográfica, estação do ano, parte utilizada e condições ambientais.

Entre os grupos identificados estão:

  • ácidos fenólicos;

  • flavonoides;

  • flavonóis;

  • ácidos hidroxicinâmicos;

  • sesquiterpenos;

  • monoterpenos;

  • componentes do óleo essencial.

Estudo fitoquímico utilizando diferentes solventes identificou 25 constituintes nos extratos analisados, com predominância de ácidos fenólicos e flavonoides.

Entre os compostos fenólicos identificados em estudos com a espécie encontram-se derivados de ácidos cafeoilquínicos, incluindo ácido clorogênico e diferentes ácidos dicafeoilquínicos. 


Óleo essencial: uma composição bastante variável

O óleo essencial merece atenção especial. Estudos demonstram significativa variação na sua composição conforme a época de coleta e a região onde a planta cresce.

Entre os principais componentes identificados estão:

1,8-cineol, germacreno D, α-tujona, β-tujona, β-cariofileno, borneol, cânfora e mirceno. 

Em um estudo realizado ao longo de um ano, o 1,8-cineol variou aproximadamente entre 12,8% e 32,2%, enquanto α- e β-tujona, cânfora, borneol e outros terpenos também apresentaram variações importantes. 

Isso demonstra que não existe necessariamente um único "perfil químico" da losna-brava.

Essa variação é particularmente importante quando se pensa em preparar extratos concentrados ou utilizar óleo essencial.


Toxicidade, cuidados e interações

A losna-brava não deve ser considerada automaticamente segura apenas por ser uma planta tradicional.

Um dos principais pontos de atenção é o óleo essencial, cuja composição pode apresentar tujona, cânfora e outros monoterpenos em concentrações variáveis. A tujona é uma substância que merece cautela devido aos seus efeitos neuroativos em determinadas concentrações.

Por essa razão:

  • não é recomendável ingerir o óleo essencial da planta;

  • não se deve utilizar extratos concentrados por conta própria;

  • gestantes e lactantes devem evitar o uso medicinal sem orientação profissional;

  • pessoas com epilepsia ou histórico de convulsões devem ter especial cautela;

  • pessoas que utilizam medicamentos de uso contínuo devem consultar profissional de saúde antes do uso medicinal.

Os estudos disponíveis ainda não permitem estabelecer uma dose terapêutica segura e universal nem um período máximo de utilização para a losna-brava.

Também não há base suficiente para estabelecer interações medicamentosas específicas de forma conclusiva. Portanto, a prudência é especialmente importante quando houver uso concomitante com medicamentos que atuem no sistema nervoso, anticonvulsivantes ou outros medicamentos de uso contínuo.


Modo de uso tradicional

Na medicina popular, espécies do gênero Artemisia são tradicionalmente utilizadas principalmente na forma de infusão ou decocção das partes aéreas, especialmente folhas.

Entretanto, para Artemisia verlotiorum, não há atualmente uma posologia clínica padronizada e suficientemente validada que permita recomendar uma dose medicinal específica para o público em geral.

Assim, o uso tradicional não deve ser confundido com uma prescrição fitoterápica.

Para uma publicação de educação em plantas medicinais, a recomendação mais segura é não estabelecer uma dose caseira fixa para tratamento de doenças, especialmente devido à variação da composição química da planta.


Uso alimentar e condimentar

Há registros de utilização alimentar de Artemisia verlotiorum em algumas culturas, especialmente suas folhas e partes jovens. A literatura sobre o gênero Artemisia também registra o emprego de diferentes espécies como ervas aromáticas, condimentos e alimentos. 

Entretanto, o uso alimentar da losna-brava não é tão consolidado no Brasil quanto o uso medicinal popular.

Como a composição do óleo essencial pode variar e a espécie pode conter tujona, não é recomendável incentivar o consumo frequente ou em grandes quantidades.

Caso seja utilizada como erva aromática, deve ser identificada corretamente e proveniente de cultivo destinado ao consumo, sem exposição a agrotóxicos, contaminantes, águas servidas, estradas movimentadas ou áreas onde tenham sido aplicados produtos químicos.

