domingo, 18 de outubro de 2026

Hortelã-da-folha-grossa (Coleus amboinicus Lour.): benefícios, usos medicinais, PANC e cultivo

🌿 Hortelã-da-folha-grossa (Coleus amboinicus): uma planta aromática muito conhecida nos quintais brasileiros! Suas folhas carnudas são usadas tradicionalmente em preparações caseiras e também podem dar sabor a molhos, legumes e pastas. Estudos identificam compostos fenólicos, flavonoides e terpenos com atividade antioxidante e antimicrobiana em laboratório. 🔬 Mas ainda faltam estudos clínicos robustos para confirmar sua eficácia medicinal. Cultive em local seguro e experimente seu sabor na cozinha! 🌱

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Uma planta aromática dos quintais brasileiros

Quem tem uma hortinha medicinal provavelmente já encontrou a hortelã-da-folha-grossa, uma planta de folhas carnudas, macias e muito aromáticas. Conhecida em diferentes regiões como malvarisco, hortelã-gorda, hortelã-graúda ou malva-do-reino, ela faz parte da tradição popular de muitos lares brasileiros.

Seu aroma intenso lembra uma mistura de hortelã e orégano, o que também permite explorar suas folhas na cozinha. Além do uso condimentar, a espécie é tradicionalmente empregada em preparações caseiras para tosse e desconfortos respiratórios.

A ciência tem investigado sua composição química, rica em substâncias voláteis, compostos fenólicos e flavonoides. Estudos experimentais identificaram atividades antioxidantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias, mas esses resultados ainda não comprovam, por si só, que a planta trate doenças em seres humanos.

Neste artigo, vamos conhecer sua identificação botânica, seus usos tradicionais, suas possibilidades culinárias como PANC, seus principais compostos e os cuidados necessários para cultivá-la e utilizá-la com responsabilidade.


1. Identificação botânica

Nome científico

Coleus amboinicus Lour.

A espécie pertence à família Lamiaceae, a mesma do manjericão, da hortelã, do alecrim, da sálvia e do orégano. Essa família reúne numerosas plantas aromáticas utilizadas na alimentação, na medicina tradicional e na produção de óleos essenciais.

Sinonímia botânica

Um nome científico muito encontrado na literatura é Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng., utilizado em numerosos artigos científicos, livros e materiais de fitoterapia.

Com a revisão taxonômica do gênero, Plectranthus amboinicus passou a ser tratado como sinônimo de Coleus amboinicus em bases taxonômicas como Plants of the World Online, do Royal Botanic Gardens, Kew.

Outro sinônimo registrado é Coleus aromaticus Benth.

Por isso, ao pesquisar trabalhos científicos sobre a hortelã-da-folha-grossa, vale consultar tanto o nome atualmente aceito quanto o sinônimo Plectranthus amboinicus.

Nomes populares

Os nomes populares variam conforme a região e podem ser compartilhados por espécies diferentes. Entre os mais utilizados para essa planta estão:

  • Hortelã-da-folha-grossa;

  • hortelã-gorda;

  • hortelã-graúda;

  • malvarisco;

  • malva-do-reino;

  • malvariço;

  • boldo-gambá, em algumas localidades.

A identificação exclusivamente pelo nome popular pode causar confusão, especialmente porque outras plantas também são chamadas de boldo ou hortelã. Para fins medicinais, é importante confirmar a espécie botânica.


2. Classificação botânica – APG IV

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Clado: Eudicotiledôneas nucleares

  • Clado: Astéridas

  • Clado: Lamiídeas

  • Ordem: Lamiales

  • Família: Lamiaceae

  • Gênero: Coleus

  • Espécie: Coleus amboinicus Lour.

A espécie integra a ordem Lamiales, que reúne várias famílias de plantas com flores, incluindo Lamiaceae. Muitas espécies dessa família apresentam folhas aromáticas e glândulas que produzem óleos essenciais.


3. Descrição botânica

A hortelã-da-folha-grossa é uma erva perene de crescimento vigoroso, com caules carnudos que podem se tornar parcialmente lenhosos à medida que envelhecem. Seu porte costuma ser baixo, com ramos que se espalham pelo solo ou se elevam, formando uma touceira compacta.

As folhas são simples, opostas, espessas e suculentas, geralmente de formato ovalado a arredondado, com margens crenadas ou levemente onduladas. A superfície é coberta por pelos finos, responsáveis por uma textura aveludada. Quando as folhas são amassadas, liberam um aroma forte e característico, que lembra orégano e outras ervas aromáticas.

