sábado, 19 de setembro de 2026

Melissa officinalis: erva-cidreira, planta medicinal, antioxidante e aliada da tranquilidade

 

🌿 Melissa, a verdadeira erva-cidreira!

A Melissa officinalis é uma planta aromática tradicionalmente usada para aliviar o estresse leve, auxiliar o sono e favorecer o conforto digestivo. Suas folhas são ricas em ácido rosmarínico, flavonoides e outros compostos antioxidantes. Estudos clínicos também investigam sua possível ação sobre a pressão arterial. 🍋 Além do uso medicinal, suas folhas são comestíveis e podem aromatizar chás, saladas, sucos e sobremesas. Cultive em local seguro e longe de agrotóxicos e contaminantes. 🌱

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A delicada “erva-cidreira” que perfuma o jardim e atravessa séculos de tradição medicinal

Poucas plantas medicinais são tão agradáveis de cultivar e utilizar quanto a Melissa officinalis, conhecida no Brasil como erva-cidreira, melissa ou cidreira-verdadeira.

Quando suas folhas são amassadas, liberam um aroma fresco e agradável, lembrando limão. Esse perfume, associado ao sabor delicado e às propriedades tradicionalmente atribuídas à planta, fez da melissa uma das ervas mais populares para preparar aquele conhecido chá tomado no final do dia.

Mas a Melissa officinalis é muito mais interessante do que um simples “chá calmante”. Suas folhas concentram ácido rosmarínico, flavonoides, ácidos fenólicos e componentes do óleo essencial, como citral, citronelal, geranial e neral. Esses constituintes ajudam a explicar a atividade antioxidante observada em estudos experimentais e parte das propriedades farmacológicas investigadas pela ciência.

Há também evidências clínicas de interesse. Estudos com preparações de Melissa officinalis investigaram efeitos sobre ansiedade, sono, sintomas digestivos e parâmetros cardiovasculares. Uma revisão sistemática de ensaios clínicos encontrou associação entre o consumo de melissa e redução da pressão arterial sistólica, embora os próprios autores ressaltem limitações importantes, como o pequeno número de estudos e risco de viés.

Assim, a melissa merece seu lugar tanto na horta medicinal e culinária quanto na história da fitoterapia.


Identificação botânica

Nome científico: Melissa officinalis L.

Família: Lamiaceae

Gênero: Melissa

Nomes populares: erva-cidreira, cidreira, cidreira-verdadeira, melissa, cidrilha, meliteia, chá-da-França, limonete, citronela-menor, melissa-romana e folha-de-limão.

É importante não confundir a Melissa officinalis com outras plantas chamadas popularmente de “erva-cidreira” no Brasil, especialmente espécies dos gêneros Cymbopogon e Aloysia. Apesar do nome popular semelhante, são plantas botanicamente diferentes e possuem composição química distinta.

Clique aqui para ver as diferentes plantas chamada erva-cidreira.

Sinonímia botânica

Entre os sinônimos taxonômicos registrados para a espécie estão:

  • Faucibarba officinalis (L.) Dulac;

  • Mutelia officinalis (L.) Gren. ex Mutel;

  • Thymus melissa E.H.L.Krause.

O nome atualmente aceito é Melissa officinalis L.


Classificação botânica — APG IV

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Clado: Asterídeas

  • Ordem: Lamiales

  • Família: Lamiaceae

  • Gênero: Melissa

  • Espécie: Melissa officinalis L.

A família Lamiaceae reúne inúmeras plantas aromáticas e medicinais conhecidas, como hortelã, manjericão, alecrim, sálvia, tomilho, orégano e lavanda.


Como reconhecer a Melissa officinalis?

A melissa é uma planta herbácea perene, aromática e bastante ramificada, que geralmente apresenta porte entre aproximadamente 30 e 80 cm, dependendo das condições de cultivo.

Seus caules são caracteristicamente quadrangulares, uma característica frequente nas Lamiaceae. As folhas surgem aos pares, em disposição oposta, são verdes, relativamente macias, ovaladas e apresentam superfície levemente rugosa e margem serrilhada.

Quando uma folha é amassada entre os dedos, libera um aroma característico semelhante ao limão. Esse cheiro está relacionado principalmente aos componentes voláteis presentes nos tecidos da planta.