Nunca colher plantas medicinais ou alimentícias de beiras de estradas, terrenos baldios ou locais sujeitos à contaminação.


Uso no paisagismo

Apesar de não ser uma das espécies mais utilizadas no paisagismo convencional, a losna-brava pode apresentar interesse para jardins de caráter medicinal, etnobotânico ou de coleção de plantas aromáticas.

Seu principal atrativo é o aspecto das folhas, o porte herbáceo e o aroma característico.

Por apresentar crescimento vigoroso e capacidade de expansão, deve-se evitar seu plantio em locais onde possa competir com espécies ornamentais mais delicadas.

Em jardins educativos, pode ser utilizada para demonstrar a diversidade das Asteraceae e para abordar a relação entre plantas aromáticas, medicina tradicional e fitoquímica.


Dicas de cultivo

Artemisia verlotiorum é uma planta rústica, adaptada a diferentes condições ambientais.

Prefere solos bem drenados e pode desenvolver-se em áreas com boa luminosidade. A disponibilidade de luz influencia seu crescimento e também pode modificar a produção de metabólitos secundários e compostos voláteis.

A propagação pode ocorrer vegetativamente, especialmente por estruturas subterrâneas, além da reprodução por sementes quando estas são viáveis.

Como apresenta comportamento naturalizado em várias regiões, é recomendável manter o cultivo controlado para evitar sua expansão para áreas onde não seja desejada.

Para uso medicinal ou alimentar, deve-se preferir cultivo próprio, identificado botanicamente e conduzido sem exposição a agrotóxicos ou outras fontes de contaminação.


Curiosidades e etnobotânica

O nome Artemisia está relacionado a uma longa tradição histórica de plantas aromáticas utilizadas em diferentes sistemas tradicionais de medicina.

Artemisia verlotiorum apresenta uma história particularmente interessante de dispersão. Embora tenha origem asiática, tornou-se naturalizada em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil. 

A espécie também apresenta uma relação curiosa com a medicina tradicional chinesa. Na região de Lingnan, na China, suas folhas são utilizadas localmente como substitutas de Artemisia argyi, espécie tradicionalmente conhecida como Ai Ye. Estudos químicos demonstraram que as duas espécies possuem compostos em comum, mas também apresentam diferenças importantes em sua composição. 

Esse fato é um excelente exemplo de como plantas botanicamente semelhantes ou utilizadas como substitutas em determinadas culturas não devem ser automaticamente consideradas equivalentes do ponto de vista medicinal.

Outro aspecto interessante é o potencial do óleo essencial da espécie. Pesquisas experimentais avaliaram seu efeito repelente contra o mosquito Aedes albopictus, observando atividade repelente e efeito sobre a oviposição e larvas. Esses resultados são interessantes para a pesquisa de produtos naturais, mas não significam que o uso doméstico da planta ou de seu óleo essencial possa substituir repelentes registrados. 


O que a ciência já sabe — e o que ainda falta descobrir?

A losna-brava é uma espécie que apresenta forte tradição etnobotânica e interessante diversidade química, mas ainda existe uma lacuna entre o conhecimento tradicional e a comprovação clínica.

Os estudos disponíveis sustentam:

Já demonstrado em estudos experimentais:

  • presença de compostos fenólicos e flavonoides;

  • atividade antioxidante de extratos;

  • diversidade química do óleo essencial;

  • presença variável de 1,8-cineol, tujona, cânfora, borneol e outros terpenos;

  • atividade biológica em modelos laboratoriais.

Ainda não suficientemente demonstrado em humanos:

  • eficácia terapêutica para hipertensão;

  • eficácia para doenças digestivas específicas;

  • eficácia como analgésico ou antitérmico;

  • segurança do uso prolongado;

  • dose terapêutica padronizada;

  • perfil completo de interações medicamentosas.

Essa distinção é fundamental para que o conhecimento popular seja valorizado sem transformar resultados preliminares em promessas terapêuticas.