A espessura das folhas é uma das características mais fáceis de reconhecer: elas armazenam água e apresentam consistência carnuda, diferentemente das folhas mais finas de muitas espécies popularmente chamadas de hortelã.

As flores surgem em inflorescências nas extremidades dos ramos e são geralmente azuladas, lilases ou arroxeadas, com formato típico das Lamiaceae. A floração depende das condições ambientais e do manejo da planta.

A espécie produz compostos aromáticos em estruturas glandulares presentes nas folhas e em outras partes aéreas. A quantidade e a proporção desses compostos variam de acordo com a genética, o ambiente, a idade da planta e as condições de cultivo.


4. Origem e distribuição no Brasil

A hortelã-da-folha-grossa é uma espécie originária de regiões tropicais do Velho Mundo, com distribuição nativa registrada em partes da África e da Península Arábica, além da Índia. Atualmente, é cultivada em numerosas regiões tropicais e subtropicais.

No Brasil, tornou-se comum em quintais, hortas domésticas, jardins medicinais e coleções de plantas aromáticas. É uma espécie introduzida, não nativa do território brasileiro, mas incorporada a diferentes práticas populares de cultivo e cuidado doméstico.

Sua adaptação a ambientes quentes e sua facilidade de propagação ajudam a explicar sua presença em tantas hortas familiares. Em muitas localidades, a planta é mantida próxima à cozinha ou em canteiros de fácil acesso, permitindo colher algumas folhas frescas quando necessário.

O fato de estar amplamente cultivada no país não significa que todas as plantas encontradas com o mesmo nome sejam necessariamente Coleus amboinicus. A identificação correta continua sendo importante, principalmente quando o objetivo é medicinal ou alimentar.


5. Usos medicinais e indicações tradicionais

A hortelã-da-folha-grossa possui um histórico expressivo de utilização na medicina popular de diferentes países. Suas folhas são tradicionalmente empregadas em preparações caseiras para tosse, resfriados, irritações da garganta e outros desconfortos respiratórios. Há também registros de uso popular para problemas digestivos, dores e aplicações tópicas.

Essas práticas fazem parte de conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações. Entretanto, a existência de um uso popular não significa que a eficácia e a segurança da preparação estejam clinicamente comprovadas.

Tosse e desconfortos respiratórios

Em diversas tradições populares, as folhas são utilizadas em infusões ou preparações caseiras para aliviar a tosse e o desconforto associado a resfriados.

O aroma intenso está relacionado à presença de compostos voláteis, incluindo carvacrol, timol e outros terpenos, cuja composição varia entre plantas e regiões. Alguns desses constituintes têm sido investigados por seus efeitos biológicos em estudos experimentais.

Apesar desse interesse, ainda faltam ensaios clínicos robustos que permitam definir a eficácia da hortelã-da-folha-grossa para tratar doenças respiratórias, estabelecer uma dose terapêutica padronizada ou determinar a segurança de uso prolongado.

A planta não deve substituir a avaliação médica quando houver falta de ar, febre persistente, dor no peito, piora importante ou sintomas prolongados.

Atividade antioxidante

A espécie contém compostos fenólicos e flavonoides, além de constituintes do óleo essencial que podem apresentar atividade antioxidante em determinadas condições experimentais.

Os antioxidantes são substâncias capazes de interferir em reações de oxidação. No organismo, o estresse oxidativo está relacionado a diversos processos biológicos, mas isso não significa que todo alimento ou planta com atividade antioxidante em laboratório previna ou trate doenças.

Estudos com extratos de Coleus amboinicus demonstram atividade antioxidante em ensaios laboratoriais. Os resultados dependem do tipo de extrato, do método de análise e da composição química do material estudado.

É importante não confundir atividade antioxidante experimental com eficácia clínica comprovada. Ainda não há evidências suficientes para afirmar que o consumo habitual da planta previna doenças cardiovasculares, câncer ou outras enfermidades.

Atividade antimicrobiana e anti-inflamatória

Extratos e óleos essenciais da espécie têm demonstrado atividade contra determinados microrganismos e respostas inflamatórias em estudos de laboratório e modelos experimentais.

Essas pesquisas ajudam a compreender o potencial farmacológico da planta e a orientar futuras investigações. Contudo, os resultados não autorizam recomendar a hortelã-da-folha-grossa como substituta de antibióticos, antifúngicos ou medicamentos anti-inflamatórios.