As flores surgem nas axilas das folhas, reunidas em pequenos grupos. São geralmente esbranquiçadas ou levemente amareladas, podendo apresentar tonalidades rosadas dependendo da população e das condições de cultivo. A floração atrai abelhas e outros insetos polinizadores.

Como ocorre com outras Lamiaceae aromáticas, a concentração dos compostos voláteis pode variar de acordo com idade da planta, ambiente, manejo, época de colheita e condições de secagem.


Origem e distribuição: uma planta europeia cultivada no Brasil

Ao contrário de algumas plantas medicinais brasileiras, a Melissa officinalis não é nativa do Brasil.

Sua distribuição natural está relacionada principalmente à região mediterrânea, Europa e áreas da Ásia Ocidental e Central.

Com o cultivo humano, entretanto, a espécie se espalhou por diferentes partes do mundo.

No Brasil, a melissa é uma planta introduzida e cultivada há mais de um século, especialmente em regiões de clima mais ameno. É encontrada em hortas domésticas, jardins, propriedades rurais e cultivos destinados à produção de plantas medicinais e aromáticas.

Regiões do Sul e áreas serranas apresentam condições particularmente favoráveis ao cultivo, embora a planta também possa ser cultivada em outras regiões mediante manejo adequado.


Melissa officinalis na fitoterapia

A melissa possui longa tradição de uso medicinal na Europa e em outras tradições fitoterápicas.

Atualmente, sua folha é reconhecida em monografias oficiais para o alívio de sintomas leves de estresse, auxílio ao sono e sintomas digestivos leves, como distensão abdominal e gases. A European Medicines Agency classifica essas indicações como baseadas principalmente no uso tradicional, e não como uma comprovação clínica robusta de eficácia para todas essas condições.

No Brasil, a Melissa officinalis também aparece em documentos regulatórios relacionados às plantas medicinais. A Farmacopeia Brasileira estabelece parâmetros de qualidade para a folha de melissa, incluindo marcadores químicos relacionados aos derivados hidroxicinâmicos e ao ácido rosmarínico.


Melissa e atividade antioxidante

Um dos aspectos mais interessantes da melissa é sua concentração de compostos fenólicos, especialmente o ácido rosmarínico.

Os compostos fenólicos são moléculas produzidas pelas plantas que podem exercer diferentes funções biológicas. Muitos apresentam capacidade de neutralizar espécies reativas em modelos experimentais, razão pela qual são estudados como antioxidantes.

Extratos de Melissa officinalis apresentam atividade antioxidante em diferentes métodos laboratoriais, e diversos trabalhos relacionam essa atividade ao conteúdo de ácido rosmarínico, ácido cafeico, flavonoides e outros polifenóis.

Entre os compostos mais importantes estão:

  • ácido rosmarínico;

  • ácido cafeico;

  • ácido protocatecuico;

  • luteolina;

  • derivados de luteolina;

  • quercitrina;

  • outros flavonoides e compostos fenólicos.

Entretanto, é importante não transformar essa informação em uma promessa terapêutica.

Demonstrar atividade antioxidante em laboratório não significa provar que o chá de melissa previne ou trata doenças relacionadas ao estresse oxidativo em seres humanos.

A atividade antioxidante é biologicamente interessante, mas a aplicação clínica depende da dose, preparação, absorção, metabolismo e resultados de estudos em humanos.


Melissa e pressão arterial

A relação entre Melissa officinalis e o sistema cardiovascular vem sendo investigada.

Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados avaliou diferentes desfechos cardiometabólicos. Os autores encontraram associação entre o consumo de preparações de melissa e redução da pressão arterial sistólica, além de redução do colesterol total em alguns estudos.

Os resultados para a pressão arterial diastólica, glicemia, hemoglobina glicada e outros parâmetros não apresentaram o mesmo padrão de significância.

Além disso, os autores destacaram que havia poucos estudos disponíveis e risco de viés considerável em parte dos trabalhos.

Um ensaio clínico duplo-cego, randomizado e cruzado, realizado com pessoas com hipertensão essencial, também investigou Melissa officinalis e pressão arterial durante períodos de tratamento e placebo.

Portanto, existe evidência clínica de interesse para um possível efeito hipotensor, mas ela ainda não é suficiente para considerar a melissa um tratamento substitutivo para hipertensão.

Quem utiliza medicamentos anti-hipertensivos não deve suspender ou reduzir a medicação por conta própria para utilizar chá ou extrato de melissa.


