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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Pitanga (Eugenia uniflora L.): benefícios, antioxidantes, uso medicinal, frutos e cultivo

🍒 Pitanga: uma joia da flora brasileira!
A Eugenia uniflora produz uma fruta saborosa e rica em carotenoides, flavonoides, fenólicos e antocianinas, compostos associados à atividade antioxidante. Suas folhas têm longa tradição na medicina popular, inclusive como hipotensoras. Estudos experimentais apontam potencial cardiovascular, mas ainda não há evidência clínica suficiente para substituir medicamentos contra hipertensão. 🌿 A pitanga também é excelente para sucos, geleias e consumo fresco, além de atrair aves e contribuir para a biodiversidade. Cultive e colha sempre em locais livres de contaminantes!

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A pequena fruta brasileira de sabor marcante que guarda uma grande riqueza de compostos bioativos

Poucas frutas têm uma identidade tão brasileira quanto a pitanga. Vermelha, alaranjada, amarela ou até arroxeada, com seu formato característico de pequenos gomos e sabor que mistura doçura, acidez e aroma intenso, ela faz parte da memória afetiva de muitas gerações.

Mas a pitangueira é muito mais do que uma árvore frutífera.

A espécie Eugenia uniflora L., pertencente à família Myrtaceae, possui frutos ricos em carotenoides, compostos fenólicos, flavonoides e antocianinas, além de folhas aromáticas tradicionalmente utilizadas na medicina popular brasileira.

Estudos científicos demonstram expressiva atividade antioxidante associada aos frutos e às folhas. Também existem pesquisas experimentais indicando efeitos anti-inflamatórios, gastrointestinais, metabólicos e cardiovasculares.

Um cuidado é necessário, porém: embora a pitangueira seja tradicionalmente empregada como hipotensora, e estudos experimentais tenham demonstrado redução da pressão arterial, ainda não há evidência clínica humana suficientemente robusta para afirmar que o chá de folhas de pitanga seja um tratamento comprovado para hipertensão.

Essa distinção é importante para que possamos valorizar a planta sem transformar resultados promissores em promessas terapêuticas.


Identificação botânica

Nome científico: Eugenia uniflora L.

Família: Myrtaceae

Gênero: Eugenia

Nomes populares: pitanga, pitangueira, pitangueira-vermelha, cereja-brasileira e Brazilian cherry.

Em algumas regiões da América do Sul também aparecem denominações derivadas de línguas indígenas ou espanholas, como ñangapiré e arrayán.

A espécie é reconhecida taxonomicamente como Eugenia uniflora L. 

Sinonímia relevante

Entre os sinônimos botânicos registrados para a espécie estão:

  • Stenocalyx uniflorus (L.) Kausel;

  • Stenocalyx strigosus O. Berg;

  • Stenocalyx oblongifolius O. Berg;

  • Stenocalyx michelii (Lam.) O. Berg.

A nomenclatura pode variar em trabalhos antigos, especialmente em literatura farmacobotânica e etnobotânica.


Classificação botânica — APG IV

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Clado: Rosídeas

  • Ordem: Myrtales

  • Família: Myrtaceae

  • Gênero: Eugenia

  • Espécie: Eugenia uniflora L.

A família Myrtaceae possui grande importância na flora brasileira e inclui outras frutíferas conhecidas, como goiaba, araçá, jabuticaba, uvaia e grumixama.


Como reconhecer a pitangueira?

A pitangueira é uma árvore ou arbusto muito ramificado, geralmente de pequeno a médio porte, podendo alcançar alguns metros de altura quando cresce livremente.

O tronco apresenta casca relativamente lisa e pode adquirir tonalidades acinzentadas ou acastanhadas com o passar do tempo. A copa é ramificada e densa, tornando a espécie interessante tanto para produção de frutos quanto para arborização e paisagismo.

As folhas são simples, inteiras, opostas, brilhantes e geralmente ovais ou elípticas. Uma característica muito interessante é que as folhas jovens podem apresentar tonalidades avermelhadas ou bronzeadas, tornando-se verdes à medida que amadurecem.

Quando amassadas, liberam um aroma característico devido à presença de compostos voláteis.

As flores são pequenas, geralmente brancas, com numerosos estames, e surgem isoladamente ou em pequenos grupos nas axilas das folhas.

O fruto é uma das características mais marcantes da espécie. É uma baga sulcada, com formato semelhante a uma pequena abóbora achatada, apresentando normalmente várias costelas ou gomos. A coloração varia conforme o genótipo e o estágio de maturação, podendo passar por tonalidades verdes, alaranjadas, vermelhas e, em algumas variedades, roxo-escuras.

No interior encontra-se uma semente relativamente grande.

A ampla variação de cor dos frutos não significa que sejam espécies diferentes. Existem diferentes genótipos e variedades de pitangueira com características distintas de cor, tamanho, sabor e composição química. 


Origem e distribuição no Brasil

A pitangueira é nativa do Brasil e de outras áreas da América do Sul, com ocorrência associada principalmente às regiões oriental e meridional do continente. 

No Brasil, ocorre em diferentes regiões e está presente em diversos tipos de ambientes, incluindo áreas relacionadas à Mata Atlântica, Cerrado e outros domínios fitogeográficos.

A espécie possui grande capacidade de adaptação e atualmente também é cultivada em outros países tropicais e subtropicais.

No Brasil, pode ser encontrada tanto em quintais e pomares quanto em áreas de restauração ecológica, jardins, praças e arborização urbana.

Além do valor alimentício, seus frutos são consumidos por diversas espécies de aves, contribuindo para a manutenção da fauna.


Pitanga como planta medicinal

O uso medicinal da pitangueira é bastante antigo na medicina popular brasileira.

As folhas são a principal parte empregada tradicionalmente, geralmente na forma de chá ou infusão.

Levantamentos etnobotânicos registram usos relacionados a:

  • diarreia;

  • desconfortos digestivos;

  • febre;

  • gripe;

  • inflamações;

  • hipertensão;

  • dores;

  • problemas gastrointestinais.

Esses usos variam conforme a região e a comunidade. Registros etnobotânicos brasileiros mostram, por exemplo, utilização das folhas em diferentes comunidades rurais, caiçaras e indígenas.