Referências científicas

  1. Flora e Funga do Brasil – Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Artemisia verlotiorum Lamotte. Dados taxonômicos, distribuição e descrição morfológica. 
    Flora e Funga do Brasil – *Artemisia verlotiorum*

  2. Royal Botanic Gardens, Kew – Plants of the World Online. Artemisia verlotiorum Lamotte. Taxonomia, distribuição nativa e introduzida e sinonímia. 
    Plants of the World Online – *Artemisia verlotiorum*

  3. Suroowan S, et al. (2022). Phytochemical Characterization, Anti-Oxidant, Anti-Enzymatic and Cytotoxic Effects of Artemisia verlotiorum Lamotte Extracts: A New Source of Bioactive Agents. Molecules, 27(18):5886. 
    PubMed – estudo fitoquímico de *Artemisia verlotiorum*

  4. Chericoni S, Flamini G, Campeol E, Cioni PL, Morelli I. (2004). GC–MS analyses of the essential oil from the aerial parts of Artemisia verlotiorum: variability during the year. Biochemical Systematics and Ecology, 32(4):423–429. 
    Artigo – composição do óleo essencial de *Artemisia verlotiorum*

  5. Fraisse D, Carnat A-P, Carnat A, Guédon D, Lamaison J-L. (2003). Hydroxycinnamic acid levels of various batches from mugwort flowering tops. Annales Pharmaceutiques Françaises, 61(4):265–268. 
    PubMed – ácidos hidroxicinâmicos em espécies de *Artemisia*

  6. Quantitative and qualitative analysis of Artemisiae Verlotori Folium and Artemisiae Argyi Folium. (2023). Estudo comparativo da composição química das folhas de A. verlotiorum e A. argyi. 
    PubMed – comparação química entre *A. verlotiorum* e *A. argyi*

  7. Essential oils sensory quality and their bioactivity against the mosquito Aedes albopictus. (2018). Estudo experimental sobre o óleo essencial de A. verlotiorum e atividade repelente. 
    PubMed – atividade do óleo essencial contra *Aedes albopictus*

  8. Barbosa FS et al. (2009). Métodos de extração e concentrações no efeito inseticida de Ruta graveolens, Artemisia verlotorum e Petiveria alliacea a Diabrotica speciosa. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 11(3):221–229. )
    SciELO – Revista Brasileira de Plantas Medicinais

  9. Medicinal plants with popular names associated with manufactured drugs in Rio Grande do Sul state, Brazil. (2020). Rodriguésia. Levantamento de usos populares e plantas medicinais no contexto brasileiro. 
    SciELO – Rodriguésia

Losna-brava (Artemisia verlotiorum) - Inflorescências (Capítulos) - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão - MG - 09/2026

Losna-brava (Artemisia verlotiorum) - Inflorescências (Capítulos) - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão - MG - 09/2026

Losna-brava (Artemisia verlotiorum) - Ramos - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão - MG - 09/2026

Losna-brava (Artemisia verlotiorum) - Ramos - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão - MG - 09/2026


sábado, 29 de agosto de 2026

Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati): usos tradicionais, propriedades medicinais, toxicidade e cultivo



🌿 Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) é uma trepadeira brasileira de flores amarelas e gavinhas semelhantes a pequenas garras. É usada tradicionalmente como planta medicinal e possui compostos fenólicos, flavonoides e triterpenos estudados pela ciência. 🔬 Porém, ainda faltam estudos clínicos que comprovem muitas de suas indicações populares. ⚠️ Atenção: ela não é a mesma espécie que Uncaria tomentosa, outra famosa “unha-de-gato”. Além do interesse medicinal, é uma bela ornamental, mas precisa de poda e controle devido ao seu⁰ crescimento vigoroso. 🌱

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A unha-de-gato é uma trepadeira de crescimento vigoroso, flores amarelas e curiosas gavinhas em forma de garra. No Brasil, é utilizada tradicionalmente como planta medicinal, mas merece atenção especial: além de existir pouca evidência clínica sobre sua eficácia, o nome popular “unha-de-gato” também é usado para outras espécies medicinais completamente diferentes.

Atenção: esta planta não deve ser confundida com Uncaria tomentosa, conhecida internacionalmente como unha-de-gato e muito estudada na fitoterapia.


Identificação botânica

Nome científico: Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann

Família: Bignoniaceae

Sinonímia relevante:
A espécie possui uma longa história taxonômica e pode ser encontrada em obras antigas com outros nomes, especialmente:

  • Bignonia unguis-cati L.