Também não se deve aplicar folhas maceradas ou extratos caseiros em feridas, queimaduras ou infecções sem orientação profissional, pois a preparação pode estar contaminada e não possui concentração nem esterilidade controladas.

A hortelã-da-folha-grossa é um tratamento comprovado?

Apesar da diversidade de atividades estudadas, a evidência clínica em seres humanos ainda é insuficiente para estabelecer indicações terapêuticas amplas, doses seguras e eficácia para doenças específicas.

A melhor maneira de valorizar a planta é reconhecer sua importância etnobotânica e seu potencial de pesquisa sem transformar resultados preliminares em promessas de cura.


6. Constituintes fitoquímicos

A composição química de Coleus amboinicus é complexa e variável. Estudos identificaram substâncias voláteis e não voláteis, incluindo terpenos, compostos fenólicos e flavonoides.

Carvacrol e timol

O carvacrol e o timol são compostos fenólicos voláteis encontrados em algumas amostras da espécie. Também ocorrem em outras plantas aromáticas, como determinadas variedades de orégano e tomilho.

Essas substâncias são estudadas por suas propriedades antimicrobianas e antioxidantes em ensaios experimentais. A proporção entre elas varia de acordo com a variedade química da planta, o ambiente e o método de extração.

Outros componentes voláteis

Dependendo da amostra, o óleo essencial pode apresentar compostos como:

  • cariofileno;

  • p-cimeno;

  • γ-terpineno;

  • linalol;

  • 1,8-cineol;

  • outros monoterpenos e sesquiterpenos.

Não existe uma composição única para todas as plantas da espécie. Por isso, resultados obtidos com o óleo essencial de uma determinada região não devem ser automaticamente atribuídos a todas as hortelãs-da-folha-grossa.

Compostos fenólicos e flavonoides

Além dos constituintes voláteis, a espécie contém diferentes compostos fenólicos, incluindo ácidos fenólicos e flavonoides. Essas substâncias contribuem para o interesse científico da planta e podem participar de atividades antioxidantes observadas em laboratório.

A concentração desses componentes depende da parte vegetal, do estágio de desenvolvimento e do processo de extração. Extratos concentrados e óleos essenciais não são equivalentes às folhas utilizadas como alimento ou em preparações caseiras.


7. Toxicidade, contraindicações e interações

A tradição de uso não garante segurança em qualquer quantidade ou forma de preparo. A hortelã-da-folha-grossa deve ser utilizada com cautela quando o objetivo é medicinal, especialmente em preparações concentradas.

Principais cuidados

  • Gravidez e amamentação: não há dados clínicos suficientes para garantir a segurança do uso medicinal. Evite preparações medicinais concentradas sem orientação profissional.

  • Crianças: não administre chás ou extratos medicinais por conta própria, principalmente a bebês e crianças pequenas.

  • Alergias: pessoas com alergia à espécie ou a plantas da família Lamiaceae devem evitar o uso.

  • Doenças crônicas: quem utiliza medicamentos de uso contínuo deve conversar com um profissional de saúde antes de iniciar o uso medicinal regular.

  • Óleo essencial: não ingerir por conta própria nem aplicar puro na pele ou nas mucosas.

O óleo essencial é muito mais concentrado do que as folhas utilizadas na alimentação. Sua composição variável torna inadequado estabelecer uma dose caseira universal.

Interações medicamentosas

Os dados disponíveis não permitem definir de maneira completa as interações clínicas de todas as preparações da espécie. A falta de estudos não significa que todas as combinações sejam seguras.

Pessoas que utilizam anticoagulantes, medicamentos para diabetes, anti-hipertensivos ou outros tratamentos contínuos devem evitar o uso de extratos concentrados sem avaliação profissional. Não se deve presumir uma interação específica sem evidência, mas também não é possível garantir a segurança de todas as combinações.


8. Modo de uso tradicional

As folhas são a parte mais utilizada da hortelã-da-folha-grossa. Na medicina popular, aparecem em infusões, preparações caseiras e aplicações externas tradicionais.

Entretanto, não há uma posologia clínica universal, suficientemente validada, que permita recomendar uma dose de chá para tratar tosse, infecções ou outras doenças.

Infusão tradicional

A infusão é preparada colocando-se água quente sobre as folhas e mantendo o recipiente tampado durante alguns minutos. Esse método permite extrair parte dos compostos solúveis em água e alguns componentes aromáticos.