Entretanto, uso tradicional não é sinônimo de eficácia clínica comprovada.

A pesquisa farmacológica da espécie apresenta resultados interessantes, mas muitos estudos ainda são laboratoriais ou realizados em animais.


Pitanga e atividade antioxidante

A atividade antioxidante é uma das características mais bem estudadas da pitangueira.

Os frutos contêm diferentes grupos de compostos bioativos, principalmente:

  • carotenoides;

  • flavonoides;

  • compostos fenólicos;

  • antocianinas;

  • taninos.

Essas substâncias apresentam capacidade antioxidante em diferentes modelos experimentais.

Um estudo clássico realizado com frutos vermelhos e roxos demonstrou que a pitanga roxa madura apresenta concentrações particularmente interessantes de fenólicos, flavonóis, antocianinas e carotenoides, com esses compostos mais concentrados na película do fruto do que na polpa. 

Outro estudo identificou que a pitanga pode apresentar quantidades importantes de licopeno, γ-caroteno e β-criptoxantina, especialmente nos frutos maduros. 

Portanto, a pitanga pode ser considerada uma fruta de interesse nutracêutico, especialmente por sua diversidade de compostos antioxidantes.

Mas o que significa “antioxidante”?

Nosso organismo produz naturalmente moléculas reativas durante o metabolismo. Em determinadas circunstâncias, quando a produção dessas moléculas supera a capacidade de defesa antioxidante, pode ocorrer o chamado estresse oxidativo.

Os compostos fenólicos e carotenoides presentes nos alimentos podem participar das defesas antioxidantes.

Isso não significa, entretanto, que comer pitanga seja uma garantia contra doenças.

O mais correto é considerar a pitanga parte de uma alimentação variada, rica em frutas e vegetais.


Pitanga e pressão arterial: o que realmente sabemos?

A pitangueira possui uma longa tradição de uso popular como hipotensora.

Pesquisas experimentais também fornecem resultados interessantes.

Um estudo realizado com ratos espontaneamente hipertensos avaliou o extrato das folhas de Eugenia uniflora e investigou seus efeitos sobre a pressão arterial. 

Além disso, estudos recentes avaliaram extratos de frutos e folhas quanto à capacidade de inibir a enzima conversora de angiotensina (ECA), uma enzima importante na regulação da pressão arterial. 

Esses resultados ajudam a explicar por que a espécie possui tradição como planta hipotensora.

Mas existe um limite importante

Até o momento, não há evidência clínica humana suficientemente robusta para afirmar que o chá das folhas de pitanga seja um tratamento comprovado para hipertensão.

Portanto:

pitanga apresenta potencial anti-hipertensivo e tradição de uso como hipotensora, mas não deve substituir medicamentos anti-hipertensivos prescritos.

Pessoas que utilizam medicamentos para pressão devem ter cautela com o uso frequente de preparações concentradas das folhas, principalmente porque a combinação de efeitos pode teoricamente favorecer queda excessiva da pressão.


Outros efeitos estudados

Pesquisas experimentais também investigam a pitangueira em relação a:

  • atividade anti-inflamatória;

  • efeitos sobre o trato gastrointestinal;

  • atividade antimicrobiana;

  • metabolismo da glicose;

  • atividade antioxidante;

  • modulação de enzimas relacionadas ao metabolismo;

  • efeitos sobre a dor.

Um estudo com infusão das folhas encontrou efeito anti-inflamatório em modelo animal, além de alterações no trânsito intestinal.

Outro trabalho experimental investigou o óleo essencial das folhas e encontrou atividades antioxidante e antimicrobiana em modelos laboratoriais. 

Esses resultados são cientificamente interessantes, mas não autorizam afirmar que a pitangueira trate infecções, inflamações, câncer, diabetes ou outras doenças em seres humanos.


Constituintes fitoquímicos da pitangueira

A pitangueira possui uma composição química bastante diversificada.

Nas folhas

Entre os grupos identificados estão:

  • flavonoides;

  • taninos;

  • compostos fenólicos;

  • triterpenos;

  • esteroides;

  • óleos essenciais;

  • outros metabólitos secundários.

Entre os flavonoides encontrados estão quercetina, quercitrina, miricitrina e miricetina.

Nos frutos

Os frutos apresentam:

  • licopeno;

  • γ-caroteno;

  • β-criptoxantina;

  • flavonoides;

  • antocianinas;

  • taninos hidrolisáveis;

  • ácidos fenólicos.

A composição muda conforme a variedade e o estágio de amadurecimento. 

O licopeno merece destaque

A pitanga está entre as frutas brasileiras particularmente interessantes como fonte de licopeno, carotenoide também conhecido por estar presente no tomate.

Estudos realizados com diferentes populações de pitanga demonstraram grande variação na concentração de licopeno, influenciada por origem, variedade e maturação.


O óleo essencial das folhas

As folhas da pitangueira possuem estruturas secretoras onde se acumulam substâncias aromáticas.

O óleo essencial apresenta uma composição química bastante variável, podendo conter diferentes sesquiterpenos.

Entre os compostos encontrados em diferentes estudos estão:

  • germacreno B;

  • germacreno D;

  • curzerena;

  • óxido de cariofileno;

  • β-elemeno;

  • cariofileno;

  • furanodieno.

A composição pode variar significativamente entre populações e condições de cultivo.

Um estudo de 2025 chama atenção para uma questão metodológica importante: alguns compostos anteriormente identificados como curzerena podem resultar de transformações químicas ocorridas durante a análise por cromatografia gasosa. Portanto, a composição do óleo essencial da pitangueira deve ser interpretada com cautela. 

Toxicidade e segurança

A segurança da pitangueira merece atenção porque folhas, frutos e óleo essencial não são equivalentes.

Um estudo de 2022 avaliou o extrato aquoso das folhas em modelos animais, incluindo testes de toxicidade aguda, subaguda e genotoxicidade. Nas condições experimentais estudadas, não foram observados sinais relevantes de toxicidade ou dano genético. 