  • Macfadyena unguis-cati (L.) A.H.Gentry

  • Doxantha unguis-cati (L.) Miers

  • Batocydia unguis-cati (L.) Mart. ex Britton & P.Wilson

O nome Macfadyena unguis-cati ainda aparece com frequência em publicações científicas e em livros de plantas medicinais.

Nomes populares

Entre os nomes populares registrados encontram-se:

  • unha-de-gato;

  • cipó-unha-de-gato;

  • unha-de-gato-trepadeira;

  • cat's claw creeper;

  • catclaw vine;

  • bejuco uñita.

Os nomes variam conforme a região e não devem ser utilizados como único critério para identificação medicinal.


Classificação botânica – APG IV

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Clado: Asterídeas

  • Ordem: Lamiales

  • Família: Bignoniaceae

  • Gênero: Dolichandra

  • Espécie: Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann


Descrição botânica

A unha-de-gato é uma trepadeira lenhosa e vigorosa, capaz de subir sobre árvores, cercas, muros e outras estruturas. Seus ramos podem se alongar consideravelmente e apresentam uma característica marcante: as gavinhas modificadas em estruturas curvadas semelhantes a pequenas garras, responsáveis pela fixação da planta.

As folhas são compostas, geralmente com folíolos e uma gavinha terminal. As flores são grandes, vistosas e de coloração predominantemente amarela, com formato tubular ou campanulado típico de muitas espécies da família Bignoniaceae.

Os frutos são cápsulas alongadas e, quando maduras, se abrem liberando numerosas sementes aladas. Essas sementes podem ser transportadas pelo vento, favorecendo a dispersão da espécie.

Além da reprodução por sementes, a planta apresenta grande capacidade de rebrotamento e crescimento vegetativo. Essa combinação ajuda a explicar seu comportamento extremamente vigoroso em ambientes favoráveis.


Origem e distribuição, com foco no Brasil

Dolichandra unguis-cati é uma espécie nativa das Américas, com distribuição natural desde regiões do México até áreas tropicais e subtropicais da América do Sul.

No Brasil, ocorre naturalmente em diferentes regiões do país e está associada a formações florestais e outros ambientes onde possa utilizar árvores ou estruturas como suporte.

Em alguns países e regiões fora de sua área de ocorrência natural, a espécie tornou-se conhecida como planta invasora. Seu crescimento rápido, a produção de sementes e a capacidade de formar massas vegetais densas podem permitir que ela cubra outras plantas e interfira na vegetação local.

Por isso, seu cultivo ornamental deve ser realizado com responsabilidade, especialmente próximo a áreas naturais.


Usos medicinais e indicações fitoterápicas

A unha-de-gato possui histórico de utilização na medicina popular. Registros etnobotânicos e literatura científica citam seu emprego tradicional para diferentes finalidades, incluindo processos inflamatórios, febre e algumas afecções respiratórias.

Também existem referências populares ao uso da planta em casos de reumatismo, dores, infecções e outras condições.

Entretanto, é importante estabelecer uma diferença fundamental entre uso tradicional e eficácia clinicamente comprovada.

O que a ciência permite afirmar?

Estudos laboratoriais e pré-clínicos demonstraram que extratos da espécie apresentam compostos com atividade antioxidante e outros efeitos biológicos de interesse farmacológico.

Também existem investigações sobre citotoxicidade e composição química. Esses resultados, porém, não significam que a planta seja um tratamento comprovado contra câncer, doenças inflamatórias ou infecções em seres humanos.

Até o momento, a evidência disponível não é suficiente para recomendar Dolichandra unguis-cati como substituta de tratamentos médicos convencionais.


Principais constituintes fitoquímicos

Estudos fitoquímicos realizados principalmente com folhas e partes aéreas identificaram diferentes grupos de substâncias, entre elas:

  • ácidos fenólicos;

  • flavonoides;

  • compostos derivados do ácido cafeico;

  • ácido clorogênico;

  • ácido isoclorogênico;

  • ácido cafeico;

  • quercitrina;

  • vicenina-2;

  • corymboside;

  • lupeol;

  • ácido ursólico;

  • β-sitosterol;

  • β-sitosterol-glicosídeo;

  • lapachol;

  • alantoína.