Melissa para ansiedade, estresse e sono

Essa é uma das utilizações mais tradicionais da planta.

Preparações das folhas são utilizadas há séculos em diferentes tradições europeias como bebida relaxante e para desconfortos relacionados à tensão e ao sono.

Revisões da literatura identificam estudos clínicos envolvendo ansiedade, humor, cognição e sono, embora a qualidade e o desenho desses estudos sejam bastante variados.

A EMA reconhece o uso tradicional da folha de melissa para:

  • sintomas leves de estresse;

  • auxílio ao sono;

  • desconfortos digestivos leves associados, por exemplo, a gases e distensão abdominal.

Isso não significa que a planta seja um tratamento para transtornos de ansiedade ou insônia crônica.

Sintomas persistentes, intensos ou acompanhados de sofrimento importante devem ser avaliados por profissional de saúde.


Melissa e sistema digestivo

A utilização da melissa após as refeições possui longa tradição.

A planta é tradicionalmente empregada como carminativa e antiespasmódica, termos que significam, respectivamente, auxiliar na redução de gases e aliviar espasmos da musculatura do aparelho digestivo.

Esse uso é coerente com a presença de compostos voláteis e fenólicos e com estudos experimentais que investigaram efeitos sobre a musculatura lisa e o sistema gastrointestinal.

Para sintomas digestivos leves e ocasionais, o tradicional chá de melissa pode ser utilizado como bebida, desde que a pessoa não tenha contraindicações específicas.

Sintomas recorrentes, dor abdominal persistente, vômitos, sangramento ou perda de peso não devem ser tratados apenas com plantas medicinais.


Constituintes fitoquímicos

A composição química da Melissa officinalis é bastante diversificada.

GrupoPrincipais exemplosInteresse
Ácidos fenólicosÁcido rosmarínico, ácido cafeicoAtividade antioxidante
FlavonoidesLuteolina, quercitrina e derivadosAtividade antioxidante e anti-inflamatória experimental
MonoterpenosCitral, citronelal, geraniolAroma e atividade biológica
Aldeídos monoterpênicosGeranial, neralComponentes importantes do óleo essencial
TriterpenosÁcido ursólico, ácido oleanólicoAtividades biológicas estudadas
Fitosteróisβ-sitosterol e outrosInteresse bioquímico
Taninos e outros polifenóisDiversosAtividade antioxidante

O ácido rosmarínico merece destaque. Ele é um dos principais marcadores fitoquímicos da folha de melissa e também está presente em outras Lamiaceae, como alecrim, sálvia, manjericão e hortelã.

O óleo essencial possui composição variável. Entre seus componentes podem aparecer citral, geranial, neral, citronelal, geraniol e outros terpenos, mas suas proporções podem mudar bastante conforme origem genética, idade da planta, clima, cultivo, colheita e processamento.


Toxicidade, contraindicações e interações

A melissa é geralmente considerada uma planta de boa tolerabilidade quando utilizada nas formas tradicionais e nas condições recomendadas.

Isso, porém, não significa que seja completamente isenta de cuidados.

Sonolência

Como a planta pode apresentar efeito relaxante e sedativo, especialmente em determinadas preparações e associações, recomenda-se cautela quando utilizada juntamente com:

  • medicamentos sedativos;

  • hipnóticos;

  • álcool;

  • outras plantas com efeito sedativo.

Pode haver aumento da sonolência em algumas pessoas.

Medicamentos para pressão

Como existem estudos indicando possível redução da pressão arterial, pessoas que utilizam anti-hipertensivos devem evitar o uso excessivo de extratos concentrados sem acompanhamento profissional.

Medicamentos para tireoide

Há estudos experimentais discutindo possíveis interações da melissa com a função tireoidiana, mas não existem evidências clínicas suficientes para estabelecer uma interação medicamentosa definitiva.

Por precaução, pessoas em tratamento de doenças da tireoide devem conversar com profissional de saúde antes de utilizar regularmente extratos concentrados.

Gestação e lactação

A segurança de preparações medicinais de Melissa officinalis durante a gestação e lactação não está suficientemente estabelecida.

Por isso, o uso medicinal concentrado não deve ser recomendado nesses períodos sem orientação profissional.