Isso é uma informação positiva, mas não significa que qualquer dose de qualquer preparação seja automaticamente segura para seres humanos.

Cuidados importantes

Evite utilizar grandes quantidades de extratos concentrados por conta própria.

Tenha especial cautela quando houver:

  • uso de medicamentos anti-hipertensivos;

  • uso de medicamentos para diabetes;

  • gestação;

  • lactação;

  • doença hepática ou renal;

  • uso simultâneo de várias plantas medicinais;

  • utilização de óleo essencial por via interna.

O óleo essencial não deve ser confundido com o chá das folhas.

Óleos essenciais são preparações altamente concentradas e não devem ser ingeridos de maneira caseira.


Modo de uso tradicional

O modo tradicional mais conhecido é a preparação de infusão das folhas.

Chá de folhas de pitangueira

Ingredientes:

  • algumas folhas jovens e saudáveis de pitangueira;

  • aproximadamente 200 ml de água.

Preparo:

Lave as folhas cuidadosamente.

Aqueça a água até o início da fervura. Desligue o fogo, acrescente as folhas e mantenha o recipiente tampado por cerca de 5 a 10 minutos.

Coe antes de consumir.

Uma recomendação importante

Essa preparação representa uso tradicional, e não uma prescrição médica.

Não é adequado determinar uma dose terapêutica universal para hipertensão ou outras doenças com base apenas no uso popular, porque a concentração dos compostos varia de acordo com a planta, idade das folhas, época de coleta, secagem e preparo.

Para tratamento de doenças, especialmente hipertensão e diabetes, a utilização deve ser discutida com profissional habilitado.


Pitanga como alimento

Se existe uma utilização da pitangueira que não deixa dúvidas, é a alimentar.

Os frutos maduros podem ser consumidos:

  • ao natural;

  • em sucos;

  • geleias;

  • compotas;

  • sorvetes;

  • doces;

  • caldas;

  • polpas congeladas;

  • molhos;

  • sobremesas.

O sabor pode variar bastante entre árvores: algumas produzem frutos doces e aromáticos, enquanto outras apresentam maior acidez ou adstringência.

A polpa possui quantidade elevada de água e baixo teor energético.

Dados da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA) para polpa congelada de pitanga indicam aproximadamente 20 kcal por 100 g, com 4,76 g de carboidratos totais, 0,29 g de proteínas, 0,12 g de lipídios e 0,74 g de fibra alimentar. Os valores correspondem especificamente à amostra analisada e podem variar conforme cultivar e processamento. 


Pitanga como alimento nutracêutico

A pitanga pode ser interessante não apenas pelo sabor, mas também por sua diversidade de compostos bioativos.

Uma revisão publicada em 2022 destaca a presença de fibras, vitaminas A e C, minerais, fenólicos e carotenoides, com destaque para compostos como quercetina, miricetina, licopeno, γ-caroteno e β-criptoxantina. 

A coloração do fruto também oferece uma pista sobre sua composição.

Pitanga vermelha

Geralmente apresenta maior destaque para carotenoides, incluindo licopeno.

Pitanga roxa

Pode apresentar concentração elevada de antocianinas, pigmentos responsáveis por sua coloração escura.

Pitanga alaranjada ou amarela

Também possui compostos bioativos, embora o perfil de carotenoides e fenólicos possa ser diferente.

Essa diversidade torna interessante cultivar mais de um tipo de pitanga, quando possível.


E as folhas: a pitanga é uma PANC?

Aqui é importante fazer uma distinção.

O fruto da pitangueira é um alimento tradicional e conhecido, portanto não é necessário classificá-lo simplesmente como PANC.

As folhas possuem importante histórico medicinal, mas não encontrei evidência suficiente para recomendar as folhas de pitangueira como PANC de uso culinário amplo e cotidiano.

Por isso, é mais responsável apresentá-las como folhas medicinais e aromáticas de uso tradicional, e não como alimento vegetal de consumo habitual.

Essa diferença também evita uma confusão comum: o fato de uma folha possuir compostos bioativos e ser utilizada medicinalmente não significa automaticamente que seja apropriada para consumo alimentar em grandes quantidades.


Receita: geleia caseira de pitanga

Ingredientes

  • 500 g de pitangas maduras;

  • 150 a 200 g de açúcar, conforme a acidez dos frutos;

  • suco de ½ limão;

  • aproximadamente 50 ml de água.

Preparo

Lave cuidadosamente as pitangas e retire os frutos danificados.

Leve as frutas ao fogo baixo com a água e cozinhe até amolecerem.

Passe por peneira para retirar as sementes, pressionando delicadamente a polpa.

Volte a polpa para a panela, acrescente o açúcar e o suco de limão e cozinhe em fogo baixo, mexendo até atingir a consistência desejada.

Coloque ainda quente em recipiente de vidro adequadamente higienizado.

Dica

Para preservar melhor a cor e o aroma, evite cozimento excessivamente prolongado.

A pitanga madura também pode ser congelada em polpa para utilização posterior em sucos, sorvetes e sobremesas.


Segurança na coleta: nem toda pitanga encontrada na rua deve ser consumida

Essa é uma recomendação particularmente importante.

A pitangueira é muito utilizada em arborização urbana, mas frutos e folhas de árvores localizadas em ambientes contaminados não devem ser utilizados como alimento ou medicamento.

Evite colher pitangas:

  • próximas a rodovias movimentadas;

  • em canteiros centrais;

  • próximas a estacionamentos;

  • em locais onde haja pulverização de agrotóxicos;

  • perto de esgoto;

  • junto a depósitos de lixo;

  • em terrenos contaminados;

  • onde não se conheça o histórico de aplicação de produtos químicos.

Um estudo realizado em São Paulo demonstrou que plantas de Eugenia uniflora cultivadas em ambientes urbanos e rurais apresentavam diferenças estruturais nas folhas associadas às condições ambientais e à poluição. 

Para consumo frequente, prefira frutos provenientes de árvores cultivadas em local seguro e conhecido.


Cultivo da pitangueira

A pitangueira é uma excelente escolha para quintais, sítios, pomares domésticos e projetos de restauração ecológica.