Também foram identificados compostos pertencentes ao grupo das saponinas em estudos realizados com raízes, incluindo glicosídeos derivados do ácido quinóvico.

A presença desses compostos ajuda a explicar o interesse científico pela espécie, mas não permite atribuir automaticamente uma indicação terapêutica a preparações caseiras.


Toxicidade e interações medicamentosas

A expressão “natural” não significa “isento de riscos”. Para Dolichandra unguis-cati, os estudos de segurança ainda são relativamente limitados.

Pesquisas experimentais com extratos hidroetanólicos das folhas avaliaram toxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade. Em determinadas condições laboratoriais, não foram observados efeitos genotóxicos ou mutagênicos significativos. Entretanto, foram identificados sinais de citotoxicidade em concentrações mais elevadas em alguns modelos celulares.

Isso demonstra a necessidade de cautela.

Recomendações de segurança

O uso medicinal deve ser evitado ou realizado somente com orientação profissional em situações como:

  • gestação;

  • amamentação;

  • infância;

  • doença hepática;

  • doença renal;

  • uso de vários medicamentos;

  • tratamento oncológico;

  • doenças autoimunes ou condições clínicas complexas.

Interações medicamentosas

Não existem dados clínicos suficientes para estabelecer uma lista segura e completa de interações medicamentosas específicas.

Por esse motivo, pessoas que utilizam medicamentos contínuos — especialmente anticoagulantes, anti-hipertensivos, antidiabéticos, anti-inflamatórios, imunossupressores ou medicamentos para câncer — devem evitar a automedicação com a planta.

Também não existe uma dose terapêutica padronizada e clinicamente validada para preparações caseiras de Dolichandra unguis-cati.


Modo de uso tradicional

Em diferentes tradições populares, folhas e caules são empregados na forma de:

  • infusão;

  • decocção;

  • preparações aquosas;

  • uso externo de folhas maceradas.

Em levantamentos etnobotânicos, infusões ou decocções de folhas e caules foram registradas para usos tradicionais diversos.

Contudo, a existência de um uso popular não equivale à comprovação de segurança e eficácia. Como não há uma posologia clínica bem estabelecida para a espécie, não é recomendável definir doses caseiras como tratamento de doenças.

Para uso externo tradicional, a planta também deve ser corretamente identificada e preparada em condições de higiene. Feridas extensas, profundas, infectadas ou que não cicatrizam adequadamente devem ser avaliadas por profissionais de saúde.


Informações seguras e responsáveis

Um dos maiores problemas relacionados às plantas medicinais é a identificação incorreta.

No caso da unha-de-gato, o risco é ainda maior porque o mesmo nome popular é aplicado a diferentes espécies. A famosa Uncaria tomentosa, por exemplo, pertence à família Rubiaceae e possui composição química, tradição medicinal e estudos farmacológicos diferentes.

Portanto:

  • utilize sempre o nome científico;

  • não faça substituições baseadas apenas no nome popular;

  • não use plantas coletadas à beira de estradas;

  • evite plantas expostas a agrotóxicos, esgoto ou outras fontes de contaminação;

  • não utilize plantas ornamentais desconhecidas como alimento ou medicamento;

  • prefira material vegetal corretamente identificado.


Uso no paisagismo como ornamental

A unha-de-gato possui grande potencial ornamental graças às flores amarelas vistosas e ao hábito trepador. Pode ser utilizada para revestir:

  • pergolados;

  • caramanchões;

  • cercas;

  • grades;

  • estruturas de jardim.

Seu crescimento vigoroso permite a rápida cobertura de estruturas, produzindo um efeito visual interessante.

Por outro lado, essa mesma característica exige manejo. A planta pode crescer intensamente sobre árvores e arbustos, sombreando outras espécies e aumentando o peso sobre seus suportes.

Assim, não é recomendável plantá-la indiscriminadamente próxima à vegetação nativa ou permitir que se espalhe sem controle.