Crianças

A monografia europeia recomenda que as preparações medicinais de folha de melissa destinadas às indicações tradicionais avaliadas sejam utilizadas em maiores de 12 anos, devido à insuficiência de dados para crianças menores.


Modo de uso: o tradicional chá de melissa

A forma mais conhecida de utilização doméstica é a infusão das folhas.

Chá de erva-cidreira

Ingredientes:

  • 1 colher de sopa de folhas frescas picadas ou quantidade equivalente de folhas secas;

  • 200 a 250 ml de água.

Preparo:

Aqueça a água até o início da fervura. Desligue o fogo, acrescente as folhas, tampe e deixe em infusão por cerca de 5 a 10 minutos.

Depois, coe.

Pode ser consumido quente ou frio.

Para uma bebida de uso cotidiano, é interessante utilizar uma quantidade moderada de folhas, preservando o aroma delicado da planta.

Importante: esta receita é apresentada como uso alimentar tradicional e não como prescrição para hipertensão, ansiedade, insônia ou qualquer doença.

Para uso medicinal com produtos padronizados, devem ser seguidas as orientações do produto e de profissional habilitado.


Melissa como planta alimentícia e PANC

As folhas da Melissa officinalis são comestíveis e tradicionalmente utilizadas como erva aromática, especialmente em bebidas, sobremesas, saladas e preparações culinárias.

Embora não seja uma espécie nativa brasileira, suas folhas podem integrar o repertório de plantas alimentícias cultivadas em hortas domésticas e utilizadas de maneira não convencional, dependendo do conceito de PANC adotado.

Seu sabor é delicadamente cítrico e refrescante.

As folhas jovens são particularmente agradáveis para:

  • saladas;

  • águas aromatizadas;

  • chás;

  • sucos;

  • sobremesas;

  • geleias;

  • molhos;

  • bebidas sem álcool;

  • vinagres aromáticos;

  • temperos.

Uma característica importante é que o calor prolongado pode reduzir parte dos compostos aromáticos voláteis. Por isso, em algumas preparações, as folhas frescas podem ser adicionadas no final.


Receita PANC: salada fresca de melissa, frutas e folhas verdes

Ingredientes

  • folhas verdes variadas;

  • 1 maçã ou pera;

  • 6 a 10 folhas frescas de melissa;

  • algumas folhas de hortelã, opcional;

  • suco de meio limão;

  • azeite de oliva;

  • pequena quantidade de sal.

Preparo

Lave cuidadosamente as folhas. Corte a fruta em pequenos pedaços e misture com as folhas verdes.

Rasgue delicadamente as folhas de melissa e acrescente à salada.

Finalize com limão e azeite.

A melissa fornece aroma cítrico natural e pode reduzir a necessidade de utilizar ingredientes muito intensos no tempero.


Informações nutricionais e nutracêuticas

A folha de melissa contém fibras, minerais, compostos fenólicos e outras substâncias bioativas. Entretanto, não existe uma composição nutricional única que possa ser aplicada a todas as folhas de melissa.

A concentração dos componentes varia de acordo com:

  • cultivar;

  • condições de cultivo;

  • idade da planta;

  • época da colheita;

  • parte utilizada;

  • secagem;

  • armazenamento.

Por isso, para o uso culinário, é mais interessante considerar a melissa como uma erva aromática e fonte de compostos bioativos, e não como uma fonte significativa de proteínas, carboidratos, vitaminas ou minerais em razão das pequenas quantidades normalmente consumidas.

Seu principal interesse nutracêutico está relacionado aos polifenóis, especialmente ácido rosmarínico e flavonoides, além de componentes do óleo essencial.


Segurança no uso alimentar: a origem da planta importa

Essa recomendação vale para a melissa e para qualquer outra planta destinada à alimentação.

Nunca colha folhas para consumo em locais de origem desconhecida.

Evite plantas:

  • próximas a rodovias;

  • à beira de estradas;

  • próximas a lavouras tratadas com agrotóxicos;

  • perto de áreas pulverizadas com herbicidas;

  • junto a esgoto ou águas contaminadas;

  • em terrenos onde tenham sido aplicados produtos químicos desconhecidos;

  • em locais frequentados por animais.

Para utilizar melissa como alimento, prefira cultivo próprio ou procedência conhecida e destinada à alimentação.

Essa é uma das grandes vantagens de manter uma pequena horta medicinal: além de conhecer a espécie, é possível controlar o solo, a água, os fertilizantes e a ausência de contaminantes.