Clima

É uma espécie bastante adaptável e pode ser cultivada em regiões tropicais e subtropicais.

Tolera diferentes condições ambientais, mas apresenta bom desenvolvimento com:

  • luminosidade abundante;

  • disponibilidade regular de água;

  • temperaturas amenas a quentes;

  • solo bem drenado.

Solo

Prefere solos férteis e bem drenados, ricos em matéria orgânica.

Embora seja uma espécie relativamente rústica, o fornecimento adequado de matéria orgânica favorece o crescimento e a produção de frutos.

Rega

Mudas jovens necessitam de irrigação regular até estabelecerem um sistema radicular adequado.

Árvores adultas são mais resistentes a períodos curtos de seca, embora a disponibilidade de água seja importante durante a formação e desenvolvimento dos frutos.

Sol

A pitangueira pode ser cultivada sob boa luminosidade e sol pleno, condição especialmente interessante para produção de frutos.


Propagação por sementes

A propagação por sementes é relativamente simples.

As sementes devem ser retiradas de frutos maduros e sem sinais de deterioração.

Como ocorre com muitas espécies frutíferas, as plantas obtidas por sementes podem apresentar variação genética, produzindo frutos diferentes da planta-mãe.

Por isso, a propagação por sementes é excelente para quem deseja produzir mudas e conservar diversidade genética, mas não é a melhor opção quando se pretende reproduzir exatamente as características de uma determinada árvore.


Propagação por enxertia

A enxertia permite multiplicar vegetativamente plantas selecionadas.

Pesquisas conduzidas com genótipos de pitangueira demonstraram que a enxertia por garfagem em fenda cheia pode ser utilizada na propagação vegetativa da espécie, apresentando bons resultados em determinadas condições e épocas do ano. 

Esse método é especialmente interessante para produtores que desejam manter características específicas de uma planta-mãe, como:

  • frutos grandes;

  • maior produtividade;

  • sabor mais doce;

  • coloração diferenciada;

  • menor acidez.


Pitanga na restauração ecológica

A pitangueira possui valor ecológico importante.

Seus frutos são consumidos por aves e outros animais, ajudando a integrar a espécie às cadeias alimentares locais.

Por esse motivo, ela pode ser utilizada em projetos de:

  • restauração de áreas degradadas;

  • arborização rural;

  • jardins para atração de fauna;

  • recuperação de áreas de preservação;

  • sistemas agroflorestais.

O cultivo da pitangueira pode, portanto, produzir frutos para as pessoas e, simultaneamente, oferecer alimento para a fauna.


Etnobotânica da pitangueira

O uso medicinal das folhas está profundamente inserido na cultura popular brasileira.

Levantamentos etnobotânicos registram diferentes usos conforme a região.

Em comunidades brasileiras, as folhas aparecem na preparação de chás utilizados para problemas digestivos, febre, gripe, dores e outros problemas de saúde. Há registros também em comunidades indígenas e tradicionais. 

Na medicina popular, a folha é frequentemente associada a propriedades:

  • adstringentes;

  • digestivas;

  • antidiarreicas;

  • diuréticas;

  • calmantes;

  • hipotensoras.

Nem todas essas propriedades possuem o mesmo nível de comprovação científica.

Esse é justamente um dos aspectos mais interessantes da etnobotânica: o conhecimento tradicional pode indicar caminhos para a pesquisa científica, mas cada uso precisa ser investigado individualmente.


Pitanga na Medicina Tradicional Chinesa

A Eugenia uniflora não é uma espécie clássica da farmacopeia tradicional chinesa.

Por isso, não seria adequado atribuir-lhe, como se fossem dados tradicionais estabelecidos, classificações como “natureza quente ou fria”, sabor, meridianos ou indicações específicas da MTC.

Na perspectiva da dietética chinesa contemporânea, entretanto, o fruto pode ser considerado dentro da alimentação por seu sabor, aroma e composição.

A pitanga é uma fruta ácida e aromática e pode integrar uma alimentação diversificada.

Qualquer interpretação energética específica da fruta ou das folhas deve ser considerada uma adaptação contemporânea, e não uma propriedade clássica comprovada da matéria médica chinesa.


Pitanga na homeopatia

Também é necessário separar a fitoterapia da homeopatia.

Na homeopatia clássica, a indicação de um medicamento depende da matéria médica e da experimentação homeopática, e não simplesmente das propriedades farmacológicas observadas na planta.

Embora Eugenia uniflora seja uma planta medicinal amplamente estudada, os resultados que demonstram atividade antioxidante, anti-inflamatória ou hipotensora não constituem evidência de eficácia de uma preparação homeopática da espécie.

Por isso, não é adequado transformar as propriedades farmacológicas da pitangueira em indicações homeopáticas sem uma fonte específica e confiável de matéria médica.


Curiosidades sobre a pitanga

🌿 A pitangueira é nativa do Brasil e possui ampla importância ecológica e cultural.

🍒 O fruto não é necessariamente vermelho. Existem pitangas alaranjadas, amarelas e roxas.

🧬 A genética influencia muito a composição do fruto. Diferentes genótipos podem apresentar diferenças importantes de cor, sabor e compostos bioativos.

❤️ A pitanga possui interesse cardiovascular. Estudos experimentais investigam seus efeitos antioxidantes e anti-hipertensivos, mas ainda faltam ensaios clínicos robustos para confirmar seu uso como tratamento da hipertensão. 

🍅 É rica em carotenoides. O licopeno é um dos compostos de destaque em determinadas variedades.

🟣 A pitanga roxa é especialmente interessante pelas antocianinas, pigmentos associados à sua coloração escura. 

🐦 É alimento para a fauna, especialmente aves frugívoras.

🌱 Pode ser usada em restauração ecológica, além de produzir frutos.


Pitanga: o que podemos afirmar com segurança?

✔ Bem documentado

  • É uma espécie nativa do Brasil.

  • Seus frutos são comestíveis.

  • Apresenta carotenoides, flavonoides, fenólicos e outros compostos bioativos.

  • Possui atividade antioxidante demonstrada em estudos laboratoriais.

  • As folhas apresentam flavonoides, taninos, compostos fenólicos e óleo essencial.