A preparação caseira, porém, apresenta concentração variável e não equivale a um medicamento padronizado. Por isso, não é apropriado recomendar uma quantidade fixa de folhas, frequência de consumo ou duração do tratamento como se fossem uma prescrição comprovada.

Para fins culinários, pequenas quantidades de folhas podem ser utilizadas como tempero, desde que a planta esteja corretamente identificada e seja proveniente de cultivo seguro.


9. Uso culinário e PANC: uma folha aromática que merece espaço na cozinha

PANC é a sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais. O termo se aplica a espécies ou partes de plantas com potencial alimentar que não fazem parte do consumo habitual de grande parte da população.

A hortelã-da-folha-grossa é utilizada como erva aromática em diferentes culturas. Suas folhas podem ser empregadas em pequenas quantidades para temperar pratos, marinadas, molhos e preparações com legumes ou proteínas.

O sabor é intenso, lembrando orégano, com notas herbáceas e um toque refrescante. Como as folhas são grossas e aromáticas, geralmente uma pequena quantidade já é suficiente para perfumar uma preparação.

O enquadramento como PANC depende do contexto regional: em algumas comunidades a planta já é conhecida e consumida, enquanto em outras continua pouco explorada na alimentação cotidiana.

Receita: patê de hortelã-da-folha-grossa com ricota

Uma receita simples que valoriza o aroma da planta e permite utilizá-la como ingrediente principal.

Ingredientes

  • 200 g de ricota fresca;

  • 4 a 6 folhas pequenas de hortelã-da-folha-grossa, corretamente identificadas e higienizadas;

  • 2 colheres de sopa de iogurte natural sem açúcar;

  • 1 colher de sopa de azeite de oliva;

  • 1 colher de chá de suco de limão;

  • 1 dente pequeno de alho, opcional;

  • sal e pimenta-do-reino a gosto.

Modo de preparo

  1. Lave as folhas em água potável e higienize-as conforme as orientações adequadas para vegetais consumidos crus.

  2. Retire as partes danificadas e pique as folhas em pedaços pequenos.

  3. Amasse a ricota com um garfo e misture o iogurte e o azeite.

  4. Acrescente as folhas picadas, o limão e, se desejar, o alho.

  5. Tempere com pouco sal e pimenta-do-reino.

  6. Misture até obter uma pasta cremosa. Se necessário, acrescente um pouco mais de iogurte.

  7. Leve à geladeira e sirva com pão integral, torradas ou palitos de cenoura e pepino.

Dica culinária: comece com poucas folhas. O aroma pode ser bastante intenso, e a quantidade ideal depende do tamanho e do perfil aromático da planta.

Por conter ricota e iogurte, o patê deve ser mantido refrigerado e consumido em prazo adequado para alimentos frescos. A receita é uma sugestão culinária, não uma preparação medicinal.

Outras ideias para usar na cozinha

A hortelã-da-folha-grossa pode ser experimentada, em pequenas quantidades, em:

  • Molhos de tomate;

  • legumes assados;

  • sopas e caldos;

  • marinadas para frango e peixe;

  • recheios salgados;

  • pastas de grão-de-bico;

  • manteigas aromatizadas.

Como o aroma é intenso, é preferível adicioná-la gradualmente e avaliar o resultado antes de aumentar a quantidade.


10. Como escolher e colher folhas com segurança

A procedência da planta é essencial para o uso alimentar. Prefira folhas provenientes de cultivo conhecido, idealmente uma horta doméstica conduzida para produção de alimentos ou um fornecedor confiável.

Evite colher a planta em:

  • beiras de estradas e rodovias;

  • terrenos baldios de origem desconhecida;

  • margens de lavouras onde possam ser aplicados agrotóxicos;

  • locais próximos a esgoto, lixo ou águas contaminadas;

  • áreas industriais ou jardins tratados com produtos químicos inadequados para culturas alimentícias.

A lavagem ajuda a remover sujeiras superficiais, mas não garante a eliminação de todos os contaminantes químicos ou ambientais.

Para o cultivo doméstico, utilize água limpa, substrato adequado e recipientes livres de resíduos tóxicos. Não utilize defensivos de forma indiscriminada e siga as instruções de qualquer produto autorizado para a finalidade alimentar.


11. Dicas de cultivo da hortelã-da-folha-grossa

Uma das grandes vantagens dessa planta é a facilidade de cultivo. Em condições adequadas, desenvolve-se rapidamente e pode fornecer folhas durante boa parte do ano.