Dicas de cultivo

Luz

A unha-de-gato desenvolve-se melhor em locais com boa luminosidade. Pode ser cultivada a pleno sol ou em situações de luminosidade intensa, dependendo das condições climáticas locais.

Solo

Prefere solos com boa drenagem e disponibilidade de matéria orgânica. Uma vez estabelecida, é uma planta relativamente vigorosa e tolerante.

Rega

Durante o período de implantação, a irrigação regular favorece o desenvolvimento. Após o estabelecimento, a necessidade de água pode diminuir, dependendo do clima e do solo.

Propagação

A espécie pode ser propagada principalmente por sementes. O cultivo deve ser acompanhado para evitar a dispersão indesejada.

Podas

Podas periódicas são importantes para:

  • controlar o crescimento;

  • evitar o sufocamento de outras plantas;

  • manter a forma desejada;

  • impedir que a trepadeira avance sobre estruturas inadequadas.


Curiosidades

1. Uma “garra” que ajuda a planta a escalar

O nome popular unha-de-gato está diretamente relacionado às estruturas curvas presentes nas gavinhas, que funcionam como pequenas garras e ajudam a trepadeira a se fixar.

2. Não confunda as duas “unhas-de-gato”

A espécie apresentada neste artigo é Dolichandra unguis-cati, da família Bignoniaceae.

Já a unha-de-gato mais conhecida comercialmente na fitoterapia é frequentemente Uncaria tomentosa, pertencente à família Rubiaceae.

São plantas diferentes.

3. Uma trepadeira bonita, mas que precisa de controle

Em determinadas regiões do mundo, Dolichandra unguis-cati é considerada uma espécie invasora. Seu vigor vegetativo demonstra como uma planta ornamental pode se tornar problemática quando cultivada sem manejo adequado.

4. A ciência ainda está investigando seu potencial medicinal

A composição química da planta desperta interesse científico, especialmente pela presença de compostos fenólicos, flavonoides e triterpenos. Entretanto, ainda existe uma distância importante entre resultados laboratoriais e recomendações terapêuticas para seres humanos.


Referências científicas

  1. FONSECA, L. H. M.; CABRAL, S. M.; AGRA, M. F.; LOHMANN, L. G. Taxonomic Revision of Dolichandra (Bignonieae, Bignoniaceae). Phytotaxa, v. 301, n. 1, p. 1–70, 2017.

  2. Plants of the World Online – Royal Botanic Gardens, Kew. Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann. Base taxonômica internacional.

  3. Flora e Funga do Brasil – Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Dolichandra unguis-cati (L.) L.G.Lohmann.

  4. DUARTE, D. S. et al. Chemical characterization and biological activity of Macfadyena unguis-cati (Bignoniaceae). Journal of Pharmacy and Pharmacology, 2000. DOI: 10.1211/0022357001773904.

  5. BRONDANI, J. C. et al. Evaluation of acute and subacute toxicity of hydroethanolic extract of Dolichandra unguis-cati L. leaves in rats. Journal of Ethnopharmacology, 202, 147–153, 2017. DOI: 10.1016/j.jep.2017.03.011.

  6. BRONDANI, J. C. et al. Determination of phytochemical composition, cytotoxicity, genotoxicity and mutagenicity of the hydroethanolic extract of Dolichandra unguis-cati leaves in human leukocytes. Journal of Herbal Medicine, 22, 100333, 2020. DOI: 10.1016/j.hermed.2020.100333.

  7. FERRARI, F.; KIYAN DE CORNELIO, I.; DELLE MONACHE, F.; MARINI BETTOLO, G. Quinovic acid glycosides from roots of Macfadyena unguis-cati. Planta Medica, 43(1), 24–27, 1981.

  8. ZHENG, Y. et al. Cytotoxic and antioxidant activities of Macfadyena unguis-cati aerial parts and bioguided isolation of the antitumor active components. Journal of Ethnopharmacology, 2017.



Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026

Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Indivíduo adulto em florescimento apoiando-se em hospedeiro (crescimento epifítico) - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026

Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026

Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati) - Ramo com Inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - Bueno Brandão-MG - 08/2026


domingo, 30 de junho de 2024

Ipê-roxo

 

Nome científico: Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos

Família botânica: Bignoniaceae

Sinonímia botânica: Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl.