  • Existe amplo uso tradicional das folhas na medicina popular.

  • Existem estudos experimentais sobre efeitos anti-inflamatórios, digestivos e cardiovasculares.

  • Estudos em animais indicam potencial anti-hipertensivo.

⚠ Ainda requer cautela

  • Considerar o chá de folhas um tratamento comprovado para hipertensão.

  • Substituir medicamentos anti-hipertensivos pela pitanga.

  • Utilizar extratos concentrados sem orientação.

  • Ingerir óleo essencial de pitanga por conta própria.

  • Afirmar que a pitanga trata diabetes, câncer ou outras doenças com base apenas em estudos laboratoriais.


Conclusão

A pitanga (Eugenia uniflora L.) é uma das mais interessantes árvores frutíferas nativas do Brasil.

Seu fruto, além de saboroso, apresenta uma combinação de carotenoides, fenólicos, flavonoides e antocianinas, tornando-o um alimento de interesse nutricional e nutracêutico.

As folhas possuem uma longa história de utilização na medicina popular e são objeto de pesquisas que investigam atividades antioxidantes, anti-inflamatórias, digestivas e cardiovasculares.

Entre essas pesquisas, o possível efeito hipotensor merece atenção. A tradição popular e os estudos experimentais oferecem uma base interessante, mas a evidência clínica humana ainda não é suficiente para afirmar que a pitanga seja um tratamento comprovado para hipertensão.

Como alimento, entretanto, a situação é muito mais simples: a pitanga madura é uma fruta brasileira saborosa, versátil e rica em compostos bioativos, podendo ser consumida fresca ou utilizada em sucos, geleias, doces e outras preparações.

Na horta ou no quintal, a pitangueira ainda oferece flores para polinizadores e frutos para aves.

Cultivar uma pitangueira é, portanto, muito mais do que plantar uma árvore frutífera. É cultivar um pedaço da biodiversidade brasileira, da cultura popular e da nossa memória afetiva.

Referências científicas e fontes

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Plants of the World Online – Eugenia uniflora

2. CNCFlora/Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Eugenia uniflora L. Taxonomia e sinonímia. 
CNCFlora – Eugenia uniflora

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Revista do Instituto Adolfo Lutz – artigo de revisão

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SciELO/Scientia Agricola – Fenólicos e carotenóides totais em pitanga

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PubMed – composição de carotenoides da pitanga

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PubMed – compostos bioativos dos frutos de pitanga

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Revisão sobre composição e bioatividade da pitanga

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TBCA – composição nutricional da pitanga

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SciELO – propagação da pitangueira

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Embrapa – cultivo de mudas de pitangueira



Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Aspecto do fruto - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 09/2026

Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Ramo com frutos maduros e imaturos - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 09/2026

Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Ramo com frutos maduros e imaturos - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 09/2026

Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 08/2026

Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Arvore florida - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 08/2026


Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 08/2026


Pitanga (Eugenia uniflora L.) - Ramo florido - Foto: José Carlos Bueno - Socorro-SP - 08/2026



sexta-feira, 24 de abril de 2026

Maravilha (Mirabilis jalapa): usos tradicionais, ciência e cultivo da flor quatro-horas

 

🌸 Maravilha (Mirabilis jalapa) é aquela flor que abre ao fim da tarde e perfuma o jardim! Muito usada como ornamental, seus extratos têm sido estudados por atividade anti-inflamatória e analgésica em pesquisas científicas. Na tradição popular, partes da planta ganharam usos diversos, mas é importante lembrar que sementes e raízes podem ser tóxicas. Ideal para jardins e para aprender sobre plantas com história, ela encanta pelo colorido e aroma — sempre com segurança e respeito ao conhecimento tradicional 🌿✨


Com flores que desabrocham no fim da tarde como mágica, a maravilha é muito mais do que enfeite — ela carrega saberes tradicionais, potencial fitoterápico e uma presença marcante nos jardins do Brasil e do mundo.


🌱 Identificação botânica

  • Nome científico: Mirabilis jalapa L.

  • Sinonímias relevantes: Mirabilis dichotoma L., Mirabilis odorata L., Nyctago jalapa (L.) DC. (Plantamed)

  • Família: Nyctaginaceae

🌸 Nomes populares

Maravilha, boas-noites, bonina, belas-noites, jalapa-do-mato, dondiego da noite. (Plantamed)


📚 Classificação botânica (APG IV)

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Ordem: Caryophyllales

  • Família: Nyctaginaceae

  • Gênero: Mirabilis

  • Espécie: Mirabilis jalapa 


🌿 Descrição botânica

A maravilha, também chamada de “quatro-horas”, é uma planta herbácea que muitas vezes se comporta como anual em climas frios ou como perene onde o clima é mais quente. Ela cresce com caule ereto, folhas opostas e flores vistosas em forma de trombeta que se abrem no fim da tarde — por volta das quatro horas — e exalam perfume à noite, atraindo polinizadores noturnos como mariposas. 

As flores podem surgir em diversas cores (amarelo, rosa, vermelho, branco) muitas vezes misturadas na mesma planta, o que chama a atenção tanto de jardineiros quanto de observadores da natureza. A raiz é geralmente tuberosa, o que permite à planta sobreviver a períodos adversos. 


🌎 Origem e distribuição

Originária das regiões tropicais da América Central e do Sul (incluindo México e áreas andinas), a maravilha foi disseminada pelo mundo como planta ornamental desde o século XVI e hoje já se naturalizou em muitas regiões tropicais, subtropicais e temperadas, inclusive no Brasil. Ela aparece em jardins, bordas de caminhos e áreas perturbadas, às vezes com comportamento invasivo se não for manejada. 


🌿 Usos medicinais e indicações fitoterápicas

Tradicionalmente, diversas culturas utilizam partes da Mirabilis jalapa para fins medicinais, incluindo aplicações que envolvem:

  • Redução de inflamações

  • Alívio de dores musculares

  • Tratamento de cólicas abdominais e diarreia

  • Auxílio em infecções leves

  • Uso vulnerário (para apoio à cicatrização) (PubMed)

Estudos científicos confirmam que extratos da planta podem apresentar atividade anti-inflamatória e antinociceptiva (redução da percepção de dor) em modelos experimentais em animais, apoiando parte dos usos tradicionais. (PubMed)

⚠️ Apesar desse potencial, a maioria dos usos fitoterápicos ainda não foi suficientemente testada em humanos, e a prática deve sempre respeitar orientação profissional qualificada.