Como cultivar Melissa officinalis

A melissa é relativamente fácil de cultivar em condições adequadas.

Clima

Prefere climas amenos, embora possa ser cultivada em diferentes regiões brasileiras.

Em regiões muito quentes, pode beneficiar-se de alguma proteção durante as horas de maior insolação.

O excesso de calor associado à seca pode reduzir o vigor da planta.

Luminosidade

Desenvolve-se bem com boa luminosidade.

Em regiões de clima ameno, pode receber bastante sol. Em regiões muito quentes, a meia-sombra pode ajudar a proteger as folhas.

Solo

Prefere solos:

  • férteis;

  • ricos em matéria orgânica;

  • bem drenados;

  • com boa retenção de umidade, sem encharcamento.

A incorporação de composto orgânico bem curtido antes do plantio pode favorecer o desenvolvimento.

Rega

A melissa aprecia umidade regular.

O solo deve permanecer úmido, mas nunca encharcado.

Em períodos quentes e secos, a irrigação deve ser mais frequente.

Propagação

Pode ser propagada por:

  • sementes;

  • divisão de touceiras;

  • estacas.

A propagação vegetativa é particularmente interessante quando se deseja multiplicar uma planta-mãe vigorosa e com bom aroma.

Estudos brasileiros de cultivo também demonstram que o manejo e a adubação nitrogenada podem alterar a produção de biomassa da espécie.


Quando colher?

As folhas podem ser colhidas ao longo do desenvolvimento da planta.

Para uso culinário, podem ser retiradas folhas jovens e saudáveis conforme a necessidade.

Para produção de material medicinal ou aromático, a época de corte é importante porque a concentração dos constituintes químicos varia durante o desenvolvimento.

Depois da colheita, as folhas destinadas à secagem devem ser mantidas em local limpo, seco, ventilado e protegido da luz solar direta.

O armazenamento deve ser feito somente depois de completamente secas, em recipiente bem fechado e protegido da umidade.


Melissa na Medicina Tradicional Chinesa

A Melissa officinalis não é uma das plantas clássicas mais tradicionais da farmacopeia chinesa, portanto é necessário evitar atribuir à espécie uma classificação energética tradicional que não esteja bem documentada.

Na dietética chinesa contemporânea, entretanto, a melissa pode ser considerada uma erva aromática de sabor levemente doce e cítrico, utilizada principalmente como alimento e bebida.

É importante não transformar essa interpretação em uma prescrição tradicional chinesa.

Expressões como “tonifica o Qi do Baço”, “move o Qi do Fígado” ou “elimina Umidade” não devem ser apresentadas como propriedades clássicas comprovadas da Melissa officinalis sem referência específica da matéria médica chinesa.

Por isso, neste blog, é mais adequado apresentar a melissa na MTC como planta aromática de uso alimentar e complementar, sem atribuir-lhe uma classificação energética tradicional definitiva.


Melissa na homeopatia

A Melissa officinalis também aparece em algumas fontes relacionadas à homeopatia, mas é importante separar a planta medicinal e seus efeitos farmacológicos da utilização homeopática.

Na homeopatia clássica, as indicações de um medicamento devem estar relacionadas à sua matéria médica e às patogenesias, e não simplesmente às propriedades químicas ou farmacológicas da planta original.

Assim, os estudos que demonstram atividade antioxidante, efeitos sobre pressão arterial ou ações sobre o sistema nervoso da Melissa officinalis não constituem evidência de eficácia de uma preparação homeopática de Melissa.

Também não é adequado atribuir à planta, em homeopatia, indicações específicas como ansiedade, insônia ou hipertensão apenas porque essas condições aparecem na literatura fitoterápica.

Para o uso homeopático, deve-se recorrer à matéria médica correspondente e à avaliação individual do paciente por profissional habilitado.


Melissa, abelhas e biodiversidade

O próprio nome do gênero, Melissa, está associado à palavra grega relacionada às abelhas.

A relação ecológica é bastante apropriada: suas flores são visitadas por abelhas e outros polinizadores.

Na tradição europeia, a planta ficou conhecida por sua associação com a apicultura. Existem relatos históricos de utilização da melissa em torno das colmeias para favorecer a atração de enxames.