Clima e luminosidade

A espécie adapta-se bem a climas tropicais e subtropicais. Prefere locais iluminados, com sol direto por algumas horas do dia ou luz intensa, conforme as condições climáticas.

Em regiões muito quentes, pode beneficiar-se de proteção contra o sol mais intenso nas horas centrais do dia. Em locais frios, convém protegê-la de geadas.

Solo

Prefere substrato fértil, leve e bem drenado. Embora suas folhas sejam carnudas, o encharcamento prolongado prejudica as raízes e pode favorecer o apodrecimento dos caules.

Para cultivo em vasos, escolha recipientes com furos de drenagem e utilize substrato que retenha alguma umidade, mas permita a saída do excesso de água.

Rega

Regue quando o substrato começar a secar, levando em conta a temperatura, a exposição solar e o tamanho do vaso. Evite manter o solo constantemente encharcado.

Por ser uma planta de folhas suculentas, tolera períodos moderados de menor disponibilidade de água melhor do que muitas ervas de folhas finas, mas isso não significa que deva permanecer seca por longos períodos.

Propagação por estacas

A maneira mais simples de multiplicar a hortelã-da-folha-grossa é por estacas de caule.

  1. Escolha um ramo saudável, sem sinais de pragas ou doenças.

  2. Corte uma estaca com alguns nós, que são os pontos de onde surgem folhas e raízes.

  3. Retire as folhas da parte inferior.

  4. Coloque a estaca em substrato úmido e bem drenado.

  5. Mantenha em local iluminado, sem sol forte direto durante o enraizamento.

  6. Após o estabelecimento das raízes e o surgimento de novos brotos, adapte gradualmente a planta à luminosidade definitiva.

Também é possível enraizar estacas em água, transferindo-as para o substrato depois do aparecimento das raízes. O enraizamento diretamente em substrato costuma facilitar a adaptação ao vaso definitivo.

Poda e colheita

A colheita regular das pontas dos ramos ajuda a manter a planta compacta e estimula a ramificação. Evite retirar grande parte das folhas de uma só vez.

Para consumo, escolha folhas sadias, lave-as adequadamente e utilize-as frescas. Se desejar armazená-las, mantenha-as refrigeradas por curto período ou avalie métodos apropriados de conservação.


12. Curiosidades e etnobotânica

Uma planta de muitos nomes

A variedade de nomes populares reflete a presença da espécie em diferentes tradições culturais. Em alguns lugares, é chamada de hortelã-gorda; em outros, de malvarisco ou malva-do-reino. Essa diversidade é um exemplo da riqueza da etnobotânica, área que estuda as relações entre as sociedades humanas e as plantas.

Um aroma semelhante ao do orégano

Apesar do nome popular conter a palavra “hortelã”, o aroma da hortelã-da-folha-grossa pode lembrar mais o orégano do que a hortelã-comum (Mentha spicata ou Mentha × piperita). Isso se deve à diferença entre as espécies e aos seus perfis de compostos voláteis.

Folhas carnudas e propagação fácil

As folhas espessas ajudam a planta a lidar com períodos moderados de menor disponibilidade de água. Além disso, a facilidade de propagação por estacas explica sua presença frequente em hortas domésticas: um ramo saudável pode originar uma nova planta.

Tradição e ciência

A espécie é um bom exemplo de como o conhecimento popular pode orientar pesquisas científicas. Os usos tradicionais ajudam a formular perguntas sobre os compostos e as atividades biológicas da planta. A investigação científica, por sua vez, precisa avaliar eficácia, segurança, doses e possíveis efeitos adversos antes de transformar essas observações em recomendações clínicas.


13. O que a ciência já sabe — e o que ainda precisa investigar?

A literatura científica sobre Coleus amboinicus descreve uma variedade de constituintes químicos e atividades biológicas experimentais.

Há evidências experimentais de:

  • presença de compostos fenólicos, flavonoides e terpenos;

  • atividade antioxidante em determinados extratos;

  • atividade antimicrobiana de alguns extratos e óleos essenciais;

  • efeitos anti-inflamatórios em modelos experimentais;

  • variação importante na composição química conforme a origem e a preparação da amostra.

Ainda faltam evidências clínicas robustas para:

  • confirmar a eficácia do chá no tratamento de doenças respiratórias específicas;

  • estabelecer doses medicinais seguras e eficazes;

  • determinar a segurança do uso prolongado;

  • definir com precisão as interações com medicamentos;

  • comprovar que os resultados observados em laboratório se traduzem em benefícios clínicos relevantes.