🧪 Constituintes fitoquímicos

Pesquisas mostram que a maravilha contém uma variedade de compostos bioativos, incluindo:

  • Flavonoides e compostos fenólicos (associados a propriedades antioxidantes)

  • Betaxantinas e pigmentos nas flores, usados tradicionalmente como corantes alimentares

  • Fitoesteróis como β-sitosterol

  • Ácidos triterpênicos como ácido ursólico

  • Compostos com potencial atividade antimicrobiana responderam por atividade contra alguns microrganismos em estudos laboratoriais 

Esses compostos contribuem à diversidade de atividades biológicas observadas em extratos da planta.


⚠️ Toxicidade e interações medicamentosas

A literatura aponta que algumas partes da planta, como sementes e raízes, podem conter substâncias potencialmente tóxicas se ingeridas em alta quantidade. (Agrolink)

Além disso:

  • Uso interno sem orientação pode ser inseguro

  • Interações com medicamentos modernos não foram bem estudadas

  • Sempre consultar profissional antes de uso medicinal (Agrolink)


🍵 Modo de uso (tradicional)

Na tradição popular, prepara-se:

  • Infusão suave de folhas para aliviar desconfortos leves

  • Decocções em pequenas quantidades para usos tópicos

  • Preparações externas (compressas) para apoio à pele inflamada

⚠️ A grande maioria desses usos não tem comprovação clínica em humanos, por isso a ênfase é em tradição popular, não prescrição médica.


🧆 Usos como PANC (Planta Alimentícia Não Convencional)

Há registros de uso das folhas cozidas como alimento de emergência em algumas regiões, mas isso não é comum nem rotineiro. 

Além disso, as flores foram tradicionalmente usadas para extrair corantes naturais comestíveis para bolos e jaleias em algumas culturas. 

Deve-se tomar cuidado com o consumo, dada a toxicidade potencial de partes da planta.


🧪 Bromatologia (valor nutricional)

Não há estudos amplamente aceitos que quantifiquem o perfil nutricional de Mirabilis jalapa como alimento. O uso alimentar é raro e tradicional, sem base nutricional detalhada em literatura científica confiável.


🍽️ Receita tradicional simples

Uma receita tradicional associada ao uso cultural das flores é a extração de corante natural:

Corante de flores de maravilha

Ingredientes:

  • Flores frescas coloridas

  • Água

Modo de preparo:

  1. Limpe as flores e retire pétalas.

  2. Aqueça lentamente com água suficiente para cobrir, até liberar pigmento.

  3. Coe e utilize essa água colorida para tingir massas ou jaleias.

⚠️ A coloração tem valor culinário tradicional, mas não representa uso medicinal comprovado.


🌸 Uso ornamental

A maravilha é uma estrela nos jardins graças às flores que se abrem no final da tarde e perfumam o ambiente, atraindo mariposas e outros polinizadores. Ela pode ser plantada em:

  • canteiros floridos

  • bordaduras

  • vasos e jardineiras

  • muros ajardinados

Por seu crescimento rápido e alta produção de sementes, pode se tornar espontânea em áreas abertas, exigindo manejo para não dominar o espaço. 


🌱 Dicas de cultivo

  • Solo: bem drenado e fértil

  • Clima: prefere sol pleno e calor; sensível a geadas

  • Propagação: por sementes

  • Flores: começam no fim da tarde e duram parte da noite

É fácil de cultivar e ideal para iniciantes em jardinagem.


🌟 Curiosidades

  • O nome “quatro-horas” vem da hora em que as flores tradicionalmente abrem ao final da tarde. 

  • As flores podem variar duas ou mais cores num mesmo pé. 

  • A espécie foi amplamente usada por botanistas históricos e teve papel em estudos genéticos clássicos. (Google Sites)


📚 Referências

  1. Mirabilis jalapa — Wikipedia EN (uso, origem, cultivo) (Wikipedia)

  2. Maravilha (planta) — Wikipedia PT (descrição e nomes populares) (Wikipédia)

  3. Anti-inflammatory activity of Mirabilis jalapa leaves — PubMed (atividade anti-inflamatória) (PubMed)

  4. Antinociceptive Activity of Mirabilis jalapa — PubMed (analgésico em modelo animal) (PubMed)

  5. Mirabilis jalapa uses and distribution — Wikipedia ES (Wikipedia)

  6. Antioxidant & antimicrobial properties — estudo fitoquímico geral (ScienceDirect)

  7. Ornamentação e invasividade — Flora local (Google SitesResumo para Instagram (até 100 palavras)


Maravilha (Mirabilis jalapa L.) - Ramo com flores e frutos - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas - 03/2026

Maravilha (Mirabilis jalapa L.) - Ramo com flores e frutos - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas - 03/202

Maravilha (Mirabilis jalapa L.) - Ramo com flores e frutos - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas - 03/202

Maravilha (Mirabilis jalapa L.) - Ramo com flores e frutos - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas - 03/202

Maravilha (Mirabilis jalapa L.) - Ramo com flores e frutos - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas - 03/202

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Maravilha (Mirabilis jalapa L.) - Ramo com flores - Foto: José Carlos Bueno - Poços de Caldas - 03/202


domingo, 14 de setembro de 2025

Jabuticaba

 

🔬 Jabuticabeira (Plinia cauliflora): fonte de antocianinas e potencial nutracêutico
Estudos confirmam que a jabuticaba apresenta elevadas concentrações de antocianinas e compostos fenólicos, antioxidantes naturais com ação anti-inflamatória, cardioprotetora e preventiva contra doenças crônicas. Além de seu valor cultural e gastronômico, a espécie é considerada uma PANC de grande relevância, unindo tradição alimentar e evidências científicas em saúde. Descubra suas propriedades nutracêuticas, medicinais e PANC, aprenda receitas caseiras e veja como aproveitar essa joia nativa da nossa biodiversidade!