Essa relação também torna a planta interessante para jardins sensoriais e espaços destinados à promoção da biodiversidade.

Cultivar melissa, portanto, pode ter uma função que vai além do uso medicinal: ela também contribui para criar um ambiente favorável aos polinizadores.


Melissa na história da medicina

A melissa possui uma longa história na medicina tradicional europeia.

Foi utilizada tradicionalmente para problemas digestivos, nervosismo, palpitações relacionadas à tensão, alterações do sono e diferentes desconfortos associados ao estado emocional.

A planta também ganhou destaque na tradição monástica europeia e na produção de preparações à base de ervas.

Um dos exemplos históricos mais conhecidos é a Água Carmelita ou Eau de Mélisse des Carmes, preparação tradicional aromática associada aos carmelitas franceses.

A história da melissa mostra como uma planta pode atravessar séculos mantendo simultaneamente funções medicinais, alimentares, aromáticas e culturais.


Melissa officinalis: o que a ciência realmente demonstra?

✔ Há boa base para afirmar que:

  • suas folhas contêm ácido rosmarínico e outros polifenóis;

  • possui atividade antioxidante demonstrada em estudos laboratoriais;

  • é tradicionalmente utilizada para sintomas leves de estresse;

  • é tradicionalmente utilizada como auxiliar do sono;

  • possui uso tradicional para desconfortos digestivos leves;

  • existem estudos clínicos sobre ansiedade, sono e cognição;

  • existem estudos clínicos investigando seus efeitos cardiovasculares;

  • uma metanálise de ensaios clínicos encontrou redução da pressão arterial sistólica em alguns estudos.

⚠ Ainda é necessário cuidado para afirmar que:

  • a melissa trata hipertensão;

  • substitui medicamentos anti-hipertensivos;

  • previne doenças cardiovasculares;

  • trata transtornos de ansiedade;

  • trata depressão;

  • possui efeito anticancerígeno comprovado em seres humanos;

  • seus efeitos antioxidantes laboratoriais necessariamente produzem prevenção de doenças.

A diferença entre essas duas listas é fundamental para uma comunicação responsável sobre plantas medicinais.


Conclusão

A Melissa officinalis, nossa conhecida erva-cidreira verdadeira, é uma planta que une aroma, tradição, alimentação e ciência.

Originária da Europa e regiões da Ásia Ocidental e Central, foi introduzida no Brasil e hoje está perfeitamente incorporada às hortas e jardins de muitas regiões do país.

Suas folhas são ricas em ácido rosmarínico, flavonoides, ácidos fenólicos e compostos voláteis, responsáveis por parte de suas propriedades biológicas e pelo agradável aroma de limão.

A ciência confirma uma expressiva atividade antioxidante em estudos experimentais e existem evidências clínicas de interesse sobre seus efeitos em parâmetros cardiovasculares, incluindo a pressão arterial. Entretanto, essas evidências ainda não justificam substituir medicamentos ou considerar a melissa um tratamento isolado para hipertensão.

Na fitoterapia tradicional, seu uso para estresse leve, auxílio ao sono e desconfortos digestivos leves possui documentação particularmente importante.

Na cozinha, suas folhas acrescentam aroma e frescor a saladas, bebidas, sobremesas e outras preparações.

E na horta, é uma planta relativamente fácil de cultivar, agradável ao toque e ao olfato e capaz de atrair abelhas e outros polinizadores.

Talvez seja justamente essa combinação que explique sua permanência ao longo dos séculos: a melissa é, ao mesmo tempo, erva medicinal, planta aromática, alimento, companheira da horta e parte de uma rica história cultural.

Referências científicas e fontes verificáveis

  1. Royal Botanic Gardens, Kew — Plants of the World Online. Melissa officinalis L.: taxonomia, distribuição e sinonímia. Plants of the World Online – Melissa officinalis

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    Biblioteca Digital ANVISA – Melissa, folha

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  13. Instituto Agronômico de Campinas – IAC. Produtividade da biomassa de Melissa officinalis (L.) em função do manejo cultural e da fertilização nitrogenada. IAC – estudo de cultivo da Melissa officinalis

  14. Medeiros, A.P.R. et al. – UFLA/CAPES. Melissa officinalis L.: cultivo com água magnetizada, reguladores de crescimento e elicitores afetam a produção de óleo essencial. Repositório UFLA/CAPES – estudo de cultivo da melissa









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