Nomes populares: Ipê-roxo, pau-d’arco-roxo, ipê-preto

Descrição botânica: Handroanthus impetiginosus é uma árvore caducifólia de médio a grande porte, podendo atingir de 8 a 30 metros de altura. Possui um tronco reto e cilíndrico, com casca espessa e rugosa de cor cinza-escura. As folhas são compostas, digitadas, geralmente com cinco folíolos de cor verde-escura. As flores são grandes, tubulares, de cor rosa a roxa, e aparecem em inflorescências terminais. Os frutos são cápsulas alongadas que se abrem para liberar sementes aladas.

Bioma de origem: Handroanthus impetiginosus é nativo das florestas tropicais e subtropicais das Américas, incluindo a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal.

Usos medicinais: A casca do ipê-roxo é utilizada na medicina tradicional para preparar chás e infusões. É conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, antifúngicas e antibacterianas. É usada no tratamento de problemas respiratórios, infecções, diabetes, úlceras e algumas doenças de pele.

Toxicidade: Embora o uso medicinal do ipê-roxo seja comum, é importante ressaltar que o consumo deve ser moderado e supervisionado por um profissional de saúde. A casca contém compostos que podem ser tóxicos em altas doses e causar efeitos adversos como náuseas e vômitos.

Uso paisagístico e ornamental: Handroanthus impetiginosus é amplamente utilizado no paisagismo devido às suas flores vistosas e coloridas que enfeitam a árvore durante a floração, geralmente no final do inverno e início da primavera. É uma escolha popular para praças, parques, avenidas e jardins devido à sua beleza e capacidade de atrair polinizadores como abelhas e beija-flores.

Cultivo: Handroanthus impetiginosus prefere solos bem drenados e férteis, sendo resistente a diferentes tipos de solo, incluindo os mais pobres. Gosta de sol pleno e é tolerante à seca, embora responda bem à irrigação regular. A propagação é feita por sementes, que devem ser plantadas logo após a coleta devido à curta viabilidade. A árvore pode crescer lentamente nos primeiros anos, mas acelera o crescimento com o tempo.

Curiosidades sobre a planta:

  1. Handroanthus impetiginosus é uma das árvores símbolos do Brasil, sendo muito apreciada por sua beleza e uso ornamental.
  2. A madeira do ipê-roxo é extremamente dura e resistente, sendo utilizada na construção civil, na fabricação de móveis e na construção naval.
  3. Em algumas regiões, a árvore é chamada de "pau-d’arco" devido à forma arqueada de seus galhos, que eram usados por povos indígenas para fazer arcos.
  4. A floração exuberante do ipê-roxo é um espetáculo visual que atrai turistas e amantes da natureza durante sua época de floração.





Ipê-roxo: Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos (Bignoniaceae) - detalhe da inflorescências - Foto: José Carlos Bueno - 06/2024 - Poços de Caldas-MG



Ipê-roxo: Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos (Bignoniaceae) - Aspecto da árvore florida - Foto: José Carlos Bueno - 06/2024 - Poços de Caldas-MG




Ipê-roxo: Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos (Bignoniaceae) - Detalhe do ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - 06/2024 - Poços de Caldas-MG


sexta-feira, 8 de março de 2024

Açoita-cavalo

 



Nome Científico: Luehea divaricata

Família: Tiliaceae

Descrição Botânica:

A açoita-cavalo é uma árvore de porte médio a grande, que pode atingir de 5 a 20 metros de altura. Possui tronco cilíndrico, com casca áspera e fissurada, de cor marrom-avermelhada. Suas folhas são simples, alternadas, de formato ovalado a elíptico, com bordas serrilhadas e nervuras bem marcadas. As flores são pequenas, brancas ou levemente rosadas, reunidas em inflorescências terminais. Os frutos são cápsulas lenhosas, contendo numerosas sementes aladas.

A açoita-cavalo é nativa da América do Sul, encontrada em diversas regiões desde o Brasil até a Argentina. Geralmente ocorre em matas de galeria, margens de rios e áreas de transição entre floresta e cerrado. Fenologia: A floração da açoita-cavalo ocorre geralmente na primavera e verão, variando de acordo com as condições climáticas locais. A frutificação acontece após a polinização das flores, e os frutos amadurecem no final do verão e outono.