🌳 Ficha Técnica — Jabuticaba (Plinia cauliflora)

Identificação

Nome científico: Plinia cauliflora (Mart.) Kausel (sin.: Myrciaria cauliflora, Myrciaria jaboticaba em muitos trabalhos).
Classificador: (Mart.) Kausel.
Família botânica: Myrtaceae.
Nomes populares: jabuticaba, jaboticaba, jabuticabeira, Brazilian grape tree.


Descrição botânica

A jabuticabeira é uma árvore perene, de porte geralmente pequeno a médio (2–10 m em cultivo, podendo atingir maiores alturas em condições naturais), de copa densa e tronco relativamente liso. As folhas são simples, opostas, coriáceas, de coloração verde-brilhante, com nervura central pouco saliente. A espécie é notável pela caulifloria: as flores e frutos nascem diretamente sobre o tronco e ramos grossos, em estróbilos florais discretos que se tornam os frutos globosos. As flores, pequenas e brancas, dão origem a bagas de casca espessa (epicárpio) e polpa branca, suculenta e perfumada. As raízes são do tipo pivotante, adaptadas a solos bem drenados; o sistema radicular permite resistência moderada a seca, mas a planta prefere solos férteis e umidade adequada. A fenologia varia por região: florescimento e frutificação podem ocorrer uma ou mais vezes ao ano, com picos sazonais dependendo do cultivar e clima (em muitos lugares a colheita principal ocorre no outono/inverno). 


Região de origem e ocorrência no Brasil

A jabuticabeira é nativa do Sudeste do Brasil, com registros históricos em Minas Gerais e estados vizinhos; hoje encontra-se amplamente cultivada e naturalizada em muitas regiões do país, especialmente em pomares domésticos, quintais e áreas de Mata Atlântica remanescente. A espécie também foi espalhada para outras regiões tropicais e subtropicais. 


Pigmentos (antocianinas): tipo, quantidade, uso e importância para a saúde

  • Tipo de pigmento: as cascas das jabuticabas acumulam antocianinas (grupo de flavonoides); compostos identificados incluem cianidina-3-glucosídeo e outros derivados glicosilados da cianidina e delfinidina, além de uma variedade de fenólicos e taninos. Essas moléculas conferem a coloração arroxeada-negra característica do fruto. 

  • Faixa de conteúdo: estudos reportam variações entre cultivares e métodos analíticos, com conteúdos de antocianinas na casca tipicamente entre ≈60 a >280 mg de cianidina-3-glucosídeo equivalente por 100 g de fruto (alguns trabalhos em farinhas/peels concentrados reportam valores ainda maiores — centenas a >1000 mg/100 g em preparações de casca seca). A variabilidade é alta entre variedades, estágio de maturação e método de extração.

  • Usos dos pigmentos: antocianinas são pigmentos funcionais utilizados em alimentos (corantes naturais), cosméticos e produtos nutracêuticos; a casca de jabuticaba tem sido transformada em farinhas, extratos e corantes naturais para aplicações alimentares e cosméticas. 

  • Importância para a saúde: antocianinas e outros fenólicos da jabuticaba exibem forte atividade antioxidante in vitro, além de efeitos antiinflamatórios, antimicrobianos e potenciais efeitos protetores sobre células hepáticas, metabolismo glicídico e até propriedades antitumorais observadas em estudos pré-clínicos. Esses efeitos sustentam o interesse nutracêutico dos frutos e de seus derivados. Contudo, muitos estudos são pré-clínicos ou in vitro; a biodisponibilidade e os efeitos em humanos dependem de dose e formulação. 


Usos medicinais (tradição e evidência)

  • Tradição popular: infusões e xaropes de jabuticaba são usados popularmente para tratar diarréias, inflamações da garganta e como tônico. Há usos tradicionais para problemas digestivos e na forma de xaropes e xarops caseiros. 

  • Evidência moderna: revisões e estudos apontam atividade antioxidante, antiinflamatória, antimicrobiana e citotóxica seletiva de extratos de casca e sementes; há também estudos sobre efeitos benéficos em marcadores metabólicos e potencial antitumoral em modelos experimentais. Ainda assim, indicações clínicas padronizadas para uso medicinal humano exigem ensaios clínicos mais robustos. 


Modo de usar e preparação (uso fitoterápico tradicional)

  • Infusão de casca: secar cascas, 1–2 g (ou 1 colher de sopa de casca picada) em 200–250 ml de água quente; infundir 5–10 minutos; coar e beber para uso adstringente/antidiarreico.

  • Xarope caseiro/extrato: cozinhar frutas com açúcar até reduzir e concentrar; usado tradicionalmente como tônico.

  • Extratos padronizados: em produção industrial, extratos de casca padronizados em antocianinas/compostos fenólicos são a forma farmacêutica mais controlada. SciELO+1


Indicações fitoterápicas (resumo)

  • Antioxidante e protetor celular (uso nutracêutico).

  • Adstringente e antidiarreico (uso popular).

  • Potencial anti-inflamatório e antimicrobiano (uso investigado).

  • Suporte metabólico (estudos sugerem efeitos em marcadores glicêmicos/hipolipemiantes em modelos experimentais). ScienceDirect+1


Receita extemporânea medicinal (caseira, tradicional)

Xarope concentrado de jabuticaba (uso como tônico/adstringente)

  • 1 kg de jabuticabas lavadas (frutas inteiras)

  • 500–800 g de açúcar orgânico (ajustar conforme preferência)

  • 500 ml de água
    Preparo: macere as frutas, ferva com água por 15–20 min em fogo baixo; coe separando o líquido; junte o açúcar ao líquido e cozinhe até atingir consistência de xarope; armazenar em frascos esterilizados. Dose: 1 colher de sopa diluída em água, 1–3x/dia, como tônico. (Uso tradicional; atenção a pessoas com restrição de açúcar). phcogrev.com


Usos como PANC e receita alimentar

  • Uso alimentar / PANC: frutos consumidos in natura; amplamente usados em sucos, geleias, vinhos, licores, sorvetes, e farinhas de casca. A casca (rica em fibras e antocianinas) é aproveitada industrialmente para farinhas e extratos funcionais. ScienceDirect+1

Receita — Geleia funcional de jabuticaba (caseira)

  • 1 kg de jabuticabas

  • 500–700 g de açúcar

  • Suco de 1 limão
    Preparo: cozinhar as jabuticabas com pouca água, passar por peneira para separar polpa e casca; juntar açúcar e limão; cozinhar até ponto; porcionar em potes. A geleia aproveita polpa e parte dos compostos da casca; ótima fonte de antioxidantes.