Essa distinção permite valorizar a hortelã-da-folha-grossa como patrimônio cultural e recurso culinário, sem exagerar o que a ciência já demonstrou.


Conclusão

A hortelã-da-folha-grossa (Coleus amboinicus) é uma planta aromática de grande presença nos quintais brasileiros, reconhecida pelas folhas carnudas, pelo aroma marcante e pelos usos tradicionais. Seu potencial culinário merece ser explorado, especialmente em pequenas quantidades, como tempero de legumes, molhos, pastas e outras preparações.

Os estudos fitoquímicos apontam compostos interessantes, como carvacrol, timol e diferentes substâncias fenólicas. Contudo, os resultados experimentais ainda não justificam atribuir à planta eficácia clínica comprovada para tratar doenças.

Cultivá-la em casa, conhecer sua identidade botânica e utilizá-la como ingrediente alimentar são formas práticas de valorizar essa espécie. Para o uso medicinal, a prudência continua sendo essencial: tradição, pesquisa laboratorial e comprovação clínica são etapas diferentes do conhecimento.



Referências científicas numeradas

1. Royal Botanic Gardens, Kew. Coleus amboinicus Lour. — Plants of the World Online. Nome aceito, sinonímia, classificação e distribuição geográfica. https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:445902-1

2. Paul K, et al. (2024). Traditional Uses, Phytochemistry, and Pharmacological Activities of Coleus amboinicus: A Comprehensive Review. Current Pharmaceutical Design, 30(7):519–535. Revisão dos usos tradicionais, constituintes fitoquímicos e estudos farmacológicos. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38321896/

3. Filipe MS, et al. (2025). Plectranthus amboinicus: A Systematic Review of Traditional Uses, Phytochemical Properties, and Therapeutic Applications. Pharmaceuticals, 18(5):707. Revisão sistemática da composição química e das atividades biológicas, com atenção às limitações da evidência clínica. https://doi.org/10.3390/ph18050707

4. Arumugam G, Swamy MK, Sinniah UR. (2016). Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng: Botanical, Phytochemical, Pharmacological and Nutritional Significance. Molecules, 21(4):369. Revisão sobre botânica, composição química, aplicações culinárias e potencial farmacológico. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6274163/

5. Soares FP, Dourado RCM. Plectranthus amboinicus: Propriedades Medicinais. Medicinae Plantae. Revisão em português sobre os usos tradicionais e as propriedades medicinais da espécie. https://doi.org/10.36517/mp.v1i1.95309

6. Horto Didático de Plantas Medicinais — Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Malvariço (Plectranthus amboinicus). Descrição botânica, nomes populares, origem e orientações gerais de cultivo. https://hortodidatico.ufsc.br/malvarico/

7. Urban gardening and neglected and underutilized species in Salvador, Bahia, Brazil. (2020). Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine. Pesquisa sobre plantas alimentícias pouco convencionais cultivadas e utilizadas em hortas urbanas, incluindo Coleus amboinicus. https://link.springer.com/article/10.1186/s13002-020-00421-0

8. Plunkett GM, et al. (2019). The demise of Plectranthus and the resurrection of Coleus: major nomenclatural changes in Lamiaceae. PhytoKeys, 129:1–158. Referência taxonômica para compreender as alterações de nomenclatura do gênero. https://doi.org/10.3897/phytokeys.129.34988

Nota editorial: a identificação botânica e a nomenclatura foram conferidas em bases taxonômicas, e os usos medicinais foram apresentados como tradicionais ou experimentais conforme o tipo de evidência disponível. Para publicação, recomendo manter essa distinção explícita, especialmente ao abordar tosse, atividade antimicrobiana e segurança do uso medicinal.

Hortelã-da-folha-grossa (Coleus amboinicus Lour.) - Aspecto da inflorescência - Fotografia: José Carlos Bueno - 10/2026 - Bueno Brandão-MG

Hortelã-da-folha-grossa (Coleus amboinicus Lour.) - Aspecto da planta- Fotografia: José Carlos Bueno - 10/2026 - Bueno Brandão-MG

Hortelã-da-folha-grossa (Coleus amboinicus Lour.) - Aspecto das folhas - Fotografia: José Carlos Bueno - 10/2026 - Bueno Brandão-MG


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