Na medicina popular, diversas partes da planta são utilizadas com propósitos medicinais. O chá das folhas é empregado tradicionalmente como anti-inflamatório, cicatrizante e para tratar problemas respiratórios. Também é utilizado para aliviar dores musculares e articulares, além de ser considerado um tônico geral para o organismo.

Outros usos medicinais já foram relatados como: folhas como diurético, as hastes como anti-inflamatório, a casca e partes aéreas para cicatrizar feridas e espinhas (acne); e lavagem vaginal. Em um estudo químico que constatou os principais constituintes das cascas do caule e das folhas de L. divaricata, e também as atividades antifúngica, antibacteriana e antiproliferativa dos extratos brutos, e antibacteriana das frações do extrato das cascas do caule.

A madeira da açoita-cavalo é de boa qualidade, resistente e durável. É utilizada na fabricação de móveis, construção civil, cercas, postes e para produção de carvão vegetal. Também utilizada para a fabricação de coronhas de armas de fogo pois é uma madeira leve e resistente a choques e variações climáticas e, dificilmente empena sob variações de temperatura e umidade, principalmente quando seca sob condições de estufa.

Devido à sua rápida taxa de crescimento e adaptabilidade a diferentes tipos de solo, a açoita-cavalo é frequentemente utilizada em programas de reflorestamento. Ela contribui para a recomposição de áreas degradadas, ajudando na proteção do solo, na conservação da biodiversidade e na recuperação de ecossistemas naturais.

Açoita-cavalo: Luehea divaricata (Tiliaceae) - Ramo florido; Foto: José Carlos Bueno 18/02/2024


Açoita-cavalo: Luehea divaricata (Tiliaceae) - Ramo florido; Foto: José Carlos Bueno 18/02/2024

Açoita-cavalo: Luehea divaricata (Tiliaceae) - Ramo florido; Foto: José Carlos Bueno 18/02/2024

Açoita-cavalo: Luehea divaricata (Tiliaceae) - Ramo e folhagem; Foto: José Carlos Bueno 18/02/2024


Açoita-cavalo: Luehea divaricata (Tiliaceae) - Exemplar adulto; Foto: José Carlos Bueno 18/02/2024




sábado, 17 de fevereiro de 2024

Assa-peixe


Nome Científico: Vernonanthura phosphorica (Vell.) H.Rob.

Sinonímia Científica: Vernonia polyanthes Less, Vernonia phosphorica (Vell.) H.Rob.

Nomes Populares: Assa-peixe, assapeixe, assa-peixe-do-campo.

Família: Asteraceae

Descrição Botânica: Arbusto grande, perene, ereto, que pode atingir até 2 metros de altura. Possui caule cilíndrico, ramificado na porção superior. Folhas simples, alternadas ao longo do caule, lanceoladas a ovais, com margens serrilhadas, cor verde-escura na parte superior e mais clara na parte inferior, com nervuras bem marcadas. Flores reunidas em capítulos terminais, dispostos em corimbos, com longos pedúnculos. As flores são pequenas, tubulares, de cor esbranquiçada.

Usada como Planta Medicinal o assa-peixe é utilizado para o tratamento de problemas respiratórios, tosse, bronquite, inflamações, febres e dores musculares. Suas folhas e inflorescências são utilizadas na preparação de chás e extratos medicinais.

Também é utilizada como PANC (Planta Alimentícia Não Convencional): Embora não seja muito comum, algumas comunidades utilizam as folhas jovens da planta como ingrediente em saladas ou refogados, além disto suas folhas também podem ser utilizadas empanadas ou à dorê. No entanto, seu uso como alimento ainda é pouco difundido.

As flores da Vernonanthura phosphorica são fonte de néctar e pólen para as abelhas, contribuindo para a produção de mel e o desenvolvimento das colônias, constituindo, também em importante pasto apícola.

 


Foto: José Carlos Bueno

Foto: José Carlos Bueno

Foto: José Carlos Bueno

Foto: José Carlos Bueno

Foto: José Carlos Bueno


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