Bromatologia (componentes nutricionais e compostos bioativos)

Valores dependem de cultivar, maturação e se são analisados frutos inteiros ou casca concentrada. Abaixo, valores típicos / parâmetros de interesse encontrados em estudos (por 100 g de fruto fresco, valores aproximados):

  • Energia: ~50–80 kcal (fruto fresco).

  • Carboidratos (principalmente açúcares): 10–20 g.

  • Fibra dietética: 1–3 g (casca concentra muito mais fibra).

  • Vitamina C: valores relatados variam — alguns cultivares apresentam alto teor de vitamina C, até ≈50–160 mg/100 g em frutas selecionadas; variações grandes entre cultivares. 

  • Antocianinas (casca): comumente reportadas entre ≈60–300 mg c3g/100 g de fruto (em cascas ou expressando em cianidina-3-glucosídeo equivalente); preparações de casca seca / farinhas podem concentrar muito mais (centenas a >1000 mg/100 g, dependendo do método). PMC+1

  • Compostos fenólicos totais: altos (diversos estudos reportam elevada atividade fenólica). ScienceDirect

Observação: valores exatos variam fortemente por cultivar (p.ex. Sabará, Paulista, Grimal, Escarlate), estágio de maturação, condições de cultivo e método analítico; estudos recentes trazem faixas e médias que mostram potencial nutracêutico destacado. 


Possível toxicidade e interações medicamentosas

  • Toxicidade: fruto e casca são considerados seguros para consumo humano em quantidades alimentares normais. Não há relatos amplos de toxicidade da fruta madura em dietas convencionais. Estudos de extratos concentrados (sementes/cascas) demonstram atividade biológica que exige cautela em doses farmacológicas; portanto, extratos muito concentrados devem ser usados com supervisão. PMC+1

  • Interações: altas doses de polifenóis podem reduzir a absorção de ferro não heme; pessoas com anemia por deficiência de ferro devem considerar esse efeito. Como acontece com outros extratos ricos em polifenóis, podem haver interações teóricas com medicamentos que dependem de absorção intestinal; porém interações farmacológicas clinicamente relevantes são pouco documentadas e requerem mais estudos. ScienceDirect


Dicas de cultivo

  • Clima: tropical a subtropical; aprecia verões quentes e invernos amenos (tolerância limitada a geadas).

  • Solo: fértil, profundo, bem drenado, com boa matéria orgânica; pH levemente ácido a neutro.

  • Luminosidade: pleno sol a meia-sombra.

  • Plantio e manejo: propagação por sementes (germinabilidade rápida com material fresco) ou por estaquia/enchimento em viveiro; plantas jovens demandam irrigação regular; poda para manejo de copa e colheita facilitada. A jabuticabeira é de crescimento relativamente lento, com frutificação que começa alguns anos após o plantio (2–7 anos, conforme método de propagação e cultivar). 


Curiosidades

  • A jabuticaba é emblemática no Brasil: frutos que nascem no tronco atraem grande interesse visual e cultural; produtos locais (geleias, licores, vinhos, farinhas de casca) são tradicionais.

  • Pesquisas recentes avaliam reaproveitamento de resíduos de casca para extrair antocianinas e pectina, agregando valor e reduzindo desperdício. 


Bibliografia desta ficha (seleção das referências citadas)

  1. Mattos GN, et al. Anthocyanin Extraction from Jaboticaba Skin. Food Chemistry / PMC article, 2022. PMC

  2. Resende LM, et al. Characterization of jabuticaba peel flours and anthocyanin content. Food Chemistry / 2020. ScienceDirect

  3. Jornal JABB — Biochemical Characterization of Jabuticaba (Plinia cauliflora) varieties, 2024 (dados de antocianinas por variedade). sdiopr.s3.ap-south-1.amazonaws.com

  4. Bőcker R. Anthocyanin-rich jaboticaba fruit: Natural source of bioactive pigments. Review (2024). ScienceDirect

  5. Neves N. de Andrade et al. Identification and quantification of phenolic composition in jabuticaba (2021) — estudo comparativo de cultivares. ScienceDirect

  6. Sacchet C., et al. Antidepressant-Like and Antioxidant Effects of Plinia spp. PMC article, 2015. PMC

  7. Bueno TM, et al. Peel pretreatment effect and ultrasound-assisted extraction of phenolics from jabuticaba peel. Anais da ABC (2024). SciELO

  8. Silva JS, et al. Jabuticaba peel extracts in cosmetic/food applications. MDPI Cosmetics (2025). MDPI

  9. Review: Santos DT et al., Jabuticaba as a Source of Functional Pigments, Phcog Rev, 2009 — revisa propriedades das antocianinas e aplicações. phcogrev.com

  10. Missouri Botanical Garden / Plant Finder — Plinia cauliflora profile (descrição e distribuição). missouribotanicalgarden.org

Jaboticaba - Plinia cauliflora (Mart.) Kausel - Frutos pronto para consumo - Foto: José Carlos Bueno, Bueno Brandão-MG, setembro de 2025

Jaboticaba - Plinia cauliflora (Mart.) Kausel - Árvore em flor - Foto: José Carlos Bueno, Bueno Brandão-MG, setembro de 2025

Jaboticaba - Plinia cauliflora (Mart.) Kausel - Caule florido - Foto: José Carlos Bueno, Bueno Brandão-MG, setembro de 2025

Jaboticaba - Plinia cauliflora (Mart.) Kausel - Ramo e folhas, caule florido em segundo plano - Foto: José Carlos Bueno, Bueno Brandão-MG, setembro de 2025


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